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Economia mundial em crise – Onde estamos agora?

Uma lúcida análise economica sobre o pânico que começa a aingir as Bolsas, os capitalistas e seus governos nas últimas semanas. Lula e Mantega já abandonam o discurso do Capitalisno num só país.

Por Mick Brooks

O auge da economia que se iniciou em 2001 foi um dos mais desiguais da história do capitalismo. Alimentou-se do consumidor norte-americano, qualificado por alguns economistas como o “último recurso do consumo”, e que foi tão importante que se converteu em parte do funcionamento da economia mundial. Embora com uma população inferior a 5% da população mundial, a demanda dos consumidores estadunidenses foi responsável por incríveis 19% do crescimento da economia mundial nestes últimos anos. Como isto é possível?
Afinal, as receitas dos trabalhadores norte-americanos (e a maioria dos consumidores estadunidenses tem de trabalhar para viver) não aumentaram em termos reais durante três décadas. Mas tiveram dinheiro para gastar e manter flutuando uma economia mundial com seis bilhões de almas.
A resposta a esta questão é o chamado efeito riqueza. A subida dos preços imobiliários fez com que os norte-americanos se sentissem mais ricos. Os consumidores foram capazes de pedir dinheiro emprestado, respaldados pelo aumento do valor de suas moradias. Na realidade, eles utilizaram suas moradias como aval, gastando como se não existisse o amanhã; mas o amanhã chegou.
Durante anos desde as páginas de Socialist Appeal temos advertido que o aumento dos preços imobiliários na Grã-Bretanha, nos EUA e em outros países capitalistas desenvolvidos se tratava de uma bolha clássica. Os preços imobiliários mais que dobraram na Grã-Bretanha e nos EUA durante estes últimos dez anos e sem nenhuma razão real, isto é, sem nenhuma base na economia real. Uma bolha significa que os preços sobem porque as pessoas compram e as pessoas compram porque os preços sobem. Mas as bolhas podem explodir. Quando as bolhas explodem, os preços caem porque as pessoas vendem e as pessoas vendem porque os preços caem. É isto o que, agora, está acontecendo na Grã-Bretanha, Irlanda, Espanha e na maioria do resto do mundo, inclusive os EUA.
Os preços imobiliários já caíram 8% desde o seu pico nos EUA. Um boom especulativo produz suas próprias ilusões. As palavras mais perigosas na previsão econômica são: “agora é diferente”. Era isto o que diziam em 1929, antes que a bolsa de Wall Street sofresse o colapso. Basta ler um livro sério, como o capítulo intitulado: Em Goldman Sachs, nós confiamos do livro O colapso de 1929 de Galbraith, para reconhecer o mesmo tipo de complacência que vemos hoje. Também disseram isto em 2000, antes que afundassem as ponto.com e a chamada “nova economia”. Provavelmente, na Holanda, na década dos anos trinta do século XVII, também disseram: “agora é diferente”, no momento álgido da tulipomania.
O colapso das ponto.com, em 2000, é interessante porque mostra como funciona o “contágio” depois do “resfriado” e como pode prejudicar a economia além de seu significado real. Na realidade, as ações da tecnologia da informação eram apenas 6% do total, mas seu colapso provocou ondas de pânico no capital financeiro: os preços das ações tardaram três anos para se recuperarem. Disseram que este crash em parte desencadeou a recessão dos EUA em 2001. Os imóveis para o capitalismo são mais importantes que as ações tecnológicas porque afetam 72% da economia norte-americana. Portanto, quem sabe o que acontecerá agora que a bolha explodiu?
Todos sabem hoje que, no século XVII, era uma estupidez pagar tanto por um bulbo de tulipa. Mas enquanto puderes vender um bulbo de tulipa por mais do que tenhas pagado, qual é o problema? Por que é uma estupidez que uma moradia suba muito mais que os tijolos e o cimento que contém?

