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Drogas, Opressão e exploração – O combate da juventude revolucionária

Excelente artigo marxista sobre a questão das drogas, sua utilização na destruição da juventude e no desvirtuamento de suas lutas contra o capitalismo.

Execente artigo marxista sobre a questão das drogas, sua utilização na destruição da juventude e no desvirtuamento de suas lutas contra o capitalismo

O consumo de drogas legais e ilegais tem suas raízes nas insuportáveis condições de existência de milhões de pessoas no capitalismo. O desemprego entre a juventude, a exploração no trabalho, o fracasso nos estudos, a falta de perspectiva e a decadência dos valores burgueses são os elementos que criam o ambiente para proliferação das drogas. Sem acesso ao lazer, à educação, ao desporto e à cultura, as drogas têm sido utilizadas como uma forma dos jovens fugirem da realidade tão dolorosa, uma fuga para outro mundo aparentemente menos cruel.

Drogas como heroína e crack disseminam-se principalmente em bairros periféricos onde as condições de vida são mais precárias. As drogas se nutrem das insuportáveis condições de vida e de trabalho dos trabalhadores.

Mas se ‘afogar’ nas drogas não muda em nada a realidade e tira qualquer possibilidade de luta para sua transformação, o imperialismo sabe muito bem disso.

Os revolucionários combatem as drogas e ajudam a juventude se organizar para derrotar o imperialismo. Não queremos fugir da realidade, queremos transformá-la, por isso dizemos: drogas não! queremos trabalho, diversão, arte e educação!

A Legalização das drogas é uma saída?

Os defensores da legalização das drogas dizem que a maioria dos problemas relacionados com as mesmas decorre de seu caráter ilegal. Afirmam que se legalizar a maconha e outras drogas mais leves, com uso controlado das demais, acabaria com o tráfico, as máfias e as mortes decorrentes da comercialização.

A legalização de uma droga conduz inevitavelmente à multiplicação de seu consumo. Vimos na edição 47do Jornal Luta de Classes (http://marxismo.org.br/ltadeclasses/jornal-luta-de-classes-no-47) os estragos que as drogas podem fazer na classe trabalhadora e em suas lutas, portanto. A legalização provocaria um aumento no número de viciados e consequentemente um ataque maior à classe trabalhadora.

Engels explicava que a Inglaterra, quando liberou o consumo de álcool, imediatamente o consumo cresceu. “Não é de se admirar porque os trabalhadores bebem muito. (…) As leis de 1830 sobre a cerveja, que facilitaram a abertura de bares cujos proprietários tinham o direito de vender cerveja para consumo no local, favoreceram igualmente a extensão do alcoolismo, abrindo um bar, por assim dizer, na porta de cada um.”

Os legalizacionistas dizem que a legalização trará um consumo controlado e fiscalizado, evitando as doenças relacionadas ao consumo. Mas é justamente o contrário, com o aumento do consumo se produzirá também um aumento de suas consequências. Basta ver o exemplo do álcool, que apesar de ser legal e estar socialmente tolerado, a cada ano aumenta o número de alcoólicos. Os índices de mortes por cirrose e outras doenças relacionadas, tem aumentado em todo o mundo. A legalidade do tabaco não impede que milhões morram em decorrência do aparecimento de carcinomas incuráveis.

O uso controlado das drogas tidas como mais nocivas, como a heroína (até agora ninguém ainda defende que se possa vendê-la de forma livre e aberta nos colégios por ex.), é uma ilusão. As experiências de vendas controladas de drogas legais nos mostram que tal coisa não é possível, o álcool e o tabaco são proibidos para menores, mas são consumidos por eles, mesmo que supostamente estejam sob controle.

Legalização: liberdade ou aprisionamento?

Algumas organizações de esquerda que defendem a legalização das drogas argumentam que as pessoas devem ter o direito de decidir sobre o seu próprio corpo.  Propõem a regulamentação da produção, distribuição e consumo. Dizem que se trata de respeitar a liberdade individual e o direito ao livre uso do seu corpo.

Os revolucionários não acreditam que a liberdade das pessoas seja apenas uma questão individual, é sim o resultado da ação coletiva da classe trabalhadora que deve se libertar a si mesma da exploração e opressão. Não é possível haver liberdade pela via das drogas.

O que ocorrerá, se as drogas forem liberadas será o contrário do que argumentam os legalizacionistas. O viciado em alguma droga, seja ela legal ou ilegal, não possui autonomia sobre seu próprio corpo, é conduzido de acordo com o seu vício. O alcoólatra é capaz de abandonar sua família e seu emprego para embriagar-se. O dependente químico é capaz de cometer atos que jamais cometeria em estado de lucidez. Há casos em que os dependentes “se aprisionam” aos traficantes, cumprindo as ordens deles para satisfazer as necessidades de seu vício. Esse tipo de liberdade não serve àqueles que almejam mudar a sociedade!

A liberdade que defendemos passa pelo direito à educação pública de qualidade para todos, direito à cultura, ao lazer, desporto e diversão, queremos tudo o que o capitalismo, o mesmo que organiza o cultivo, a fabricação e distribuição das drogas, nega para a juventude e para a maioria da população.

