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Eleições APEOESP 2017: balanço e perspectivas

No dia 25 de maio de 2017, ocorreram as eleições do maior sindicato da América Latina, a APEOESP, Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo. As eleições ocorreram em meio a um momento conturbado, de alta polarização política e de construção da luta contra os ataques de Temer e do Congresso Nacional. Exatamente por isso o apelo dos setores avançados da Oposição pelo adiamento do calendário de eleições, apelo este ignorado pela direção. Apesar de tudo, um balanço é algo extremamente necessário para que possamos tirar lições desse processo e aprimorar e ampliar nossas formas de diálogo junto à categoria de professores e continuar o processo de retomada da APEOESP para a base.

Sobre a Disputa Eleitoral

Nesta eleição concorreram três chapas: Chapa 1, liderada pela Articulação Sindical e composta por correntes do PT e PCdoB, a Chapa 2, formada pelo PCO e a Chapa 3 – Oposição Unificada, resultado da unidade de 23 agrupamentos distintos, de correntes políticas ligadas a PSOL, PSTU, PCB e grupo independentes como MAIS, POR, MRT etc. Nós do coletivo Educadores pelo Socialismo construímos e atuamos nestas eleições pela Chapa 3.

A disputa central nessas eleições ocorreu entre A Chapa 1 e a Chapa 3. A Chapa 2 na prática funciona como um instrumento de ataque à Chapa 3 e de defesa velada da atual direção da APEOESP.

Quanto à disputa e as possibilidades que se apresentava, a situação foi bastante complicada à chapa 3, que não consegue ainda atingir todas as subsedes regionais da entidade. Esteve presente em 71 das 91 subsedes da APEOESP. Isso é bastante decisivo. Além de disputar contra um aparato muito superior, a Chapa 1 está presente em todas as subsedes da entidade, podendo em ao menos 20 delas realizar eleições sem a fiscalização suficiente da Oposição.

Mesmo em desvantagem, contudo, a disputa foi realizada, com importantes avanços no quadro político atual da APEOESP em termos de inserção da Oposição junto às camadas mais amplas da categoria.

Sobre o calendário de eleições da APEOESP

Desde antes de consumada a unificação entre as 23 correntes que passaram a compor a Chapa 3 na APEOESP, o conjunto da chapa já batalhava pelo adiamento das eleições da APEOESP, proposta negada e por fim engavetada pela atual direção do sindicato. Isso implicou na não participação da APEOESP com peso de massa no ato do dia 24 de maio em Brasília e na discussão nas escolas ser pautada em eleições ao invés da construção das mobilizações nacionais contra as reformas de Temer e do Congresso Nacional. Uma opção política que demonstra novamente qual a prioridade da burocracia que hoje dirige APEOESP.

Período de Campanha, Eleição e Apuração: a burocracia e degeneração sindical

A análise marxista nos ensina que tudo existe em sua contradição, o sindicato não seria diferente. Assim, a adoção de métodos democráticos que impulsionem e valorizem de modo determinante a participação da base dos processos eleitorais é central. Defendemos um sindicato que se utilize da democracia operária. Defendemos assim, um espaço com instâncias representativas e que funcionem. Uma assembleia em que todos possam falar, que as decisões coletivas sejam respeitadas, pelo fim das cláusulas de barreira na representatividade interna da entidade. Infelizmente, neste ano, para manter a estrutura burocrática da APEOESP, a Chapa 1 promoveu uma verdadeira barbárie em termos de disputa sindical. Mais clara impossível a relação entre método e política como veremos.

Período de campanha

Desde antes do período de campanha a Chapa 1 tentou de todas as formas atacar a Chapa 3, ainda nem mesmo formalmente consolidada. Argumentos inúteis como “a Oposição compõe a direção da APEOESP, como pode haver renovação assim?”, como se compor com minoria significasse alguma coisa, foram utilizados durante todo o período para tentar deslegitimar de modo desonesto a Chapa 3.

Ainda há que se citar algumas medidas burocráticas: a Chapa 1 se recusou a passar a lista de associados da APEOESP para a Chapa 3. Alegou que estava impossível saber quem eram os associados realmente. Fato é, todos os associados receberam em suas casas os materiais de campanha da Chapa 1 e o material amplo de campanha que contém as propostas de todas as chapas ninguém recebeu. Inclusive um associado denunciou ter recebido o material depois da data e ao verificar a data de envio, o mesmo foi enviado dia 26 de maio, um dia depois das eleições. A Articulação Sindical e restante da Chapa 1 nem sequer se dão ao trabalho de disfarçar o grau de degeneração burocrática em suas práticas.

O dia das eleições

Desde a madrugada do dia 25 de maio chegavam relatos da mais absoluta barbárie por parte da Chapa 1. Para citar só alguns exemplos, a subsede de Guarulhos da APEOESP sofre um ataque criminoso por sindicalistas da cidade ligados à Articulação Sindical. Além de quebrar a subsede, roubaram urnas e sitiaram professoras com intimidação física. Fora isso, urnas “desaparecidas” do roteiro oficial e proibição de fiscais da Chapa 3 em várias cidades do interior do Estado de São Paulo marcaram as práticas degeneradas da burocracia sindical neste dia. Um verdadeiro show de horrores para quem tem como mote de campanha a “Unidade” contra as reformas e publica manifestos em defesa da democracia.

