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Encontro das Trabalhadoras Vidreiras: Ponto de apoio para a construção da Esquerda Marxista

Wanderci Bueno

Plenária do Encontro das Mulheres Trabalhadoras Vidreiras

Sábado, dia 24 de março, o Sindicato dos Vidreiros de São Paulo manteve a tradição e nem sua Colônia de Férias, na Praia Grande, mais de 120 trabalhadoras deram início ao 20° Encontro das Mulheres Trabalhadoras Vidreiras.

Discutiram conjuntura, jornada de trabalho, drogas, creche, trabalho igual salário igual, licença maternidade, a participação das mulheres na vida sindical e política.



À tarde, a camarada Roberta Ninin, atriz, professora e militante da Esquerda Marxista, falou às companheiras sobre a exploração capitalista, explicou que a luta das mulheres trabalhadoras é contra os patrões e o capitalismo e não contra nossos companheiros trabalhadores. “A luta não é das mulheres contra os homens, mas sim dos trabalhadores, mulheres e homens contra o capital e seu estado opressor”, afirmou Roberta que ainda acrescentou: “As mulheres em fevereiro de 1917, em Petrogrado, na Rússia, estiveram à frente de uma mobilização e marcharam lado a lado de seus companheiros trabalhadores. Em outubro do mesmo ano os trabalhadores, operários e operárias, soldados e camponeses, tomarem o poder. Pela primeira vez na história erguerem o poder socialista”.

Roberta em sua intervenção na plenária 
“A sociedade não é divida em sexos, mas sim em classes sociais, de um lado os que detêm a propriedade privada dos meios de produção, de outro os que só possuem sua força de trabalho e a vendem para sobreviver. Em troca recebem um salário. Mas o tempo que os trabalhadores gastam para pagar e repor suas energias e sustentar suas famílias é mais ou menos de 2 horas e eles em geral trabalham mais de 8 horas. Estas seis horas ele produz para o patrão ficar mais rico”. 

“Enquanto esse sistema existir a classe trabalhadora estará condenada a ser mais e mais explorada. O sindicato luta contra essa exploração e defende os direitos dos trabalhadores, mas em geral, suas direções são adaptadas aos patrões e não levam esta luta até o fim”. 

“As crises, cada vez mais violentas, acabam por retirar ainda mais os direitos e conquistas dos trabalhadores. Vejam o que ocorre na Grécia, lá os capitalistas impuseram até mesmo o aumento no período necessário para aposentar, rebaixaram os salários, diminuíram os serviços públicos. Mas os trabalhadores se erguem e lutam”. 

“Aqui o governo também aumenta o tempo de serviço e privatiza os serviços públicos. Mas temos a CUT e nosso sindicato (dos vidreiros) é de luta. Mas é necessário ir além da luta sindical, é necessário que os trabalhadores e trabalhadoras, unidos, como um só corpo se ergam e façam política, pois do contrário ela será feita pelos burgueses e seus partidos”.

“Está na hora dos trabalhadores se erguerem contra tudo isso. Contra a desoneração da folha de pagamentos, em defesa de seus direitos, redução da jornada e contra qualquer conciliação com os patrões e seus partidos. É por aí a nossa luta!” (Aplausos)!

Depois Roberta explicou, respondendo a uma pergunta da Diretora do Sindicato, a camarada Cacilda, sobre como surgiu o 8 de março. Roberta respondeu que: “No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos ‘Cotton’, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, redução da jornada, aumentos salariais. O patrão mandou trancar a fábrica com as 129 trabalhadoras lá dentro e incendiou tudo, matando as trabalhadoras. A cada ano os trabalhadores e trabalhadoras de todo mundo passaram a lembrar desse dia. Mas apenas em 1910 é que esse dia passou a ser oficialmente lembrado como dia Internacional das Mulheres. Assim surgiu o 8 de março”! Concluiu Roberta. (Aplausos)!

Após esta palestra foram apresentados vídeos sobre as lutas das mulheres, e em seguida foram homenageadas duas diretoras do sindicato, as companheiras Ivonete e Rose que estão saindo da atual diretoria, mas não da luta. Também houve homenagem a uma companheira trabalhadora funcionária da Colônia de Férias.

Todas saborearam um gostoso bolo para posteriormente seguirem até ao animado samba cantado e tocado apenas por mulheres, alias com muito molho e bossa, rolando pela madrugada adentro regado com cerveja acompanhada por apetitoso churrasco. Uma festa de confraternização de classe, unindo, como na luta do dia a dia, mulheres e homens, operários e operárias. 

Apresentação da Esquerda Marxista para um grupo de  trabalhadoras
No intervalo entre as homenagens prestadas e o samba a Esquerda Marxista reuniu 14 trabalhadoras e apresentou suas ideias básicas da luta pelo socialismo. Os camaradas Miranda e Roberta fizeram uso da palavra para convidar as companheiras a seguirem na luta junto à Esquerda Marxista. O camarada Wanderci distribuiu o Jornal Luta de Classes para cada companheira, explicando que o mesmo custa R$ 4,00 reais. Propôs às companheiras que elas lessem o jornal e na próxima semana realizassem uma reunião para começarem um grupo de leitura e debate a partir de artigos do JLC. Nessa oportunidade deverão pagar o jornal. 

A proposta foi aceita com entusiasmo! 
Agora é arregaçar as mangas e organizar esse primeiro grupo de leitura e estudos do Jornal Luta de Classes. As mulheres vidreiras darão o primeiro passo, retomando a tradição do Partido Bolchevique que organizava através de seu jornal milhares de trabalhadoras e trabalhadores para edificarem juntos o partido e construir o socialismo.

Vida longa ao Sindicato dos trabalhadores Vidreiros!
Viva as mulheres trabalhadoras vidreiras!
Viva os trabalhadores de todo mundo!

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