O mundo das subprime

Mas a história é mais sombria. As pessoas para comprarem casas fazem hipotecas. Nos EUA, as financeiras estiveram concedendo hipotecas a pessoas sem renda, sem emprego e sem bens. Deixaram que o problema fosse solucionado pelo “louco maior”, como fizeram os especuladores em 1929. Mas há algo de novo no firmamento financeiro. Agora falam de inovação financeira. O que querem dizer com isto? O processo se chama securitização, uma feia expressão. Significa que tua hipoteca e muitos de teus passivos se expressarão num pedaço de papel que será vendido. Afinal, supõe-se que terás de devolver a hipoteca em vinte anos ou mais. Desta forma, o que para ti é um passivo financeiro, para outro é um ativo que lhe proporciona uma enxurrada de receitas.
Em vez de uma hipoteca depositada em um banco, como a maioria das pessoas esperam, agora são empacotadas e vendidas como instrumentos financeiros. A este processo se chama de veículos de inversão estruturada (SIVs, em sua sigla em inglês). Passam de mão em mão, porque é um ativo financeiro e finalmente terminará nas abóbadas de uma instituição financeira e serão utilizados como respaldo para outra nova rodada de empréstimos.
A SIV é um ativo financeiro (isto é, tem valor para alguém) somente enquanto tu pagues as hipotecas nos prazos ajustados. O problema é que foram concedidos empréstimos a pessoas que possivelmente não os poderão devolver. Estas hipotecas são conhecidas como subprime (hipotecas lixo). E através desse sistema financeiro “sofisticado” estes pequenos pacotes venenosos se estenderam pelo mundo.
O quanto é má a crise das hipotecas lixo? Ninguém tem uma idéia real. Ben Bernanke, presidente da Reserva Federal norte-americana, reconhece que poderia haver uns 150 bilhões de dólares de dívidas podres flutuando ao nosso redor. Outros temem que a cifra se aproxime aos 400 bilhões de dólares. Alguns pedaços de papel realmente não valem nada, mas ninguém sabe agora quais os que valem alguma coisa e quais não valem nada.

A crise do crédito golpeia a Northern Rock

Este processo provocou uma crise creditícia. As instituições financeiras agora são reticentes em emprestar às outras instituições por medo a que se tenham queimado os dedos com pedaços de papel sem valor. Assim, quando emprestam a outros bancos exigem um seguro de risco maior do que pediam há alguns meses atrás. A Libor (a taxa de juros interbancários em Londres) até alguns meses atrás era considerada pelos banqueiros como algo de pouca importância; agora, ela disparou e se vê sua verdadeira importância: trata-se da taxa de juros que os bancos comerciais pagam pelos empréstimos que lhes são concedidos pelo Banco da Inglaterra. Desta forma, o Banco da Inglaterra pode controlar as taxas de juros na economia. Agora, a Libor está fora de controle como a economia.
O pânico financeiro pode soar como algo esotérico, mas terá efeitos reais nos níveis de vida da população. A primeira vítima da crise do crédito na Grã-Bretanha foi o Northern Rock, ou, melhor dizendo, seus investidores. Pelo que sabemos este banco não tinha nem uma só hipoteca lixo em seus livros. Mas seu plano empresarial era o de pedir dinheiro emprestado às instituições financeiras para emprestá-lo depois aos compradores de casas. Na linguagem bancária isto se conhece como pedir dinheiro emprestado no curto prazo (a cada três meses) e dar dinheiro emprestado no longo prazo (vinte anos ou algo parecido). É arriscado. E, de repente, as instituições financeiras deixaram de dar empréstimos a Northern Rock; assim foi ele o primeiro banco sob intervenção na Grã-Bretanha desde 1860.

Revés para a Grã-Bretanha

Aqui já estamos sentindo realmente a dor. Espera-se que umas 130 mil pessoas se declarem em bancarrota ou deixem de pagar suas obrigações financeiras neste ano, comparados às 111 mil do ano passado. A concessão de novas hipotecas caiu 44%, isto significa que a construção de moradias ver-se-á afetada. Em 2008, terão de ser negociadas as taxas de juros de milhões de hipotecas e todos os sinais indicam tormentas.
Não há razões para se supor que as financeiras estadunidenses sejam as únicas a serem inescrupulosas à hora de emprestar dinheiro a quem não o poderá pagar. O alcance real das hipotecas lixo na Grã-Bretanha ainda não é conhecido. A ponta do iceberg é de 15 bilhões ou de 150 bilhões de libras?
Mas o processo afeta o mundo todo. Bilhões desapareceram dos bancos. Somente dois exemplos: o estadunidense Merrill Lynch admitiu perdas entre oito e 12 bilhões de dólares; HSBC perdeu 10,5 bilhões de dólares nos EUA. Não sabemos o que acontecerá quando o pânico se estender. Marx disse que sob o capitalismo todos nós estamos atados à divisão internacional do trabalho. Mas a divisão do trabalho imposta pela lei do valor é como a força da gravidade: todos nós sabemos que ela existe quando caímos.
Os preços imobiliários já caíram nos EUA, na Irlanda e na Espanha, e começam a cair na Grã-Bretanha. Mas cairão ainda mais. O crash dos preços imobiliários já paralisou a indústria da construção nos EUA, com efeitos catastróficos para os fabricantes de artigos para construção e suas repercussões se deixam sentir em toda a economia. Os despejos empobrecerão milhões de pessoas, os desempregados deixarão de gastar e isso fará com que mais pessoas fiquem desempregadas. A grinalda do crédito se quebrou.
Os bancos centrais de todo o mundo estão desesperados. Em dezembro, puseram à disposição dos bancos comerciais 110 bilhões de dólares para o enfrentamento da crise do crédito. Mas a velha pergunta dos banqueiros é a seguinte: trata-se de uma crise de liquidez (um problema temporário de fluxo de caixa)? Ou é uma crise de solvência (mais passivos que ativos)? No momento ninguém sabe o que é. Se for uma crise de liquidez, e os bancos centrais souberem o que estão fazendo, então estariam aptos a reordenar as coisas eventualmente. Podem identificar os pacotes envenenados com hipotecas lixo e, pouco a pouco, expulsá-los do sistema financeiro e assim recapitalizá-lo. Mas, se há demasiadas SIVs, então têm uma crise de solvência. Nesse caso, é inevitável que parte do edifício financeiro deslize para o abismo com conseqüências enormes para o sistema capitalista.
Até agora o que conseguiram? Ian Harwood, economista de Dresdener Kleinwort, explica que as ações tomadas anteriormente para se evitar o colapso das ponto.com simplesmente substituíram a bolha bursátil do final dos anos 1990 por uma bolha no mercado imobiliário. “Nos anos 2000, não tivemos uma recessão porque toda a festa recomeçou”. Mas a festa não pode durar eternamente.
Desde a última recessão em 2001, a economia mundial cresceu mais rápido que em qualquer outro momento desde os anos dourados do boom do pós-guerra entre 1948-1974, aproximadamente uns 5%. A economia britânica no ano passado cresceu miseráveis 2,8%. A tendência da taxa de crescimento para o capitalismo britânico está aproximadamente em 2,3%. Os resultados destes últimos anos provavelmente foram conseqüência da migração de massas, particularmente da Europa do Leste.
As economias dos EUA, Japão e Europa tampouco conseguiram resultados tão bons como nos anos passados. Mas a razão do crescimento rápido no mundo deve-se aos resultados das economias “emergentes”. No ano passado, a China cresceu incríveis 11%; a Índia, 9% e a Rússia, 7%.

