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Manifestação da greve dos servidores de Florianópolis

Encontro reúne movimentos grevistas de servidores municipais de Cubatão, Santos e Florianópolis

No dia 10 de maio, ocorreu um importante encontro entre representantes de três importantes lutas travadas no Brasil nos últimos meses. Na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de Cubatão, o Comando de Greve dos servidores públicos de Cubatão recebeu Alex Santos, presidente do SINTRASEM, sindicato dos servidores públicos municipais de Florianópolis, e Flávio Saraiva, do SindServ, dos servidores municipais de Santos. Estes companheiros representavam três importantes movimentos grevistas que nos últimos meses – ou mesmo semanas – deram uma mostra da enorme energia que existe entre os trabalhadores para resistir aos ataques contra a nossa classe.

Compareceram 35 trabalhadores de Cubatão para este debate.

A companheira Indra, de Cubatão, abriu a reunião que teve em seu início a exibição de 3 vídeos, cada um deles falando de uma das greves representadas. Logo após os vídeos, passou a palavra aos representantes que fizeram, cada um, seu breve relato de 15 minutos sobre o movimento em sua cidade.

O primeiro a falar foi o militante da Esquerda Marxista, Alex Santos, do SINTRASEM-Florianópolis, filiado à CUT. (Ver vídeo da fala aqui)

Durante o início do ano, os trabalhadores de Florianópolis protagonizaram uma greve de quase 40 dias que, para além de tornar-se uma greve de massas, foi capaz de travar por mais de uma vez a capital catarinense e de organizar uma grande assembleia popular envolvendo 60 entidades sindicais em sua convocação e milhares de trabalhadores em praça pública. O movimento chegou a colocar 20 mil nas ruas.

Narrando e apresentando sua opinião sobre o processo de construção da greve de Florianópolis, Alex enfatizou a importância de a greve em Floripa ter iniciado imediatamente depois que o “Plano de Maldades” do prefeito recém empossado Gean foi apresentado. Relatou o processo de repressão e a resistência dos servidores. Contou como uma greve que começou antes do início do ano letivo, sustentou suas primeiras semanas com a adesão quase integral do setor “civil”, cujos trabalhadores em sua maioria nunca tinham feito greve. Relatou como numa assembleia em que avaliavam a necessidade de suspender a greve para aguardar o início do ano letivo e organizar um novo impulso com adesão do magistério, a base da categoria mostrou uma radicalidade ainda maior do que havia na própria direção do sindicato. Este fato, ao invés de lamentado, foi amplamente comemorado e desde então o sindicato sabia que contava com todo o apoio necessário para ir até o fim com o movimento.

Desde o início, a justiça condenou a greve como ilegal, impondo uma multa que chegou a R$ 100 mil por dia parado. O sindicato recusou-se a acatar a decisão da justiça e, apoiando-se no grande apoio recebido pela base dos servidores, manteve a posição de que quem decide quando a greve acaba são os trabalhadores em assembleia.

Após 38 dias de greve, o prefeito retirou seu pacote de maldades e a greve foi encerrada com uma histórica vitória, que serve para inspirar o conjunto do movimento sindical brasileiro neste período de cada vez mais intensos ataques.

Um artigo dedicado a esta luta foi publicado em nosso site (ver aqui)

Flávio Saraiva, militante da Corrente Alternativa Sindical Socialista e dirigente do SindServ, relatou o combate em Santos. Segundo o relato de Flávio, a greve cujo objetivo era o reajuste salarial – o prefeito oferecia 0% de reajuste – ocorreu após 22 anos sem greves no serviço público na cidade, com exceção para uma greve de um dia no ano passado. Com forte adesão em suas primeiras semanas, a categoria tomou as ruas de Santos em passeatas massivas. A greve durou mais de um mês e certamente serviu para ensinar aos servidores o único caminho possível nestes tempos para a garantia de direitos, o da luta de classes. A justiça, a pedido da prefeitura, decidiu que o sindicato tinha que manter 80% dos serviços de saúde e educação em funcionamento, o que é um grave ataque ao direito de greve e que se repete cada dia mais em nosso país. Diante dos diversos obstáculos, a diretoria do sindicato decidiu propor à assembleia um recuo e acatou a decisão. Certamente este golpe da burguesia acabou por enfraquecer o movimento que ainda assim, seguiu. Apesar da enorme intransigência e truculência do prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), somada à falta de uma tradição de organização no período recente da categoria, o movimento conseguiu arrancar um abono de 5% que deverá ser incorporado ao salário em dezembro. Longe de ser o ideal é, por outro lado, um respiro diante de tantos anos acumulando perdas e diante de uma crise econômica que mina o poder de compra do salário do trabalhador. Porém, não bastasse a dureza da greve, o prefeito mandou cortar o ponto não pagando os dias parados. Negou-se inclusive a negociar a reposição dos dias parados. O resultado é que sindicato e categoria agora seguem mobilizados e em luta exigindo que a prefeitura mude sua postura. A luta segue.

