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Declaração de Fightback (Canadá) e La Riposte (Quebec) sobre a greve estudantil de Quebec

O texto que segue abaixo nos fornece importantes lições acerca da gigantesca greve dos estudantes de Quebec, relacionando-a com os grandes movimentos que ocorrem em nível internacional contra a crise

As fantasticamente longas 12 semanas de greves dos estudantes de Quebec marcam uma nova etapa da luta no estado canadense. Contudo, enquanto esta explosão é uma novidade para o Canadá, ela é apenas a continuação do movimento internacional contra a austeridade que temos testemunhado: as greves gregas, o movimento dos Indignados na Espanha, em Wisconsin, o movimento Ocupa, a inspiração das revoluções árabes etc. Uma vitória para os estudantes de Quebec é uma vitória para todos os trabalhadores e jovens, tanto no Canadá quanto em todo o mundo, e é vital que tudo seja feito para assegurar seu êxito e tirar as lições necessárias.

Para mais informações Acesse: Fightback (Canadá) e La Riposte (Quebec)

Os ataques aos estudantes em Quebec (e em outros lugares) não são o resultado dos caprichos deste ou daquele político. Se isto fosse verdade, então seria um fenômeno isolado e não uma tendência generalizada em todo o mundo. Os ataques são parte integrante de uma generalizada ofensiva contra os trabalhadores, jovens e outros setores oprimidos que se enraíza na crise do próprio sistema econômico capitalista. Resumindo, os capitalistas não podem arcar com as parcas concessões conquistadas pela classe trabalhadora no período do pós-guerra e estão tentando restabelecer o equilíbrio em seu benefício. Isto se manifesta como ataques ao salário social, ataques contra os trabalhadores do setor público e dos serviços sociais, ataques a direitos dos imigrantes e dos jovens, e ataques ao direito dos trabalhadores de se organizar e lutar.

Os próprios patrões entendem o significado geral desta luta e estão implorando a seus representantes no governo para não recuar. Em um editorial na Gazeta de Montreal, intitulado “A escolha é democracia ou multidão desorganizada”, eles declaram: “Qualquer ‘paz social’ [que o governo] pudesse comprar dos estudantes não seria permanente, porque cada grupo de interesses oposto às futuras medidas de austeridade poderia ver que não somente o presente governo, mas a sociedade que ele representa pode ser intimidada” (28/04/2012). Eles veem a austeridade como essencial e, dessa forma, os estudantes devem ser esmagados.

A extrema-direita tentou tudo o que podia para derrotar o movimento e fracassou repetidamente. Tentaram organizar fura greves através do movimento “quadra verde” e isto falhou. Tentaram aterrorizar os estudantes e professores com liminares, o que apenas enfureceu ainda mais a população. Tentaram dividir o movimento pela demonização da federação estudantil CLASSE. Tentaram várias vezes a repressão física policial, enquanto rotulavam falsamente o movimento como violento.

As alegações de violência são completamente hipócritas por parte dos mandatários da violência policial e econômica contra estudantes e trabalhadores. Também é compreensível que alguns jovens venham a atacar após suas demandas terem sido ignoradas por tanto tempo. De forma alguma quebrar uma janela pode ser equiparado à violência institucional em massa do sistema. Contudo, não acreditamos que tais ações individuais sirvam para promover a luta. Apoiamos o direito democrático do movimento de determinar coletivamente o grau de confrontação com as forças estatais, no nível necessário para avançar a luta. Esta escolha não deve ser imposta às pessoas sem o seu consentimento – de fato, a única forma de se adotar com êxito ações de autodefesa, é com o apoio massivo do movimento de massas. Acreditamos que as associações estudantis deveriam organizar eleger e controlar os comitês de autodefesa para proteger as manifestações da violência estatal, e manter as táticas do movimento democraticamente acordadas.

Atualmente, o movimento está em um impasse. O governo não vai recuar e os estudantes não vão deixar as ruas. Esta situação não pode permanecer indefinidamente. A tarefa é espalhar o movimento mais amplamente na classe trabalhadora. Isto é vital, porque, como já vimos, esta luta é meramente parte e parcela de um plano de austeridade que afetará todos os trabalhadores.

