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Diretas Já e seu significado em 2016

Apesar de todo o esforço das direções das organizações tradicionais da classe trabalhadora, a famosa palavra de ordem não foi abraçada pelos manifestantes do “Fora Temer”.

Com o afastamento definitivo de Dilma Rousseff, a direção do PT, da CUT, do MTST, das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo dão um giro saudosista e resgatam a palavra de ordem das “Diretas Já”. No passado, essa pauta mobilizou milhões contra a Ditadura Militar que, pelo voto indireto do Colégio Eleitoral, mantinha o regime contra a classe trabalhadora e a juventude. As “Diretas Já” em 1983-84 representavam uma reivindicação transitória num momento histórico que as liberdades democráticas eram caçadas ferozmente.

Em 2016, as “Diretas Já” não assumem a mesma forma, nem conteúdo. O movimento operário não reconhece hoje dirigentes e organizações capazes de gerar grandes enfrentamentos contra a burguesia e seus ataques, verdadeiros representantes de classe e de massas que ajudem a classe trabalhadora e sua juventude a se desprender dos aparelhos burocráticos.

Mas o PT e seus aliados sabem muito bem disso e agitam essa consigna para manutenção de seus postos nos movimentos sociais e das instituições do Estado burguês. E pior: depois do show de horrores que colocou o Congresso Nacional nu para milhões de brasileiros verem sua podridão, que em nada representa a classe trabalhadora, agitar “Diretas Já” obviamente livra a cara desse Congresso de corruptos e inimigos do povo.

Esses dirigentes reformistas e oportunistas resgatam as “Diretas Já” para canalizar a luta da classe trabalhadora para o campo inimigo das eleições, sob a desculpa muito sedutora de tirar o ilegítimo Michel Temer. Usam esta consigna também para preparar o terreno para Lula em 2018, mas o oxigênio dos reformistas acabou com a crise mundial e nacional.

Os trabalhadores e a vanguarda da juventude seguem com seus métodos de luta, sem confiança nos traidores do movimento operário e na burguesia. Trotsky dizia que a crise do movimento operário é a crise de suas direções. É hora de organizar novos instrumentos de luta sob um eixo independente de classe. A auto-organização da classe operária é a única saída na luta pela sua plena emancipação.

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