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Entre o operário, o artista e o capitalismo

No extremo leste da região metropolitana da grande São Paulo, estão localizadas algumas das últimas fabricas de vidros manuais, hoje uma pequena parte dessa categoria operária.

Contemporâneo aos avanços tecnológicos, medicinais e espaciais, contemporâneo a grandes produções industriais e a todas normas “ISO”, estão os operários vidreiros manuais.

No extremo leste da região metropolitana da grande São Paulo, estão localizadas algumas das últimas fabricas de vidros manuais, hoje uma pequena parte dessa categoria operária que, entre a desigualdade e a covardia de uma competição entre a tecnologia e a arte, entre rolamentos, pistões, correias, parafusos, sensores e esteiras, competem com as mãos de operários-artistas.

Trabalham em condições insalubres, marginalizados e discriminados, sem nenhum reconhecimento, com salários sempre defasados, ao invés de um contrato digno de sua arte, enquanto o “dono do forno”, aliás patrão, cobra metas de produção como obrigação.

Seus instrumentos são: uma cânula de aço inox, aparelhos e formas quase que rudimentares e suas mãos calejadas e treinadas desde bem jovem. Atuam em frente a uma abertura feita em um pequeno forno, aliás, pequeno comparado à alguns fornos de grandes empresas nacionais e multinacionais.

Essas empresas, sendo contemporâneas ou não, possuem pequenos fornos e tratam artistas como se fossem “apertadores de botões”, como se fosse fácil substituir os operários-artistas das vidrarias manuais. Para tentar manter o lucro compatível com as grandes empresas, esses patrões mantêm uma opressão e exploração inaceitáveis.

Mas, esses operários-artistas, que transformam vidro derretido em decorações únicas e inigualáveis, estão sempre na luta e nas mobilizações do Sindicato dos Vidreiros de São Paulo.

Fatidicamente as pequenas vidrarias manuais tendem a se apequenarem frente à tecnologia fria que copia, sem sentimento ou humanidade, diferente das peças produzidas pelas mãos dos operários-artistas.

Que as fábricas de vidros manuais se transformem em ateliês, que os novos tempos superem a crueldade da competição do homem contra a máquina. Que esses operários-artistas sobrevivam e com eles a arte da fabricação manual em vidro nunca morra.

* Almir Maciel é operário vidreiro e Diretor do Sindicato dos Vidreiros de São Paulo.

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