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Declaração da Esquerda Marxista sobre o resultado do PED 2007

1.654 trabalhadores e jovens de todo o Brasil votaram no “Programa Operário e Socialista” expressando seu apoio com uma política marxista e revolucionária.

Eles o fizeram em condições muito difíceis face a nossas imensas dificuldades materiais nesta campanha, assim como face às próprias condições de participação dos petistas neste processo.
O PED (Processo de Eleições Diretas), como sempre afirmamos, não é um método democrático de eleição das direções de um partido de trabalhadores. Ele dissolve os militantes numa massa amorfa de “eleitores” que não participam de praticamente nenhum debate real e que devem se posicionar ou por antigas lealdades ou pelo impacto da propaganda partidária ou mesmo da imprensa burguesa. A substituição da eleição das direções em assembléias e congressos pelo PED é parte do processo de deformação e degeneração imposto pelo aparelho dirigente para se emancipar do controle da base e dissolver o caráter de classe do partido. O PED impede um verdadeiro debate de idéias e de confronto real de posições políticas.
Nossa participação neste PED confirma com imensa clareza o acerto de nossa política e da participação no PT.
Não se pode esquecer em que situação política fizemos campanha abertamente pela ruptura do PT com a burguesia, pela ruptura do governo de coalizão e pela constituição de um verdadeiro governo dos trabalhadores que tome medidas em direção ao socialismo. Como diz o Informe Político ao 27º Congresso da Esquerda Marxista:
“Os altos níveis de popularidade de Lula estão baseados nesta situação de conjunto. E toda ação da oposição burguesa não é mais que atacar a maquiagem buscando preservar as instituições e preparar o futuro para o momento de novas disputas eleitorais.
Esta situação vai perdurar enquanto a crise, que continua a se desenvolver internacionalmente, não atingir um pico e pegar o Brasil em cheio. É por isso que não se pode prever grandes mobilizações de massa ou greves de massa no próximo período. Mas, se o governo Lula se beneficia deste conjunto para aprofundar as privatizações e a entrega do Brasil ao capital internacional, como está fazendo e pretende continuar, isto prepara uma reacomodação das forças da classe para um período posterior onde tudo será questionado. A ruptura da bolha de crédito, a crise mundial de superprodução que se aproxima, o aprofundamento dos sofrimentos das massas exploradas, tudo isso vai deixar o governo Lula e seus defensores nus e na rua. É para esta situação que é preciso se preparar, sabendo que nada está previsto para acontecer no curto prazo. Tudo depende de acontecimentos e circunstâncias, do desenvolvimento da força das leis que regem a economia capitalista e de ações políticas nacionais e internacionais que o proletariado conseguir empreender.
A perspectiva, portanto para os próximos anos imediatos é de um desenvolvimento “pacífico” e relativamente “controlado” da luta de classes de massas”. Esta situação se desenvolve, por outro lado, no quadro de uma situação internacional que engloba o Brasil, apesar do que afirma Lula. Esta situação corretamente caracterizamos no Informe Político ao 27º Congresso como uma “Situação convulsiva” onde “A revolução na América Latina e a instabilidade completa internacional provocada pela crise capitalista são as marcas do período”.
É nesta situação que podemos afirmar que o resultado de nossa participação no PED é positivo. Este resultado deve ser entendido a luz da situação política, do caráter do PED, mas principalmente de nossa trajetória no último período e de nossa política atual. Por um lado não conquistamos o objetivo de 2.000 votos, o que permitiria manter nossa posição na DN PT. Por outro lado realizamos 83% do objetivo (que sabíamos ser alto e cujo resultado não está mal, como veremos) e apresentamos a Esquerda Marxista e nosso programa para milhares de petistas.
Podemos afirmar que assentamos as bases para uma expansão da Esquerda Marxista e para seu crescimento em muitos estados. Realizamos inúmeras bancas durante o PED com excelentes vendas de nosso material político. Nosso caráter militante e independente ficou marcado pelo fato de que praticamente só a Esquerda Marxista tinha banca na maioria das atividades.
Na conferência de abril de 2007 afirmamos:
“Nossa participação na preparação do III Congresso do PT já nos permitiu uma aplicação prática da orientação decidida após a Escola de Quadros de janeiro de 2007. Nossa tese e a batalha pelas assinaturas até agora já nos permitiu retomar e ampliar enormemente nossos contatos nacionalmente. Trata-se agora de transformar esta adesão política em organização implantando OT(M) nestes estados onde não temos militantes. Mas, se constatamos que, de fato, havia muitos petistas dispostos a assinar nossa Tese, nosso afastamento de fato do PT e nossa orientação equivocada de ruptura (já corrigida) tornou nosso trabalho muito mais difícil pondo em risco a possibilidade de apresentação da Tese. Mas, o resultado é muito positivo e se demonstra, também, em números pelo crescimento da organização em todas as regiões, mas em especial nos setores operários.
A Conferência Nacional relança assim a campanha de assinaturas de nossa Tese com objetivo de agrupar 1.500 assinantes e filiar 200 novos petistas até o III Congresso (30/08/07). Trata-se para nós de lançar as bases da constituição de uma articulação de militantes petistas, mais ampla, constituída ao redor de OT(M) (hoje Esquerda Marxista), a partir do agrupamento destes 1.500 assinantes e outros militantes simpatizantes …. Esta articulação nacional, impulsionada por OT (M), deve se constituir, portanto, basicamente em torno da Tese “Um Programa Socialista para o Brasil”. (Resolução O Momento político e nossas tarefas).
O desenvolvimento desta orientação se concretizou nas 1.000 assinaturas em nossa Tese, na chapa “Programa Operário e Socialista” e seus resultados positivos. Frente a este conjunto de circunstâncias podemos afirmar como fez Chávez sobre o resultado do referendo na Venezuela: “Ainda não conseguimos… por enquanto”.
Um outro resultado importante foi nossa aproximação e abertura de diálogo com diversos militantes e agrupamentos em diversos estados. Esta aproximação deve continuar através da proposta de realização de Seminários conjuntos, em 2008, para discutir a Coalizão do Governo Lula com os partidos capitalistas, o PAC e suas conseqüências, a revolução na Venezuela, o Socialismo e o PT.
Trata-se de tirar as conseqüências políticas centrais para nossa correta orientação nos colocando em melhor situação para os futuros combates.
1. É tarefa prioritária da Direção da Esquerda Marxista organizar a busca de contato com os petistas que nos apoiaram em todo o Brasil.
2. Concretizamos nossos resultados com uma campanha de filiação ao PT de toda a área de influência da Esquerda Marxista. É nossa responsabilidade demonstrar aos militantes e trabalhadores que apóiam a política da EM que devem expressar isso apoiando a EM em todos os seus combates. E um combate central é sempre o que se trava no partido. Assim o apoio que temos em eleições sindicais ou parlamentares deve também se expressar em apoio à nossa participação nas eleições no PT.
3. Trata-se de conquistar o apoio real necessário à nossa política marxista e revolucionária concreta, que busca organizar a vanguarda revolucionária e a classe operária para a resolução da crise da humanidade que se resume à batalha pela construção do partido revolucionário. A luta pela construção do partido operário revolucionário, secção da Internacional, não é o vago desejo de realizar um ato de auto-proclamação constituindo um novo partido com três amigos e dois conhecidos, mas a militância ativa pelo reforço, hoje e agora, da Esquerda Marxista. E isto significa engrossar as fileiras da Esquerda Marxista e ampliar seu leque de apoiadores para novos combates que se aproximam.

