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Espanha: o conflito dos estivadores e a liberalização do setor

O conflito sobre o modelo de contratação do trabalho portuário segue aberto sem que, até agora, as negociações tenham chegado a algum tipo de acordo entre governo, patrões e sindicatos. O governo do PP tenta debilitar e dividir a unidade dos trabalhadores nesta luta, oferecendo um plano de pré-aposentadoria aos estivadores para chegar a um acordo a partir dos 50 anos com 70% do salário.

Os trabalhadores portuários são conscientes de que a liberalização do setor significará a precarização do trabalho e nele não somente está em jogo seu presente, mas também seu futuro, em um momento em que os direitos trabalhistas estão sendo retirados de toda a classe trabalhadora, e um exemplo a mais é como há poucos dias em que o Supremo avaliou que é possível evitar uma greve com subcontratações.

O conflito não somente se abre entre governo e trabalhadores. Também há interesses empresariais onde as empresas, que tiveram durante muitos anos o controle sobre a contratação do trabalho portuário, agora veem ameaçados seus privilégios por interesses empresariais de maior poder que buscam se apropriar do bolo.

Isto realmente é o que se esconde por trás da liberalização do setor, quando as elites europeias, servindo aos interesses de grandes multinacionais, ameaçam com multas caso não seja liberalizado o setor.

Em 16 de março de 2017, a maioria dos grupos parlamentares mostrou-se contrária à liberalização do setor, excetuando-se o PP, PNV[1] e a abstenção do Ciudadanos, o que, momentaneamente, paralisa a li beralização do setor.

Foi um dia de alegria, não somente para os trabalhadores e trabalhadoras portuários, mas também para toda a classe trabalhadora. Os sindicatos desmobilizaram a greve e voltaram a se assentar para negociar uma nova lei.

Tenhamos em mente que o motor da história foi e é a luta de classes. Estamos em um contexto histórico em que as elites nos declararam guerra abertamente.

Unidade sempre para enfrentar os contratempos e unidade sempre para vencer porque o presente e o futuro pertencem aos trabalhadores e às trabalhadoras.

[1] Partido Nacionalista Vasco – Partido Nacionalista Basco (Nota do Tradutor – N.T.).

Artigo publicado em 17 de março de 2017, no site da seção espanhola da Corrente Marxista Internacional, sob o título “El conflicto de los Estibadores y la liberalización del sector”.

Tradução de Nathan Belcavello.

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