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Foto: Aline Seitenfus

Em Defesa de Outubro: Escola de Quadros 2017

Nesta sexta-feira (21/4), a Esquerda Marxista iniciou sua Escola de Quadros celebrando o centenário da Revolução Russa de 1917. Um auditório repleto ouviu informes e debateu os acontecimentos de 1905 e de cem anos atrás, aprofundando análises históricas e políticas. O evento faz parte da campanha da Corrente Marxista Internacional (CMI) de comemoração e de defesa do verdadeiro legado dessa experiência do proletariado em busca de sua emancipação.

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O evento foi aberto pelo secretário-geral da EM Serge Goulart. Ele saudou os participantes, destacando o significado histórico da atividade e a importância da mesma para a preparação de uma organização revolucionária. Representando a direção do Movimento Esquerda Socialista (MES), Evelin Minowa frisou o valor de uma proposta como a que iniciava agora que os marxistas se somavam ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Também participaram da mesa de abertura Fred Weston, do Secretariado Internacional da CMI, e Marcelo Canay, da Corriente Socialista Militante, da Argentina.

Foto: Aline Seitenfus

Ensaio de 1905

Como primeiro assunto de debate, Riobaldo Tartarana abordou a Revolução Russa de 1905. Retomando a formação histórica e social do império, ele explicou a contradição que formou um poderoso estado absolutista simultâneo a um desenvolvimento capitalista envolto em uma camisa de força. Junto a isso, o país chegava atrasado no mercado mundial capitalista, o que fazia com que fosse invadido pelo capital estrangeiro.

A formação da classe operária russa evoluía em meio a esse contexto, que dará um desenvolvimento confuso para os partidos que se formavam nesse cenário original. Em meio a esse caldeirão político, se constitui o Partido Operário Socialdemocrata da Rússia (POSDR). Essa organização logo em seu início vai se dividir em duas frações em 1903, bolcheviques e mencheviques, ambas com pouca influência e aprendendo a influir no campo da luta de classes.

Quando o processo revolucionário se inicia em 1905, a partir do Domingo Sangrento, nem bolcheviques, nem mencheviques tinham forte influência. Apesar disso, eles e outros partidos e grupos tentavam influenciar a situação. No campo socialdemocrata, três posições se desenvolviam em meio aos combates, as das duas frações do POSDR, e uma outra elaborada por Leon Trotsky e Parvus. Nessa situação, Trotsky continua a luta pela unificação das frações do partido, que anos depois reconhecerá como um erro.

De acordo com Riobaldo Tartarana, três grandes lições da Revolução de 1905 permanecem vivas até os dias de hoje para os marxistas. A primeira consiste em uma confirmação das posições de Trotsky, que virão a ser conhecidas como teoria da Revolução Permanente, de que a revolução socialista poderia ser vitoriosa em um país atrasado antes de vencer em um outro avançado. Ter clareza da necessidade de se chegar ao socialismo na luta pelo poder consiste em uma segunda lição. E como terceira, emerge a lição de que não bastam boas ideias, fazendo-se imperioso formar um partido com fronteiras bem delimitadas para tornar essas ideias forças materiais capazes de influir na realidade.

Foto: Aline Seitenfus

Agitação de 1917

A introdução do plenário nas agitações do ano de 1917 em território russo coube a Alex Minoru. Retomando a grave situação econômica e social do império, Alex apontou o início da Primeira Guerra Mundial em 1914. O czar havia envolvido seu domínio em um violento conflito, que estava sugando as forças vitais e materiais das massas trabalhadoras. No âmbito da Segunda Internacional, a maioria das direções dos partidos socialdemocratas capitularam diante da pressão de suas burguesias nacionais, concedendo apoio à guerra imperialista.

Diante da situação insuportável que viviam, os operários de Petrogrado iniciaram greves contra a situação que, em fevereiro de 1917, resultaram em uma cobrança por paz e pão se desenvolvendo em uma insurreição contra o regime czarista. Na agitação do ascenso, as massas criam mais uma vez seu instrumento de luta de 1905, o soviete. O poder que sai desse processo foi o governo provisório, que deveria convocar uma assembleia constituinte para estabelecer as bases de governo democrático burguês.

Para o partido mais revolucionário e preparado que a história já conheceu, a situação foi analisada com vacilações e tendências conciliadoras. Somente com a chegada de Vladimir Lenin ao país, vindo do exílio em abril desse ano, os rumos do Partido Bolchevique se colocam na trilha que o levará ao poder seis meses depois. Nesse redirecionamento, Lenin assume as perspectivas de Trotsky sobre a Revolução Permanente, e ao mesmo tempo Trotsky reconhece a justeza da defesa de Lenin de um partido centralizado. Dá-se a fusão das organizações desses dois líderes revolucionários.

Armados de teses de combate nacional combinado com o internacional, reconhecendo a necessidade de ganhar a maioria das massas para suas posições, os bolcheviques irão provar a correção de suas posições. O comportamento deles alcançará esse objetivo durante as Jornadas de Julho, a repressão que se segue por parte do governo de Kerensky e durante a tentativa de golpe militar de Kornilov.

Mesmo com poderosas pressões se lançando sobre o Partido Bolchevique, a tomada do poder se coloca de cada vez mais clara diante de seus membros e líderes a partir do momento em que o partido se torna majoritário entre os trabalhadores nos principais centros industriais. Dessa forma, mesmo com o combate de uma minoria, a insurreição é organizada por meio do Comitê Militar Revolucionário do Soviete de Petrogrado. Por meio de uma minuciosa e enérgica preparação, o governo provisório cai praticamente sem resistência e sem combate. O Segundo Congresso Pan-Russo estabelece o novo regime e governo, que de Petrogrado se expande para Moscou, e de seu centro para a nação.

Foto: Francine Hellmann

Escola da Revolução

A atividade da Escola de Quadros continua neste sábado (Saiba como foi). Com informes de Rafael Prata e de Serge Goulart, os participantes abordarão A Revolução Traída (1924-1938) e A Internacional Comunista (1919-1922). Uma preparação dos credenciados está garantindo um alto nível de aprofundamento dos assuntos. Com essa iniciativa, a Corrente Marxista Internacional e sua seção brasileira avançam na defesa do verdadeiro legado deixado pelas experiências das massas e dos revolucionários naqueles anos convulsivos. Dia 23 será a fez da realização da Conferência da Esquerda Marxista.

Citando Rosa Luxemburgo, durante o debate Serge Goulart frisou que devemos estudar e nos preparar para ser dignos do mesmo elogio dado por ela a Lenin e Trotsky:

“Eles podem dizer: Nós ousamos!”

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