Sobre o 2º Turno das eleições para presidente nacional do PT
 
Os candidatos no 2º Turno são candidatos de agrupamentos políticos comprometidos com toda a política que combatemos duramente em todo o último período. Ambas as candidaturas estão comprometidas com a manutenção da Coalizão com a burguesia, com o envio de tropas ao Haiti, com a implementação do PAC e todas as privatizações decididas por Lula, enfim com o apoio incondicional ao governo que interveio militarmente nas fábricas ocupadas por trabalhadores e tem jogado um papel de tentar impedir a revolução na América Latina.
Assim não participamos em nenhuma articulação de apoio a qualquer candidato apesar das diferenças existentes entre eles. Não há o menor sentido nem o apoio ao candidato oficial de Lula e nem apoio a dita “frente anti-campo majoritário”. Para a Esquerda Marxista definidor são as posições políticas adotadas na prática. Como disse Marx, a prática é o critério da verdade e estas duas candidaturas e os agrupamentos que as sustentam são os pilares que permitem a concretização de toda a política reacionária do governo Lula.
Neste sentido nossa indicação pública aos militantes e apoiadores é de voto nulo, branco ou abstenção (onde não temos candidato no 2º Turno estadual ou municipal) na candidatura presidencial nacional no 2º Turno do PED.

10/12/07
Secretariado da Esquerda Marxista

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