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Em meio ao ódio popular, ajudar novos junhos a nascer

Há três anos, as Jornadas de Junho irromperam o cenário nacional, abririndo um novo momento político no país. A luta pela derrubada de Temer e do Congresso Nacional continua aquele irresistível movimento.

Com poucas semanas de vida, o governo Temer já demonstra seu caráter e sua fraqueza política. Foi obrigado, pressionado por protestos, a recriar o Ministério da Cultura, dois ministros caíram e manifestações Fora Temer seguem ocorrendo pelo país.

O jornal americano New York Times diz que a queda de mais um ministro, Fabiano Silveira, do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle, “desferiu outro golpe contra um governo que parece estar mancando de um escândalo a outro”. Já o jornal britânico Guardian afirma que “a reputação do novo governo interino deslizou de frágil para burlesca”.

As declarações da imprensa internacional evidenciam, uma vez mais, os receios da burguesia imperialista com a aventura empreendida por seus sócios-menores ao alçar ao poder um governo fraco e ilegítimo, o que pode abrir uma situação ainda mais incontrolável no país.

Enquanto isso, as camarilhas políticas se digladiam para se salvar, como se viu no caso dos áudios gravados e divulgados pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, fornecendo espetáculos de auto-desmoralização que só fazem crescer o ódio popular às podres instituições burguesas e seus políticos.

Já a Operação Lava Jato, longe de combater a corrupção, tem objetivos políticos muito claros com a seletividade de suas ações. A criminalização dos movimentos sociais é uma deles, assim como o favorecimento de determinados grupos burgueses em detrimento de outros.

O Judiciário, com o STF a sua frente, tenta cumprir um papel de último bastião do Estado, estabelecendo um regime aparentemente democrático, mas de fato comandado por uma oligarquia de juízes hostis às liberdades democráticas, que disfarçam de neutralidade jurídica suas ações políticas, que tentam elevar-se como árbitro supremo das disputas políticas entre as facções burguesas e entre as classes.

Temer aprofunda os ataques do governo Dilma

O governo Temer prepara mais ataques, aprofundando os já iniciados por Dilma, como a Reforma da Previdência, arquitetada pelo governo anterior para instituir a idade mínima de 65 anos para aposentadoria e a desvinculação do reajuste de pensões do reajuste do salário mínimo.

A farra com o dinheiro público segue com a aprovação, pelo Congresso, de um cheque em branco de 170 bilhões de reais para Temer. Soma-se à isso a discussão da Desvinculação dos Recursos Orçamentários da União (DRU) encaminhada por Dilma com a redução automática de 30% dos valores para a seguridade social (que engloba a Previdência Social), saúde, educação e outros, o que só confirmará o sucateamento dos serviços públicos.

A taxa de desemprego cresce e chega a 11,2%. São 11,4 milhões de pessoas em busca de emprego. Nos dois governos, quem paga o pato é a classe trabalhadora.

As direções dos aparelhos e a ação dos revolucionários

Enquanto parlamentares do PT dizem que vão fazer uma oposição responsável ao governo Temer, a executiva do partido solta uma resolução em que acusa o governo “golpista” de estar implementando medidas “neoliberais”. Manobra e hipocrisia, pois o governo Dilma, composto pela maioria dos partidos do atual governo, tentava aplicar as mesmas medidas.

Já a direção da CUT diz estar preparando a greve geral tendo como uma das bandeiras o Fora Temer, o que é correto, mas também para “restabelecer o mandato popular e a democracia”. Ou seja, adere ao “Volta Dilma” impulsionado pelo PT, desviando das reivindicações concretas que se contrapõem aos interesses fundamentais dos capitalistas.

A crise que vivemos colocará cada vez mais nas ruas as forças da revolução e da contrarrevolução. É uma época convulsiva a que vivemos e o Brasil está em sintonia com a situação mundial. Novas jornadas de junho, como as de 2013, preparam-se e são necessárias, mas ocorrerão em um nível muito superior.

Neste difícil terreno é que a classe trabalhadora e a juventude aprenderão, unificarão suas lutas e as levantarão ao nível político colocando a questão do fim deste regime.

A Esquerda Marxista, apontando uma perspectiva de saída socialista e revolucionária, explicando pacientemente a situação que vivemos e nossas tarefas, afirma suas bandeiras:

Fora Temer e o Congresso Nacional!

Por uma Assembleia Popular Nacional Constituinte!

Por um Governo dos Trabalhadores!

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