As apurações

Novamente aqui a Chapa 1 mostrou a que veio e quais seus métodos. Contrataram ou convocaram vários “bate-paus” para provocar e implodir apurações em todas as subsedes onde poderiam perder. Destaque aqui para a disputa na subsede de Bauru, onde a Chapa 3 teve importante resultado, tomando a direção da subsede da Chapa 1, elegendo 10 dos 12 Conselheiros Estaduais e Regionais (CERs). Até agora a Chapa 1 tenta impugnar todo o processo para não perder o controle do aparelho na cidade. Nós do Educadores pelo Socialismo estamos atuando conjuntamente com o coletivo Chão de Giz e por meio do Presidente do PSOL na cidade, Roque Ferreira, para que a APEOESP referende a vontade da base e não aceitaremos uma direção não eleita.

Apesar de toda essa barbárie, a resistência e vontade de mudança por uma APEOESP livre continua e os resultados apontam um avanço rumo à superação da burocracia que hoje impera na APEOESP.

Sobre o resultado das eleições

No fim, o resultado Estadual apresenta dois cenários:

  1. ELEIÇÃO PARA A DIRETORIA DO SINDICATO: Na eleição da direção estadual a situação se mantém igual ao último período, cerca de 60% da composição da direção para a situação e 40% para a Oposição. Contudo, quando nos voltamos para as votações na capital e grande São Paulo, a Chapa 1 perdeu e de muito, com quase 60% de apoio dos professores dessas regiões à Chapa 3.
  2. ELEIÇÕES REGIONAIS: A Chapa 3, de modo unificado, aumentou em muito o número de Conselheiros Estaduais e Regionais (CERs). Além de não ter perdido nenhuma subsede para a Chapa 1, a Chapa 3 ganhou 6 subsedes, as de Mauá, Indaiatuba, Poá, Bauru, Atibaia e Taubaté. Fora o fato de ter aumentado o número de Conselheiros nas subsedes onde já dirigem. Na subsede Oeste-lapa, por exemplo, dos 21 CERs, 19 ficaram com a Oposição Unificada.

Constatamos assim que esse primeiro esforço das forças políticas que compõe a Oposição Unificada culminou em vitórias políticas eleitorais, e em avanço com respeito à conquista de uma sólida base de professores para a continuidade da luta. Isso demonstra que é sim possível retomar a APEOESP para a base da categoria.

Para de fato conseguirmos criar uma forte alternativa política à atual direção e disputar de modo mais efetivo a APEOESP em 2020 a Oposição necessita, contudo, ser mais ofensiva politicamente e no sentido de lutar pela consciência de professoras e professores para a luta sindical e socialista.

O coletivo Educadores pelo Socialismo nas eleições e perspectivas

Neste ano o coletivo Educadores pelo Socialismo participou pela primeira vez das eleições da APEOESP, conquistando votações expressivas em importantes e muito disputadas subsedes, como Oeste-Lapa, Bauru e Araraquara. Na Oeste-Lapa, por exemplo, nossos candidatos conseguiram ao todo 444 votos, a partir da linha de defesa da Independência e Liberdade Sindical, contra a tentativa da Chapa 1 de implementar a Taxa Negocial que cobrará tributos de professores não associados, ameaçando centralmente a independência política que hoje a APEOESP ainda tem. Também discutimos as demandas básicas da categoria e de como a luta por salário e direitos perpassa a luta pela redemocratização de nosso sindicato, hoje tomado por uma burocracia. Em Bauru ajudamos centralmente na conquista da subsede para a Oposição e em Araraquara somos a única força organizada que constrói a Oposição Unificada na região iniciando um trabalho importante.

Embora não tenhamos conseguido nesta primeira eleição a Eleição de um CER, sabemos que é na continuidade da luta pela consciência dos professores, nas visitas às escolas e na promoção de atividades de formação que continuaremos nosso importante trabalho de aproximação da categoria de políticas mais avançadas.

Quanto à Oposição Unificada, batalhamos para que, além denúncia do burocratismo praticado pela Chapa 1, é necessário ganhar a categoria de professores para um avançado programa, socialista e revolucionário. É necessário pautar a necessidade da APEOESP se tornar um instrumento não só em defesa dos direitos, mas de emancipação da classe trabalhadora.

Urge apresentar uma alternativa real de mudança, a partir da política e métodos corretos. A Oposição Unificada, Chapa 3, avançou bastante nesse sentido e hoje é ainda mais necessário avançar no debate por um programa político que nos diferencie centralmente do oportunismo e burocratismo promovido pela Articulação Sindical e conjunto da Chapa 1 na APEOESP. É por isso que a continuidade da luta por uma APEOESP socialista e de massas será a batalha do coletivo Educadores pelo Socialismo no próximo período e convidamos todos a se juntarem a nós nesta luta!

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