Drogas e tratamentos medicinais

Outro argumento dos legalizacionistas é sobre as propriedades medicinais das drogas, em particular da maconha. Dizem que uma droga que pode ser útil para o tratamento de inúmeras enfermidades não pode ser proibida. Mas o que tem haver as propriedades medicinais e sua utilização no tratamento de uma enfermidade com sua liberação para o consumo? Nada! Antibióticos são medicamentos muito eficazes e só podem ser consumidos com receita e prescrição médica. Os anticancerígenos, que são venenos muito potentes, são de extrema importância para a medicina, mas sua venda livre seria um absurdo. A morfina é uma droga, mas também é um medicamento necessário para o tratamento da dor e tem sua venda controlada apenas para uso medicinal. Somos a favor da utilização de qualquer droga no tratamento medicinal, mas isso não tem nada haver com o livre consumo e a legalização.

A legalização acabará com o tráfico?

Dizem que a legalização acabará com as máfias do tráfico. De fato é possível que com a legalização alguns narcotraficantes se convertam de delinquentes a empreendedores. Mas, dado que não haveria uma legalização completa, sempre haverá espaço para o tráfico ilegal de algumas drogas, aliás, o capitalismo necessita do mercado paralelo. O tráfico e contrabando de bebidas alcoólicas e de cigarros é uma prova disso.

O mercado das drogas, como qualquer outro mercado paralelo, só pode ser combatido com a planificação da economia sob controle dos trabalhadores. O mercado tecnológico, a indústria farmacêutica e todo mercado financeiro é legal e isso não impede que se desenvolva o mercado paralelo e o tráfico.

Existem ainda os que defendem a legalização argumentando que isso acabaria com repressão policial. Ledo engano ou má fé! A repressão é uma atividade política de classe que a burguesia utiliza na defesa de seus negócios e contra os trabalhadores por meio polícia militar, as tropas da FAs e todo aparato jurídico.

Aliás, se o motivo da repressão é o caráter ilegal das drogas, como explicar  que os milhares de jovens que não são usuários de drogas sofrem violência policial todos os dias pelo simples fato de serem pobres, negros e residirem em bairros populares. Os usuários de drogas ricos quase não sofrem repressão. A violência contra os jovens trabalhadores é uma atividade política da burguesia em defesa da classe dominante e da sua propriedade privada dos meios de produção.

Drogas: O papel da polícia e a repressão

Na prática, as drogas só são ilegais no papel. Sua distribuição é tolerada e fomentada pelas autoridades. A ONU calcula em 800 toneladas a produção anual de cocaína. Dessa quantidade, só 180 toneladas são apreendidas pela polícia, 20%.

A produção mundial de maconha é calculada em 500 mil toneladas por ano, das quais 5 mil toneladas são apreendidas. De 4200 toneladas de haxixe (substância extraída da maconha) produzido no Marrocos, só 300 toneladas são apreendidas. Os números da ONU são claros e explicam como o Estado e seu braço armado, o aparato repressivo, não combate a comercialização das drogas, pelo contrário, são agentes que sustentam o funcionamento desse negócio.

É praticamente impossível circular pelo mundo tamanha quantidade de mercadorias sem a ajuda dos órgãos oficiais de fiscalização, policial e financeiro, do Estado. As pequenas apreensões são apenas para polir a imagem de que o Estado combate o crime organizado. De vez em quando um traficante ali outro aqui é preso, mas nunca quem comanda os negócios (grandes especuladores e capitalistas) é afetado por nenhuma operação policial.

Os meios de comunicação da burguesia culpam o indivíduo pela existência do tráfico, dizendo que o consumidor de drogas é o responsável. A polícia sobe o morro e invade as comunidades carentes com seus carros blindados, mata, e diz que a culpa das mortes é do usuário de drogas! Mas a realidade é que a burguesia criou as condições para o uso da droga que ela mesma dissemina e financia por meio do crime organizado.

Somos contra as drogas e contra a repressão que o capitalismo organiza contra os consumidores e contra a juventude, vitimas que precisam de acompanhamento médico e social, negado pelo Estado burguês.

Não se caminha ao socialismo reivindicando drogas

Temos visto vários companheiros que combatem sob a bandeira do socialismo defendendo em seu programa as drogas e sua legalização. Não é possível lutar pela emancipação dos trabalhadores reivindicando a disponibilização massiva de drogas para a destruição dos trabalhadores e da juventude. A luta rumo ao socialismo parte do combate pelo atendimento das reivindicações básicas dos trabalhadores e é preciso que eles e a juventude estejam organizados como classe, em seu partido.

Do programa dos socialistas faz parte a bandeira de tratamento público eficaz aos dependentes de drogas, fim da repressão aos usuários, estatização do sistema financeiro – impedimento da lavagem de dinheiro e do financiamento do tráfico, punição severa aos traficantes e agentes do estado e da burguesia associados ao trafico.

Calcula-se que 90% do tráfico de drogas escapam das ações policiais, e não escapa casualmente, possuem a participação ativa do estado. 

A luta contra as drogas é parte da luta da classe trabalhadora contra sua própria destruição. Não é uma questão moral. Drogas não, revolução sim!

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