CLASSE lançou um apelo em seu site para uma greve geral “social”. Este é um verdadeiro passo a frente, mas é preciso que haja um plano concreto para torná-lo realidade. Nem os próprios trabalhadores, nem suas organizações, podem ser ignorados no planejamento desta ação. Como uma demonstração inicial de força, as federações sindicais devem chamar uma greve geral de 24 horas em apoio aos estudantes e contra a austeridade. Representantes das associações estudantis devem focar isto como o assunto fundamental em cada aparição pública. Os estudantes devem enviar delegações a cada encontro sindical para pedir apoio a esta demanda. No entanto, se os próprios trabalhadores não entenderem os objetivos da luta, o movimento vacilará. A CSN pediu piquetes simbólicos; esta é uma oportunidade fantástica para os estudantes irem aos trabalhadores e explicarem a necessidade de uma greve geral e de ações de solidariedade na medida em que esta luta afeta a todos. Em Maio de 1968, em Paris, os estudantes estabeleceram comitês de solidariedade estudante-trabalhador para ir aos locais de trabalho e discutir com os trabalhadores. Muitas vezes depois destas discussões (e com a ajuda de delegados sindicais simpatizantes), os trabalhadores decidiram abandonar as máquinas em solidariedade aos estudantes. Eventualmente os trabalhadores começaram a fazer greves por suas próprias demandas também. Esta lição de 1968 necessita ser posta em prática agora!

Além de difundir a greve estudantil no movimento dos trabalhadores, também é necessário difundi-lo através das fronteiras nacionais. Houve uma repugnante conspiração de silêncio sobre a greve por parte dos meios de comunicação ingleses e canadenses, seguida por um igualmente odioso foco sobre a “violência” dos estudantes. Os movimentos dos estudantes e dos trabalhadores canadenses não podem permitir que persista esta campanha corporativa de divisão nacional. De fato, laços de solidariedade estão sendo forjados na luta. Demonstrações de solidariedade estão sendo organizadas em Toronto e em outras cidades; sindicatos de trabalhadores do Canadá que falam a língua inglesa doaram dezenas de milhares de dólares à causa. CLASSE tomou a decisão correta e enviou um apelo e um projeto de resolução aos sindicatos canadenses pedindo apoio, piquetes de solidariedade e convidando palestrantes. Os estudantes de Quebec não estão sozinhos.

Contudo, a solidariedade não deve correr em uma só direção. Os estudantes canadenses têm muito a aprender do movimento em Quebec. No restante do Canadá, as mensalidades escolares são mais do dobro das de Quebec. Este fato criminoso tem sido usado constantemente como argumento contra os estudantes de Quebec. O movimento estudantil no Canadá anglofalante necessita começar lutando com o mesmo grau de radicalização de Quebec. A Federação Canadense de Estudantes (CFS, em suas siglas em inglês), a principal representante dos campi canadenses que falam inglês, necessita começar o planejamento para demonstrações em massa e greves, usando os acontecimentos de Quebec como inspiração. Necessitamos de uma luta generalizada que torne mais forte o conjunto em oposição aos métodos dos patrões de dividir para dominar.

Acima de tudo, temos de consagrar o princípio de que a educação é um direito e não um privilégio. A educação deve ser gratuita e acessível a todos! Alguns dirão que o sistema não tem dinheiro para pagar isto. Respondemos que, se eles têm bilhões para caças a jato, prisões, salvamento de empresas e cortes de impostos, então há dinheiro para proporcionar educação gratuita. Declaramos que a educação é um direito e se a sociedade capitalista não pode permitir este direito, então é o capitalismo que deve ser abolido. Eles dizem que não podem pagar salários decentes, fornecer empregos, serviços e condições de vida; enquanto isso, a produtividade aumenta e os ricos se tornam mais ricos. Por suas próprias ações, os patrões estão condenando seu sistema. A luta combinada dos estudantes por educação gratuita e da classe trabalhadora por melhores condições deve ser uma luta por uma sociedade socialista que pode proporcionar tudo isto de forma contínua. O problema não é a ideologia “neoliberal” dos patrões: o problema é a crise do próprio sistema!

Finalmente, apelamos para a unidade de todos os melhores lutadores – os trabalhadores com consciência de classe e a juventude corajosa – em cada momento da luta e em cada lugar do mundo. Como declaramos em nossa introdução, a luta dos estudantes de Quebec é apenas uma componente da luta internacional mais ampla contra austeridade capitalista, crise e guerra. Trabalhadores e jovens estarão mais bem preparados para vencer estas lutas se lutarem juntos, compartilhando experiências e aprendendo das lutas de outros setores e países. Da Grécia ao Egito, à Venezuela, aos EUA, ao Canadá – necessitamos todos construir uma Tendência Marxista Internacional para unir trabalhadores e jovens. Juntem-se a nós!

Vitória para os estudantes de Quebec!

Integrem sua luta à luta da classe trabalhadora!

Por uma greve geral de 24 horas contra a austeridade e para os alunos!

Os Estudantes de Quebec não estão sozinhos!

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