Por fim, escutamos o relato do companheiro Enrico Watanabe, da Comissão de Lutas e do Comando de Greve dos servidores de Cubatão. Enrico narrou o combate dos servidores que enfrentaram a prefeitura e seu pacote de maldades, que retirava inúmeros direitos dos trabalhadores e impunha perdas salariais, perda de cesta básica, redução nos vales alimentação, ataque à carreira, nos cálculos de benefícios relacionados às férias entre muitos outros. Mas além de enfrentar o Estado, os trabalhadores tiveram que enfrentar os dois sindicatos pelegos que representam a base da categoria, um dos servidores e outro dos professores, este último, vergonhosamente ligado à CUT. O sindicato dos servidores, em audiências com o prefeito chegava a declarar-se abertamente “amigo” do mesmo e teve que ser atropelado pela categoria, que o obrigou pela pressão de sua mobilização política a decretar a greve da categoria. A verdadeira direção da greve foi feita por uma comissão de lutas, cujo histórico de formação remonta à resistência aos ataques anteriormente feitos pela ex-prefeita Márcia Rosa, do PT. Alguns de seus integrantes lançaram, no ano passado, uma chapa de oposição ao sindicato local de professores municipais, enfrentando inclusive a violência dos “bate-paus” enviados pela própria CUT! Desde então, colocando-se sempre a postos para defender a categoria, a comissão conquistou a confiança dos servidores.

Os trabalhadores iniciaram sua luta, já no princípio da greve, com uma vigorosa manifestação em frente à Câmara no dia em que estava marcada a votação do pacote de maldades do prefeito Ademário (PSDB). Bloquearam a entrada dos vereadores que só conseguiram chegar ao plenário após uma violentíssima repressão, quando a PM transformou a praça em frente ao Paço numa verdadeira praça de guerra. A repressão gerou revolta e reverberou pelas redes sociais e mesmo pela mídia burguesa na baixada santista. A greve recebeu apoio de diversas entidades e inclusive a visita de parlamentares do PSOL.

Após 38 dias de greve, o movimento foi suspenso com o recuo parcial do prefeito Ademário, que retirou mais de 20 itens de seu projeto. A luta, portanto continua. Os servidores precisam retomar o fôlego e as energias para os futuros combates.

A seguir foi aberto o debate em que diversas perguntas foram feitas, principalmente aos convidados, que esclareceram suas posições. Inevitavelmente parte do debate foi sobre necessidade de construir a resistência em nível nacional para barrar as reformas trabalhista e da previdência. Todos os que usaram a palavra mostraram-se dispostos a trabalhar pela unidade para derrotar o governo federal e seus ataques.

Os militantes da Esquerda Marxista defenderam a necessidade de a todo instante explicar a relação estreita entre as lutas contra as reformas e a palavra de ordem Fora Temer. Além disso, não se pode depositar qualquer espécie de ilusão de que as questões possam se resolver por meio deste Congresso Nacional cada vez mais elameado e completamente desmoralizado ante à opinião pública, particularmente da classe trabalhadora. Por isso dizemos, Fora Temer e o Congresso Nacional.

As centrais sindicais, não apontam o combate por uma greve geral por tempo indeterminado. Sabemos que há centrais que defendem a greve geral. Mas não há greve geral sem a CUT. O abandono das diversas forças políticas que resolveram dividir o movimento sindical em diversas centrais fez com que a direção majoritária da CUT se sentisse ainda mais a vontade para propor todo o tipo de freio ao movimento. Como sem a CUT não há greve geral, resta às outras centrais apenas o incômodo papel de acatar se devem seguir a maior central do país.

Por isso, consideramos um erro a divisão do movimento sindical de forma descolada das bases. Continuamos a combater no interior da CUT, contra a burocracia sindical, pela independência de classe, contra a conciliação com os patrões e governo.

Consideramos que neste processo, para dar vazão à enorme energia que se expressa em greves como a de Florianópolis, Santos e Cubatão, entre tantas outras, é necessário dar voz às bases, aos trabalhadores em cada local de trabalho. É preciso construir um Encontro Nacional da Classe Trabalhadora e permitir que os trabalhadores, com suas experiências cotidianas de luta, desenhem as melhores formas de organização e tomem em suas mãos a tarefa de construir a greve geral, parar o país e defender seus direitos.

Este encontro é algo que precisa se repetir. Não apenas na baixada, mas por todo o país onde as lutas aconteçam.

A Esquerda Marxista e sua corrente sindical colocam todas as suas forças para ajudar a classe trabalhadora a encontrar o caminho da vitória.

Fora Temer e o Congresso Nacional!

Por um governo dos trabalhadores!

Assembleia Popular Nacional Constituinte!

Contra a reforma trabalhista e da previdência!

Por um Encontro Nacional da Classe Trabalhadora para construir a greve geral!

Viva a Revolução Socialista!

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