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Em 3 de Outubro: Derrotar a burguesia e seus candidatos!

Nós ficamos do lado da classe trabalhadora e, por isso, votamos PT, votamos Dilma! Mas suas alianças não ajudam os trabalhadores. É preciso organizar e seguir o combate por um Governo Socialista dos Trabalhadores!

“É necessário ter mais tempo no programa eleitoral da TV. É necessário ter mais votos. É necessário ter maioria no Congresso Nacional.” Isso é o que estamos acostumados a escutar quando questionamos as coligações do PT com os partidos que sempre foram inimigos de classe do nosso partido, como o PMDB de José Sarney e Michel Temer. E sim, temos acordo de que é necessário tempo de TV, mais votos e maioria no Congresso. Mas, fazendo essas alianças nós conseguimos isso tudo de fato? Pelo contrário, demonstraremos que não.

Com quantos Governadores do PMDB se faz uma canoa furada?

Em 2002, o PT teve 23 candidatos a governador. Em 2006, o PT foi reduzido para 17 candidatos a governador e finalmente em 2010 o PT tem só 10 candidatos a governador! No restante dos estados apóia candidatos de outros partidos. Muitos desses partidos, inimigos históricos da classe trabalhadora. A direção do PT tenta explicar desse jeito:

“O ‘Projeto Nacional’ exige esta aliança. Precisamos sair com 2 milhões de votos do Maranhão. Assim como no Pará temos que sair com 4 milhões. Isso para compensar os 6 milhões de vantagem de Serra em São Paulo.” (José Dirceu em reunião do Diretório Nacional do PT).

A direção do PT usou esses argumentos no início da campanha para apoiar a candidatura ao governo estadual de Roseana Sarney (PMDB) no Maranhão, de Helio Costa (PMDB) em Minas Gerais, de Sergio Cabral (PMDB) no Rio de Janeiro, de Silval Barbosa (PMDB) no Mato Grosso, de Iris Rezende (PMDB) em Goiás, de Zé Maranhão (PMDB) na Paraíba, de Carlos Gaguim (PMDB) em Tocantins, de Osmar Dias (PDT) no Paraná (tendo como vice o PMDB), de Ronaldo Lessa (PDT) em Alagoas, de Casagrande (PSB) no Espírito Santo, de Eduardo Campos (PSB) em Pernambuco, de Ibere Paiva (PSB) no Rio Grande do Norte, de Cid Gomes (PSB) no Ceará, de Wilson Martins (PSB) no Piauí, de Camilo Capiberibe (PSB) no Amapá, de Alfredo Nascimento (PR) no Amazonas e de Neudo Campos (PP) em Roraima.

Em alguns desses estados, o PT tem o candidato a vice-governador, como por exemplo nos estados do Maranhão e Minas Gerais. Assim submete-se o partido que deveria servir de ferramenta do povo contra a burguesia aos ditames de um partido burguês. Em geral, quando o PT é vice de um governo de direita, as principais lideranças petistas são acomodadas no governo através de empregos, consultorias e cargos comissionados, ficando com o rabo preso e jogando para abafar os movimentos sociais e populares do estado que evoluem em direção a se chocar com o Governo.

Já há outros estados onde o PT nem vice tem! É o caso do Rio de Janeiro, por exemplo! Nesses estados o PT apóia um candidato de um partido burguês, um vice do mesmo ou de outro partido de direita, deixando os trabalhadores sem ter em quem votar para governador!

Recolocamos a questão: Se todos esses candidatos das coligações que o PT apóia forem eleitos, o PT sairá mais fortalecido ou mais enfraquecido?

Fazer política é mais do que fazer conta de adição!

Nos anos 30, ao criticar a política de Frente Popular – levada a cabo pelos stalinistas em aliança com os liberais da Espanha com o pretexto de estar contra os fascistas – Trotsky nos explicava:

“Os teóricos da Frente Popular não ultrapassam a primeira operação aritmética: a adição. A soma dos comunistas, socialistas, anarquistas e liberais, é maior do que cada um de seus termos. No entanto, a aritmética não é suficiente! É preciso, pelo menos, conhecimentos de mecânica. A lei do paralelograma de forças ocorre também na política. A resultante é, como sabemos, tão menor quanto mais divergentes forem as forças. Quando aliados políticos puxam em direções opostas, o resultado é zero.

