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Eleições em meio à crise

A classe trabalhadora brasileira não está e não se sente derrotada. O governo Temer, por outro lado, bate recordes de impopularidade, sendo satirizado até em desfile de escola de samba no carnaval carioca.

A crise econômica e política vai se expressar nas eleições deste ano, também marcadas pela imprevisibilidade em relação ao seu resultado final. 

A crise da burguesia se evidencia desde já na dificuldade em definir seu candidato. Geraldo Alckmin, do PSDB, não decola nas pesquisas. Henrique Meireles, homem de confiança do mercado, sofre por estar ligado ao desmoralizado governo Temer. Este cenário deixa em aberto a busca por um nome que apareça como o “novo”. As pretensões de João Doria parecem ter sido minadas pela queda de sua popularidade como prefeito da capital paulista. Diferentes setores da classe dominante, incluindo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, tentaram convencer o apresentador Luciano Huck a se candidatar, mas ele continua negando essa possibilidade. Enquanto isso, Marina Silva tentará mais uma vez emplacar seu discurso “nem de direita, nem de esquerda”.

Em segundo lugar nas pesquisas está Bolsonaro, expressão distorcida e reacionária do rechaço ao sistema político e da polarização social. Um fenômeno similar ao de Trump nos EUA. É tarefa dos marxistas desmascarar o programa de Bolsonaro, mostrando o seu caráter burguês, de defesa do sistema atual.

Lula é alternativa?

O impeachment de Dilma proporcionou a Lula e ao PT um pequeno fôlego. Em alguns setores ainda podem sobreviver ilusões no reformismo. Em uma comparação pragmática e superficial, é compreensível a conclusão de que a vida era melhor na época do governo Lula, sem levar em consideração que a crise econômica ainda não tinha atingido em cheio o Brasil. Esta é a razão central para que sua candidatura esteja à frente nas pesquisas eleitorais. No entanto, isso não significa que a classe trabalhadora retomou a confiança em Lula e no PT.

Apesar da tentativa do ex-presidente de se mostrar ainda útil para garantir a paz social para o capitalismo, a burguesia decidiu acabar com a época de conciliação de classes, quer retomar ela própria a dianteira do aparelho de Estado para ir mais fundo nos ataques. Por isso descartam o PT, que já se mostrou incapaz de conter as massas desde junho de 2013. Agora querem tirar Lula da corrida presidencial.

Como já expressamos diversas vezes, a Esquerda Marxista é contra a operação Lava Jato por seus objetivos políticos e econômicos burgueses, e a condenação de Lula sem provas. Defendemos seu direito de ser candidato. Mas não apoiamos o candidato petista e sua política de conciliação de classes, que ele e o PT continuam defendendo, como pode ser visto na busca por alianças com setores do PMDB e outros partidos de direita.

As pressões sobre o PSOL

Há uma pressão pela “unidade” da esquerda em torno da candidatura de Lula, o que atinge diretamente o PSOL.

Tem relação com isso o bloqueio da direção do PSOL no lançamento de uma candidatura presidencial, o que teve como resultado que até agora Lula apareça como o único candidato de oposição de esquerda. Além disso, costura-se uma campanha sem muitas críticas ao PT, já preparando o apoio no segundo turno. Por isso o PSOL aceitou participar de ato para lançar um manifesto intitulado “Unidade para reconstruir o Brasil”, junto com PT, PCdoB, PDT e PSB.

A espera pela candidatura de Guilherme Boulos não só atrasa o lançamento de um candidato, como também significa a busca por um nome que tem proximidade com Lula e que defenda um “reformismo de esquerda”. Uma linha que não toca na luta pela revolução e nem no socialismo, mas restringe-se a reformas para melhorar o sistema vigente.

Defendemos que o PSOL deve ter uma candidatura, revolucionária e socialista, que se diferencie radicalmente do programa do PT. Por isso apoiamos a pré-candidatura de Nildo Ouriques à presidência.

Estas eleições ocorrerão com as massas enojadas com as instituições burguesas e seus representantes. Atuamos para ajudá-las a compreender que a solução de seus problemas passa pela insurreição revolucionária contra esta velha e decadente sociedade.

(Editorial do jornal Foice&Martelo 112)

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