Início / Artigos / Dilma, o patriotismo e o alinhamento com o imperialismo

Dilma, o patriotismo e o alinhamento com o imperialismo

Após o discurso da presidente Dilma na abertura da Assembléia da ONU, sua linha de aproximação e colaboração com o imperialismo ficou explícita, é oportuna a publicação desde texto da Esquerda Marxista que já expunha a via de afago entre Dilma e Obama.

Passou o 7 de setembro e passou junto em Brasília uma marcha contra a corrupção. Dez mil, vinte mil pessoas juntaram-se, passaram e sumiram. Como poeira em um vendaval. A imprensa, depois de anos calada sobre as falcatruas de todos os governos burgueses, ocupa o seu “papel” de guardiã mor e vestal da República, investigando todos os alfinetes e também os contratos, empregados e outros “deslizes” dos ministros. E estes, uma vez que caem regularmente, são esquecidos e também passam como a poeira levantada pelo vendaval que logo depois se levanta para soprar mais e mais forte.

Sim, é preciso dizer em voz alta e clara: são uma vergonha todos esses roubos. Vergonhas que sempre existiram, mas não precisariam existir. A sua origem é clara: a propriedade privada dos meios de produção e o assalto ao Estado, aos recursos acumulados com os impostos, é o assalto às empresas estatais.

Agora é a espera do tempo e da vez de privatizarem o Banco do Brasil e Petrobras, as “jóias” da coroa que sobraram – já foram as elétricas, as telefônicas, os aeroportos e portos estão aguardando o tiro de misericórdia. A Vale do Rio Doce foi vendida por um preço bem menor que o lucro por ela obtido em dois anos depois de sua venda.

Enquanto esperam fazem negócios: os contratos de empreiteiras para construção de usinas, de estradas, de ginásios para a Olimpíada, de estádios para a Copa do mundo. E o Ministro Orlando Silva “canta” para os operários pedindo o seu “patriotismo” na hora em que estão em greve. Pois é, em pleno mês da “pátria” os operários entram em greve por medidas bem prosaicas: querem segurança no trabalho, querem ganhar um pouco mais.

Patriotismo? Como assim? Estamos em uma guerra e os operários precisam morrer para defender a pátria? Nada disso, trata-se simplesmente de um Ministro e dirigente
do PCdoB que passou para o lado do capitalismo e agora defende o seu lado: o capital contra o trabalho e usa o apelo ao patriotismo como cortina de fumaça.

Ah, esta Copa que não chega! Faltam mil dias e Dilma vai a uma cerimônia com o novo governador de Minas, Anastasia e o antigo, Aécio Neves. Do lado de fora, uma cena que lembra a ditadura militar da qual um dia Dilma foi vítima: a Polícia Militar joga bombas nos professores em greve. Foi demais até para a nossa Dilma: ela recebe no aeroporto, depois da cerimônia, uma comissão de professores. Mas, da reunião, nenhuma promessa concreta, nada para resolver o problema dos professores que exigem apenas que…se cumpra a lei, que paguem o que a lei diz que deve ser pago. E tudo isso depois que vários governadores entraram no STF para dizer que a lei não valia, o STF declarou que valia sim, que existe um piso nacional para os professores. Os governadores dos Estados não pagam, os professores entram em greve, são espionados e apanham da PM. Bela cena, digna da ditadura militar.

Aliás, os trabalhadores começam a fazer greves em todos os cantos do país, seja nos canteiros de obras de estádios e de usinas, seja nas fábricas, professores em Minas e no Rio, bombeiros no Rio, servidores de universidades federais, os trabalhadores do correio enquanto o governo se cala, ou fala bobagem como falou o Ministro do PCdoB.

E Dilma, quando não está demitindo algum Ministro que foi pego com a mão na botija, está fazendo atos com governadores do PSDB ou escrevendo cartinhas para o Obama.

Sim, Dilma já pediu para que todos os trabalhadores das estatais “moderem” suas reivindicações. O Ministro pede patriotismo.

E a inflação volta. A perspectiva de crise ronda o mundo. Greves e manifestações explodem na Itália, na Espanha, na Grécia, em Israel, voltam no Egito. E o Brasil ainda está é bem calmo nesta situação toda. Patriotismo? Calma? E quem paga as contas no
final do mês, e quem vai consolar a família cujo pai morreu na obra do estádio? Nem os gols da seleção de futebol, que, aliás, continua jogando mal.

Mas jogando mal mesmo está o PT que em seu congresso passou longe dos problemas do país. Enquanto as greves aumentam, enquanto Dilma se aproxima do
PSDB e afaga Obama e o imperialismo, o congresso do PT diz que tudo vai bem e continuamos no rumo certo. Rumo certo? Depois das coligações com o PMDB e outros
partidos burgueses, que estão dando em todos estes escândalos, agora se abre caminho para coligação com Kassab (o prefeito de SP) e Bornhausen e Cia e por baixo do pano uma coligação informal com Aécio e Anastasia em Minas (sim, estes mesmos, estes que jogam bombas em professores).

Nesta situação, a Esquerda Marxista saúda o posicionamento da CUT em defesa das greves e contra a repressão, contra a desoneração da folha de pagamentos. Mas este
posicionamento tem que traduzir-se em um plano de lutas concreto. Frente ao aumento da inflação já passa da hora de retomar a exigência do “gatilho” salarial (correção automática de salários). Isso permitiria unificar todas as lutas e abrir caminho para a satisfação das reivindicações no combate por um governo sem patrões, apoiado na CUT, MST e nas organizações populares. Esse governo só pode ser um Governo Socialista dos Trabalhadores.

Deixe seu comentário

Leia também...

Argentina: nossa posição diante das eleições primárias abertas

Atualmente, nós da classe trabalhadora, estudantes e camponeses vivemos uma forte investida da direita em …

Deixe uma resposta