O bloco dos diferentes grupos políticos da classe trabalhadora é absolutamente necessário para resolver tarefas comuns. Em determinadas circunstâncias históricas, um bloco desse tipo é capaz de arrastar as massas oprimidas pequeno-burguesas, cujos interesses são próximos aos do proletariado, já que a força conjunta deste bloco é muito maior do que a somatória das forças que o constituem. Pelo contrário, a aliança entre o proletariado e a burguesia, cujos interesses agora sobre questões-chave formam um ângulo de 180 graus, não pode nada além de paralisar a força reivindicativa do proletariado.” (Leon Trotsky, Lições da Espanha: Última Advertência, Dezembro/1937).

Todos sabemos a que levou essa política de alianças com setores da burguesia na Espanha e como acabou a revolução espanhola. E no Brasil de 2010, seria diferente?

O Governo Lula já vem de alianças com a burguesia há 8 anos. Alianças que aumentaram do primeiro para o segundo mandato com a consolidação do PMDB como aliado e agora é coroada com o vice do PMDB na chapa de Dilma, Michel Temer!

A tática de Lula e da maioria da direção do partido é de dissolver o PT enquanto partido de classe. Fizeram questão de filiar patrões no nosso partido, como foi o caso de Ivo Rosset* (um dos proprietários do Grupo Rosset) em Outubro de 2009 ou da nomeação de “filiado de honra” de José Alencar (vice-Presidente da República e dono da Coteminas) durante o 4° Congresso do PT no início deste ano.

Além disso o próprio Lula disse que sonha com um partido formado pelos “homens de bem” do PT e os “homens de bem” do PSDB!

Esses dirigentes do PT só não conseguem fazer o que querem até o fim porque os trabalhadores resistem. Seguem filiados no partido milhares de militantes “luta de classes” que não aceitam a descaracterização classista do partido construído com anos de luta pela classe trabalhadora.

Em Alagoas, o plano da direção do PT era apoiar Collor para o Governo do estado. A base do partido obrigou a direção a costurar outra aliança menos escandalosa. No Maranhão, a direção do partido passou por cima do encontro estadual do PT e impôs o apoio à filha de Sarney para Governadora! Os petistas fiéis à sua classe e aos princípios do PT se recusaram a aceitar isso e hoje fazem campanha para o Flavio Dino, candidato do PCdoB – embora Lula e Dilma continuem apoiando Roseana Sarney. O Diretório Nacional manteve o apoio à filha do Coronel, mas fez um acordo com os militantes do estado, “liberando-os” para apoiar Flavio Dino.

Em Minas, mesmo com o vice do PT, Patrus Ananias, a candidatura de Helio Costa não decola porque a militância petista não quer um Governo do PMDB. E de conflito a conflito segue a batalha por dentro do partido, nas fábricas, escolas, nas ruas. Uma batalha que vem desde a fundação do PT.

Fundado como um partido operário independente da burguesia, o PT trazia para si as pressões da luta de classes e passou a se desenvolver no seu interior, desde sua fundação, uma luta entre aqueles que queriam manter o PT como um “partido sem patrões” e aqueles que queriam desfigurar o PT transformando-o num “partido de toda a sociedade”. Essa luta se desenvolve até hoje, mas, de certa forma, os que lutam por um “PT sem patrões” estão perdendo já há um bom tempo.

O Programa de Governo Dilma-Temer

No início de Agosto o editorial do Jornal Luta de Classes (órgão de imprensa da corrente interna do PT, Esquerda Marxista) denunciava:

“No último dia de inscrição o comando da campanha da companheira Dilma inscreveu o “programa”. A imprensa burguesa entrou em histeria denunciando o programa “radical” inscrito. Escândalo nacional e reação imediata da direção do partido. Dilma declara que não era nada daquilo e que havia acontecido um “engano”. Alguns incompetentes haviam levado para registrar o programa aprovado no Congresso do PT e não o escrito pelo PMDB e outros aliados. No mesmo dia o “verdadeiro programa” é levado ao TSE e substitui o “equívoco”. A imprensa suspira aliviada com o novo programa que os petistas nunca leram nem discutiram.

