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DF: Estudantes da UCB lutam contra sucateamento do Ensino

Os estudantes da Universidade Católica de Brasília lutam contra a Reestruturação Acadêmica, elaborada conjuntamente pela reitoria, pela mantenedora UBEC e por uma empresa de consultoria e finanças A instituição garante que o intuito é melhorar a qualidade de ensino.

Os estudantes da Universidade Católica de Brasília lutam contra a Reestruturação Acadêmica, elaborada conjuntamente pela reitoria, pela mantenedora UBEC e por uma empresa de consultoria e finanças A instituição garante que o intuito é melhorar a qualidade de ensino. Entretanto, é nítida a intenção de tornar os cursos menos exigentes, atraindo mais jovens, e de cortar gastos. O modelo de reestruturação também se destina à Unileste, outra mantida da UBEC.

O corte de custos é fruto do prejuízo da UCB ante a concorrência de faculdades de baixas mensalidades. A maior demanda por essas faculdades é impulsionada pela precariedade das condições de trabalho de nível médio, regra nos países atrasados, o que faz com que parte da juventude busque um diploma, mesmo que de pouca qualidade. O resultado é a massificação de cursos de nível superior, com queda da qualidade de ensino.

A instituição busca ajustar-se a esse cenário. Entretanto, o fato de ser empresa privada não justifica arbitrariedades. Primeiramente, é Entidade Filantrópica, e por isso recebe incentivos fiscais do poder público. Segundo, recebe verba pública quando oferece bolsas do ProUni e financiamento pelo FIES, o que também a isenta da declaração de impostos. Ou seja, está diretamente ligada ao Estado e, por mais que não seja de gestão pública, guarda responsabilidade social. Afinal, a parcela de jovens, no Brasil, no ensino superior público e gratuito é consideravelmente pequena (menos de 5%) e o restante de jovens que buscam o ensino superior tem como única opção as instituições privadas.

Esta exclusão institucionalizada não deve conferir liberdade ditatorial à instituição. Além de abocanhar o montante que parte da população investe em educação, que deveria ser pública e gratuita, pretende agir segundo seus interesses econômicos na estruturação do ensino. Em uma sociedade organizada para excluir (aproximadamente 85% da juventude fora do ensino superior), a empresa privada consegue extrair lucro da União e da parcela pagante pela formação.

Os estudantes da UCB posicionam-se contra a instituição. Fizeram manifestações nos períodos matutino e noturno, do dia 9, em que ocuparam o Pistão Sul, via de fluxo intenso da cidade de Taguatinga-DF. Expressaram insatisfação com o novo modelo, ocupando a via por aproximadamente 3h no período matutino e 2h no período noturno. A mobilização foi transmitida por diversos veículos de comunicação.

Ante a pressão da mobilização estudantil, a reitoria comunicou decisão da UBEC de implementar a reestruturação apenas parcialmente aos veteranos. Esse recuo da mantenedora demonstra que as manifestações surtiram efeito, mas também tem como objetivo esfriar o movimento, cedendo em partes para legitimar a reestruturação completa da Universidade futuramente.

Os estudantes resistem e organizam-se em Assembleia Geral dos Estudantes, no dia 15 de abril, para apuração do posicionamento coletivo. Aproximadamente 700 estudantes dos períodos diurno e noturno negaram veementemente a reestruturação. Dos pontos apresentados por cada curso, os negativos sobressaíram expressivamente aos positivos, reflexo da finalidade mercadológica da reforma. O atendimento da deliberação será cobrado da reitoria por meio de comissão formada na assembleia.

O sucateamento da Universidade já vem sendo implementado gradualmente nos semestres anteriores. Pequenas reestruturações, de curso em curso, vêm rebaixando o nível de ensino, pesquisa e extensão, e estrutura física. Muitos alunos já lidam com prejuízos anteriores, com demandas não atendidas. A nova Reestruturação Acadêmica é simplesmente o plano de sucateamento concretizado em um só projeto.

Os principais pontos que afetam todos os estudantes são a implantação compulsória dos currículos, obrigatoriedade da grade fechada, 20% das aulas virtuais, a redução horária. As novas matrizes curriculares substituem disciplinas fundamentais, por disciplinas gerais, as quais serão ministradas no ensino semipresencial. O fim da grade aberta prejudica os estudantes que, ou pegam mais créditos para acelerar o tempo de formação, ou pegam menos créditos por não ter condição financeira e/ou tempo para cursar a grade fechada. As aulas virtuais, na quantidade máxima de 20%, reduzem custos, mediante demissão em massa de professores e sobrecarregamento de poucos, além de fomentar a individualidade e manter o estudante distante do espaço universitário politizador. Por fim, a redução das horas diárias prejudica o andamento das aulas e diminui o salário do docente.

É preciso levar a luta adiante, por uma universidade que garanta qualidade na formação de todo estudante que paga por um direito que deveria ser público e gratuito!

A juventude sofre com a falta de acesso democrático ao ensino, em todos os níveis. Nessa sociedade capitalista, em que as forças produtivas e o trabalho social estão contraditoriamente aprisionados em propriedades privadas, até mesmo o produção intelectual é contida. Somente quando os centros de ensino forem de propriedade coletiva, voltado para o atendimento da população, é que se conquistará a democratização plena da educação, da creche à universidade. É preciso lutar pela Federalização das Universidades Pagas que recebem dinheiro público, como diz nosso manifesto da campanha Público, Gratuito e Para Todos: Transporte, Saúde e Educação! Abaixo a Repressão! (www.facebook.com/PublicoGratuitoParaTodos)

O capitalismo exclui, segrega e degrada. É preciso construir o caminho para a sociedade socialista! Por educação para todos, em todos os níveis! Pelo verdadeiro atendimento das necessidades das massas!

 

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