Os EUA

Em 2008 se prevê que os EUA crescerão 2% ou mesmo menos. Esta perspectiva não leva em consideração a crise das hipotecas lixo. Não sabemos qual será a cifra real, mas será inferior ao previsto. Agora, a taxa de crescimento de 2% não é suficiente para se evitar o aumento do desemprego. Independentemente do que acontecer, os EUA caminham para uma recessão. E esta é a possibilidade mais favorável! Uma coisa é certa: os consumidores estadunidenses já não podem mais ser o Mercado de todo o mundo gastando dinheiro que não têm na base da subida dos preços de suas casas.
Os EUA têm um déficit com outros países de aproximadamente 6% de sua renda nacional. Isso significa que, por cada 100 dólares que ganham em casa, os norte-americanos gastam 106. Compram duas vezes mais no exterior do que os estrangeiros compram deles.
Até quando poderão continuar assim? Os estrangeiros lhes emprestaram dinheiro para que eles comprem os seus produtos. Pensemos um momento nisso. Se eu te empresto dinheiro, tu podes continuar comprando meus produtos. Claramente esta situação não pode ser mantida! Em particular, os chineses que estiveram sustentando uma enorme mais-valia com os EUA. Quando os chineses conseguem todos estes dólares extras utilizam-nos para comprar bônus do tesouro norte-americano; desta maneira reciclam o poder aquisitivo dos EUA.
Os EUA constituem um marasmo de contradições. Como resultado, a economia mundial está desequilibrada. Não somente os consumidores norte-americanos tiveram a barra livre à custa do resto do mundo durante estes últimos anos, como também o governo gastou como se não existisse o amanhã. Não somente os estadunidenses têm níveis de dívida recordes com o resto do mundo, como também o seu governo tem uma dívida nacional de 4,4 trilhões de libras. Esta poderia aumentar a 4,8 trilhões de libras quando George Bush deixar o cargo. E essa dívida consumirá mais e mais pagamentos de juros.
Bush se inspirou na política econômica de Ronald Reagan, a política que o próprio pai de Bush denunciou, corretamente, nos anos 1980, como uma economia de vodu. Em vez de equilibrar o orçamento, o estrategista Bush, o jovem, continuou a mesma política: nenhum projeto social, mas gastos com armas e reduções de impostos para os ricos. Os norte-americanos agora deixaram de poupar; em vez disso, deixaram que o resto do mundo o fizesse por eles. Este é um claro sintoma de que o período de hegemonia dos EUA na economia mundial está chegando ao seu fim.