Por ampla maioria o Congresso do PT aprovou um programa que deveria ser a base de seu programa de governo. Um texto muito longe de ser um programa socialista. Mas, fruto da pressão dos sindicatos e militantes, foram introduzidas algumas reivindicações como as 40 horas, taxação das grandes fortunas e medidas em relação à reforma agrária.

Foi o suficiente para a imprensa burguesa denunciar o “programa radical” do PT. Os dirigentes do Partido logo saíram a campo declarando que era apenas a base para uma discussão com os aliados burgueses, que ninguém devia se preocupar, etc. Realmente, quem devia se preocupar eram os mil petistas delegados cuja maioria havia votado o texto. É desconhecida qualquer discussão onde a direção tenha insistido no programa do Congresso do PT e que tenha havido, por isso, qualquer tensão com os ditos aliados.

Pelo contrário, passaram a régua e fizeram conta nova, abandonando o programa que eles mesmos haviam aprovado. Só resta explicar às centenas de milhares de petistas representados pelos mil delegados do Congresso do PT para que servem os congressos e o que vale o seu voto. Afinal, no congresso se vota algo e imediatamente os dirigentes começam a declarar que aquilo não vale, que é “só uma base” e em seguida passam outro programa com a desculpa de que os aliados assim exigem?

A colaboração de classe, a subordinação à burguesia conduz a uma crescente capitulação. Em política quem começa a dizer “A” tem que ir até o “Z”. No popular significa que “ajoelhou tem que rezar”. O resumo da ópera é que o tal programa foi simplesmente aprovado, engavetado e esquecido. E os comandantes da campanha passaram a redigir “programa verdadeiro” junto com os capitalistas que não querem saber nem mesmo de reivindicações que já são ultrapassadas mesmo na maioria dos países capitalistas avançados. A burguesia brasileira, controlada pelo imperialismo, é reacionária até a raiz dos cabelos. Os petistas devem refletir sobre esses acontecimentos tão esclarecedores.

A Esquerda Marxista não apóia o programa do PMDB e outros inscrito no TSE em nome de Dilma. A Esquerda Marxista continua a batalha para reunir todos que compreendem que é preciso romper as alianças com os partidos capitalistas que desfiguram o PT e lutar por um governo socialista dos trabalhadores.”

Além desse absurdo, Michel Temer declara à imprensa que a solução para o ensino superior é a cobrança de taxas nas universidades públicas! E só retirou isso do programa por pressão do PT, que sempre foi contra cobrar taxas em escolas públicas. Sempre foi por Universidade Pública, Gratuita e de Qualidade para Todos! Como aliar-se a esse tipo de gente?!

Está claro que a aliança com o PMDB e os outros partidos burgueses não fortalece a classe trabalhadora em sua luta pela emancipação da humanidade. Pelo contrário. É como colocar uma carroça para ser puxada por um jumento que vai para o leste e outro que vai para o oeste. Mas a classe trabalhadora precisa de um Norte! E paralisar a classe trabalhadora só favorece à classe burguesa, que por sua vez apresenta candidatos que defendem seu programa integral ao mesmo tempo em que “libera” um setor para se aliar ao partido operário e barrar o ascenso dos trabalhadores.

O que fazer? Como votar?

Se é assim – e assim é! – há quem conclua que então o PT não presta mais, que é hora de sair do partido e que não se deve mais nem mesmo votar nos candidatos do PT.

Mas a consciência de milhões de trabalhadores só avançará a partir da experiência concreta na luta de classes e de grandes acontecimentos. Os trabalhadores não mudam de opinião e abandonam o partido que construíram com tanta luta, esforço, sacrifício e durante tanto tempo simplesmente porque explicamos a eles que a linha adotada por Lula está errada. Seria fácil se todos os problemas da humanidade pudessem ser resolvidos pela vontade de um indivíduo ou de poucos.

Hoje, além de Dilma, há ainda outros 4 candidatos que concorrem à presidência da República que já foram militantes do PT. Marina Silva do PV, Plínio do PSOL, Zé Maria do PSTU e Rui Costa Pimenta do PCO. Com exceção de Marina Silva que saiu se posicionando mais à direita (chegou a defender no debate da Globo a desoneração da folha de pagamentos, leia-se: redução de direitos trabalhistas), todos os outros 3 saíram do PT com críticas à esquerda, achando que a solução poderia se dar proclamando um novo partido – e curioso como saíram do PT, mas não para formar todos um novo partido único. Cada um formou o seu próprio pequeno partido.

