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Dia 27 de março, dia Mundial do Teatro é dia de comemorações?

Há anos os trabalhadores do teatro se organizam e traçam uma luta permanente contra a privatização do acesso e da produção artística no Brasil.

Há anos os trabalhadores do teatro se organizam e traçam uma luta permanente contra a privatização do acesso e da produção artística no Brasil.

As leis de isenção fiscal reproduzem no cenário moderno as relações de mecenato e clientelismo que sempre mantiveram a arte sequestrada pelas elites nacionais e internacionais. A pressão constante da indústria cultural e da especulação imobiliária nas grandes cidades fecham diariamente espaços culturais, sedes de grupos teatrais e locais de encontro e formação de novos artistas.

Apesar de alguns pequenos progressos pontuais em algumas cidades brasileiras, o que vemos hoje é um retrocesso das conquistas de alguns poucos editais públicos para a cultura e um crescente arrochamento das condições de trabalho dos artistas de teatro e todas as artes.

O acesso à produção artística e à possibilidade de compartilhar livremente as expressões do corpo e da alma é diariamente vetado pelo sistema capitalista que tudo transforma em mercadoria e aliena das mãos dos trabalhadores.

Mas o capitalismo não nos priva apenas da arte, do espaço de viver e conviver, o capitalismo nos rouba diariamente o tempo de descanso e de sonho e, através da TV e da indústria cultural em geral, nos vende produtos (novelas, revistas e livros) onde o elemento “artístico” se encontra pasteurizado, como qualquer outro alimento, nossa sede de cultura é “saciada” com uma ração diária de pílulas de ilusão de baixo poder nutritivo para a alma, somos direcionados e alienados de nossas possibilidades imaginativas, daquilo que nos difere de qualquer outro ser na Terra, do que nos torna especificamente humanos.

Abaixo um poema do dramaturgo, diretor e ator colombiano Enrique Buenaventura sobre o que pode acontecer quando abrimos uma sala de teatro, quando destinamos um espaço a esse encontro através da ficção ou através de qualquer relação que se queira estabelecer com um grupo de pessoas lançando mão dos elementos que formam o teatro.

Se Enrique nos fala das possibilidades que surgem ao abrimos uma sala, em tempos de crise como esse, onde vemos tantos espaços teatrais serem fechados ou tomados por empresas privadas de produção cultural, devemos nos perguntar: o que acontece quando fechamos uma sala teatral? O que nos é tirado?

Já é hora de fazermos sentir àqueles que nos roubam diariamente o que nos faz humanos o TIC TAC TIC TAC, são tempos difíceis, mas serão mais difíceis para eles, pois já é tempo de mudar. Para isso devemos construir um encontro nacional de trabalhadores da cultura, independente, sem separação de linguagem e fora do oficialismo do governo e órgãos tripartites de conciliação de classe.

Companheiros trabalhadores do teatro e das artes, temos uma longa e bonita história de lutas e conquistar, é hora de avançar!

Cuando se abre una sala

Enrique Buenaventura, Cali, Colomibia, 1995

Cuando se abre una sala

Se abre un recinto de poesía,

Se abre una puerta hacia un camino

Y hacia muchos laberintos.

 

Cuando se abre una sala

Se há llegado a uma encrucijada

(lugar de descanso después de las batallas,

Lugar de certezas transitórias

Y de terribles dudas peregrinas)

 

Se empreende – de nuevo –

La interminable caminata

Pero ya em um solo sitio,

Ya alrededor de un mundo próprio.

 

Hay donde encerrarse

Para ser más libre.

No es un tiemplo ni un hogar

Ni una prisión.

 

Es un espacio donde se habla

Con los demônios y los dioses,

Donde nacen y viven

Nuestros personajes.

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