O dólar mergulha

Dada a calamitosa situação da balança de pagamentos estadunidense, é uma surpresa que o dólar tenha se mantido durante tanto tempo. Mas, agora, caiu. Os estrangeiros o abandonarão quando perceberem que já não pode mais servir de moeda-refúgio; então, o colapso será pior.
Dizem que um dólar mais barato e exportações norte-americanas mais baratas são somente o que o médico receitou à economia norte-americana. É assim que se supõe que o mecanismo dos preços funciona. Mas as importações ficarão mais caras, aparecerá a inflação para os consumidores e o nível de vida nos EUA será reduzido.
O FED poderia deter a queda do dólar aumentando as taxas de juros. Mas esse aumento afetaria ainda mais os norte-americanos. Agora é verdade que a situação do capitalismo significa que os consumidores estadunidenses necessitam curar-se de seu vício às dívidas. Independentemente do que acontecer, 2008 não será um ano agradável para a população norte-americana.

Desacoplando?

Desacoplamento é a última palavra da moda em economia. Todos os economistas estão conscientes de que a economia mundial já não pode mais depender do consumo norte-americano. Assim buscam alternativa. Em 2006, a China e a Rússia foram responsáveis por metade de todo o crescimento mundial. Alguns dizem que, como a China e a Índia se desenvolvem tão rapidamente, então podem empurrar o resto do mundo. Este fato coloca-nos uma questão: estas economias “emergentes” dependem do crescimento do resto do mundo ou são um fator independente no crescimento econômico global? Podem desacoplar?
O Fundo Monetário Internacional está consciente de que, no caso da Europa do Leste, seu relativamente rápido crescimento, uns 5% em 2006 (a partir de um ponto de partida de colapso total depois da queda do estalinismo), depende das exportações à Europa Ocidental. “Os diretores deram as boas-vindas ao forte crescimento da Europa emergente, observando que sua expansão provavelmente será moderada em 2007 como resposta a um crescimento mais lento na Europa Ocidental” (Spillovers and cycles in the global economy: world economic Outlook Abril 2007. P. 195). O FMI também entende que o crescimento da Rússia depende muito da subida dos preços das mercadorias, sobretudo agora que o petróleo encontra-se a 100 dólares o barril.

China

E a China, um país com 1,3 bilhões de pessoas? A China produz agora 26% do aço mundial; em comparação, a Europa produz menos de 20% e os EUA menos de 10%. O crescimento explosivo da China a converteu no segundo maior importador de petróleo. Os preços mundiais de todas as mercadorias subiram e os países produtores experimentaram um boom devido à demanda da China. Na atualidade, a China é a terceira maior economia comercial do mundo. Suas extraordinárias taxas de crescimento se alimentam da exportação. Para a “Ásia em desenvolvimento” mais de 45% do crescimento vem das exportações, comparados aos menos de 20% de 1980. Em comparação, no mesmo período, o papel do consumo interno no estímulo do desenvolvimento passou de 67 a 50%. Estes dados sugerem que estas nações dependem da demanda dos países capitalistas desenvolvidos.
Os economistas assinalaram a expansão do comércio inter-regional no Sudeste Asiático, onde países, como o Japão e a Coréia, fornecem mais produtos de capital intensivo à China para fazer bens de consumo para exportação. Na realidade, todo o sudeste asiático é como uma imensa fábrica, com uma divisão do trabalho entre os países, como se fosse uma fábrica com diferentes instalações. Mas todo o esforço agiu como uma cadeia de fornecimento, onde o final da cadeia era o consumidor norte-americano. Este período agora chegou ao fim.
A queda da demanda norte-americana de produtos chineses não provocará uma recessão na China. A demanda interna garantirá que a economia continue crescendo rapidamente, talvez a 8%. Mas a China atualmente depende da economia mundial para o crescimento de suas exportações. Pode manter a demanda de matérias-primas nos países que as produzem, mas suas importações não podem sustentar o crescimento da produção nos países desenvolvidos que continuam sendo o berço do capitalismo. O Banco Asiático para o Desenvolvimento está de acordo conosco. Não encontra “nenhuma prova” de desacoplamento.

O petróleo

A demanda da China e de outras “economias emergentes” está alimentando a tendência à subida do preço das mercadorias, em particular do petróleo. O aumento dos preços dos alimentos já está provocando sérias dificuldades e revoltas nos países pobres. O petróleo agora está em 100 dólares o barril. As piores recessões desde a Segunda Guerra Mundial foram em 1974 e 1979. Foram as piores porque coincidiram com fortes subidas do preço do petróleo. Os anos 1970 foram uma década de “estagflação”, isto é, desemprego em massa e inflação. Como os leitores devem ter observado, a inflação está subindo novamente. Os políticos enfrentam-se ao seguinte dilema: lutar contra a inflação com aumentos das taxas de juros e assim piorar a recessão? Ou tentar aliviar a recessão e assim alimentar a inflação?
Independentemente do resultado imediato desta crise financeira, o mundo está entrando num período novo e imensamente instável. Sejam bem-vindos a um mundo de crise capitalista! Esta crise somente pode ser entendida pela análise marxista. E somente poderá ser superada com soluções marxistas.

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