É um equívoco grave sair do PT e enfraquecer a luta dos que resistem dentro do partido contra a direção. Proclamar um novo partido não resolve nada. Porque quem pode mudar a sociedade não sou eu, nem você e nem algum grupo de pessoas, mas sim o conjunto dos explorados, guiados pelos trabalhadores que controlam os meios de produção. E os trabalhadores criaram um partido que é o PT. Como ajudá-los a mudar a sociedade estando em outro partido que os trabalhadores não reconhecem como seu? Talvez isso sirva para os dirigentes do PSOL, PSTU, PCO dormirem com a consciência tranquila. Se sentem posicionados em uma tribuna limpa de onde podem denunciar todas as sujeiras que a direção do PT faz em nome do partido operário das massas.

Mas não adianta convencer as paredes do quarto. Enquanto não ajudarmos a classe trabalhadora em seu conjunto a superar suas contradições – inclusive e principalmente no que diz respeito à organização partidária – não mudaremos nada. As cisões do PT efetuadas pelos grupos que deram origem ao PSOL, PSTU e PCO os tornam coniventes – pelo avesso – com a política da atual direção do PT de manutenção da ordem das coisas. Por sua política auto-proclamatória e divisionista, Plínio, Zé Maria e Rui Costa Pimenta são cúmplices de Dilma e Lula em cada uma de suas ações que submetem os trabalhadores à burguesia.

Votar nesses candidatos nessas eleições apenas ajuda Serra a ir para o 2º Turno.

Mas há ainda os que dizem que votar no PT ou no PSDB “não tem diferença”, pois “o PT se tornou um partido da ordem, igual aos outros”.

Não há como o PT ser igual ao PSDB, pois o primeiro foi construído por milhões de trabalhadores e o segundo é um aparelho da burguesia. O PT são os seus militantes. Que a direção do PT hoje jogue um papel de manutenção da ordem burguesa e que o Governo Lula em coalizão com partidos burgueses defenda um programa muito próximo ao do PSDB, podemos ter acordo. Mas muitos militantes buscam lutar dentro do partido para que sua direção pare de aplicar uma política que não é a política verdadeira do Partido dos Trabalhadores.

O PT é o partido da classe trabalhadora. Se está com problemas, a classe precisa resolvê-los. O PSDB é um partido da classe dominante. Essa é toda a diferença.

Os trabalhadores que têm alguma consciência de classe votam no partido da classe, no partido que reconhecem como o seu partido – no caso do Brasil, o PT.

Os trabalhadores sem consciência de classe, em geral votam na direita, enganados por diversos fatores ou vendendo seu voto.

É melhor que o voto das camadas mais conscientes da classe trabalhadora triunfe e que depois possamos ajudar a classe a se organizar para cobrar do Governo eleito o respeito aos interesses da classe, fazendo a experiência e rompendo com suas ilusões nos dirigentes reformistas e conciliadores da classe (que ainda gozam de muita confiança dos trabalhadores).

Então, no terreno eleitoral, de maneira distorcida, o que se expressa é nada mais nada menos que a luta de classes. De um lado a classe burguesa (representada por Serra – PSDB e DEM) e do outro lado a classe trabalhadora (representada por Dilma – PT aliado com partidos burgueses). Ora, você fica do lado da classe burguesa ou da classe trabalhadora?

Nós ficamos do lado da classe trabalhadora e, por isso, votamos PT, votamos Dilma!

E nos organizamos para ajudar os trabalhadores, através de sua experiência prática, a romperem com a política de conciliação de classes e construírem um Governo Socialista dos Trabalhadores.

Para isso apresentamos candidaturas marxistas pelo PT concorrendo para Deputados onde conseguimos reunir forças para isso. Essas candidaturas são um ponto de apoio para os militantes que buscam levar esse combate. Junte-se a nós!

Neste 3 de Outubro, vote nos candidatos marxistas do PT e ajude a eleger Dilma presidente e Governadores e Senadores do PT!

1° de Outubro de 2010.

Notas:
*
Leia aqui recurso apresentado pelo companheiro Serge Goulart contra a filiação de Ivo Rosset e sua esposa ao Partido dos Trabalhadores em 2009.

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