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Entrevista com Faustão, eleito para a Direção Nacional da CUT

Severino Nascimento “Faustão” é dirigente do Sindicato dos Químicos de Pernambuco e da direção da Esquerda Marxista.

Jornal Luta de Classes: Como foi o 10º. CONCUT?

Faustão: Do ponto de vista de grandes debates políticos isso não houve no 10º CONCUT. Até porque o formato como foi construído o Congresso conduzia justamente para que não houvesse grandes discussões. E assim foi também nos CECUTs Brasil a fora. Na verdade é um retrato da crise que passa a maior central sindical do Brasil, que na minha modesta opinião, não consegue responder para os trabalhadores de forma prática e objetiva que a única saída para a nossa classe é o socialismo.

O primeiro debate que se deu, no CONCUT, foi com a apresentação das teses e depois com as emendas. A principal discussão foi com uma das emendas que apresentamos contra o Governo de coalizão, propondo que a CUT se posicionasse pelo rompimento do governo Lula com os partidos capitalistas. Mesmo tendo perdido a votação nós obtivemos mais de 200 votos, o que é um fato muito importante. Fomos a única força política a defender isso no CONCUT. E tivemos o apoio da base que votou massivamente conosco.

O ponto ridículo do CONCUT ficou por conta da Corrente O TRABALHO, que se absteve nesta emenda e depois enviou Júlio Turra para fazer uma declaração de voto reacionária, anticomunista e anarco-sindicalista, afirmando que ali, o Congresso da CUT, não era o fórum pertinente para discutir questões do governo, pois essa questão devia ser debatida dentro do Partido. Uma declaração vergonhosa.

Ainda mais que todos os Congressos da CUT sempre se posicionaram em apoio político e material às campanhas majoritárias do PT, em especial às campanhas de Lula para a presidência. E o fazem corretamente. Trata-se de apoiar os partidos operários contra a burguesia. A CUT falha é em não exigir de fato as reivindicações, aceitar e apoiar a política equivocada de Lula e ainda sentar-se em órgãos governamentais tripartites e outros junto com o governo e os patrões.

Mas o importante é que nossa emenda colocou o debate e estamos avançando.

JLC: Como foram as votações das principais resoluções?

Faustão: A força majoritária, a Articulação, tinha 82% dos delegados do Congresso, e isso determina a dinâmica do Congresso. E, então, eles aprovavam tudo o que queriam. As divergências que apareciam entre eles eram resolvidas entre eles. Mas, no CECUT-SP, por exemplo, isso significou a parada do congresso e plenárias separadas, etc. E quase se enfrentaram com duas chapas da própria Articulação. Isso expressa um início de divisão política entre setores sindicais que respondem a diferentes pressões na base. É um sintoma de início de determinada situação política.

Mas, atenção, nas votações importantes como a exigência da ruptura do Governo de coalizão, a Articulação votou contra, coesa, mas não nos atacou. Foram os centristas sectários da Corrente O TRABALHO que se abstiveram para nos atacar. A AE votou conosco. A CSD (DS), ART-SIND (CNB e outros) e a TM, votaram contra a nossa proposta.

JLC: Qual a perspectiva para o movimento operário após o CONCUT?

Faustão: A perspectiva para o movimento operário é de muita luta, uma vez que não houve grandes resoluções que armem o conjunto da classe para o próximo período. Vai ser um desafio para todos nós que temos que combater junto aos sindicatos para trazer esse debate no sentido de organizar as categorias para enfrentar os obstáculos que se viram no próprio CONCUT. E cabe a nós que acreditamos no legado do Marx, que só destruindo o capitalismo e construindo o socialismo é que podemos realmente ter paz, cabe a nós esta tarefa. Senão, meus amigos, a classe trabalhadora está condenada à luta.

JLC: Quais são as perspectivas da Corrente Sindical da Esquerda Marxista?

Faustão: Eu vejo com muita felicidade que temos um espaço extraordinário para o nosso crescimento e fortalecimento na classe operária, mas isso só vai ser possível com tranqüilidade, paciência e perseverança. E falo isso, simplesmente porque a nossa política é muito acertada e entra na classe operária com muita fluidez, porém temos que saber dialogar e entender que ainda somos uma semente dentro desse latifúndio. É preciso muito cuidado, e muita firmeza, para não cair no oportunismo ou no sectarismo.
O oportunismo político ou o sectarismo não nos servem como método em nada, e pelo contrário, só nos afastariam de nosso objetivo central.

É preciso principalmente acreditar na classe operária e na luta de classes, no nosso programa marxista, pois a classe operária é que vai conduzir a luta pela libertação de toda a humanidade e construir a sociedade socialista. Por isso mesmo creio que as possibilidades de nos implantarmos na classe operária são enormes, mas atenção, com muita calma e com política organizada, centrada no dia a dia e na vida real das pessoas ao mesmo tempo tendo um olhar firme no horizonte.

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