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De junho a junho: O que as jornadas de 2013 nos ensinam para 2014?

Em junho de 2013, um maravilhoso movimento eclodiu no Brasil. Ao todo, milhões de pessoas saíram às ruas por todo o país, em centenas de cidades, num período de menos de duas semanas.

Em junho de 2013, um maravilhoso movimento eclodiu no Brasil. Ao todo, milhões de pessoas saíram às ruas por todo o país, em centenas de cidades, num período de menos de duas semanas. Protestavam centralmente contra o aumento das tarifas do transporte público e contra a repressão policial. Acuados, os governantes revogaram o aumento das tarifas e diversificaram as formas de repressão. As massas, sem um programa comum, saíram das ruas, mas podem voltar a qualquer momento.

Junho inaugurou uma nova situação política no Brasil, seguindo a onda de protestos que varre o mundo. A juventude que despertou para a vida política, embora confusa, se sente forte, vitoriosa e continuou se manifestando permanentemente por suas reivindicações concretas, mesmo que o tenha feito com contradições e de maneira fragmentada. Está rapidamente fazendo a experiência e dispensando ferramentas que não lhe servem.

O Estado burguês amplia e aperfeiçoa a repressão. Pisa em qualquer resquício de “direitos democráticos”. O Judiciário aprofunda a criminalização dos movimentos sociais. O Legislativo aprova leis que qualificam qualquer manifestação reivindicatória como crime ou terrorismo. O Executivo põe as forças armadas nas ruas contra os manifestantes, usando a chamada GLO (Garantia de Lei e Ordem). Na verdade, a burguesia busca adequar o aparato de Estado às suas necessidades para enfrentar a nova situação onde a crise internacional se aprofunda e cada vez mais faz erodir a fina camada da encosta que sustenta a aparente estabilidade da economia brasileira.

O governo de coalizão encabeçado pelo Partido dos Trabalhadores aplica uma política de colaboração de classes e segue transferindo a riqueza do país para os especuladores nacionais e internacionais através das privatizações e do pagamento da dívida pública, em detrimento de investimentos em saúde, educação, moradia, reforma agrária, etc. Uma crise de representatividade percorre todo o movimento operário organizado, com cisões nas direções sindicais e crescente disposição de combatividade da base, inclusive nos sindicatos controlados pela cúpula cutista. E é nesse contexto que a FIFA exige praticamente um “regime de exceção” para a realização da Copa do Mundo, em junho de 2014.

O que levou as massas às ruas?

Claro que não foram apenas os 20 centavos! Em janeiro de 2011, a tarifa de ônibus em São Paulo subiu de R$ 2,70 para R$ 3,00, ou seja, 30 centavos e, no entanto, não mais do que 5 mil pessoas saíram às ruas contra o aumento. Foram realizadas manifestações semanais durante mais de 2 meses. Houve muita repressão policial, e não houve adesão das massas ao movimento.

Alguns avaliam que foi a pesada repressão policial à manifestação da fatídica quinta-feira (13/06) que fez despertar multidões para as ruas. Mas cotidianamente a polícia reprime a juventude nas periferias de São Paulo, do Rio de Janeiro e de todos grandes centros urbanos e pouquíssimos saem às ruas para protestar. Chacinas ocorrem aqui e acolá e as massas seguem sua rotina habitual. O massacre de Pinheirinho em janeiro de 2012, o massacre dos Guarani-Kaiowá, a construção da hidrelétrica de Belo Monte, só para ficar em alguns exemplos, causaram muita indignação nas redes sociais, mas nada de levar massas às ruas.

Na verdade, o que estamos vendo é um fenômeno bastante conhecido pelos marxistas: a lei dialética da transformação da quantidade em qualidade e da qualidade em quantidade. O acúmulo de uma série de eventos nos últimos anos levou a uma situação insustentável, de tal forma que uma única gota d’água poderia fazer transbordar o copo. Vimos o mesmo acontecer um pouco antes na Turquia. O país que liga a Europa ao Oriente Médio, a Turquia, vinha sendo considerado pelos analistas burgueses como o modelo de aplicação das políticas econômicas. Mesmo durante a crise internacional, assim como o Brasil, a Turquia conseguiu sustentar razoáveis taxas de crescimento econômico, altos níveis de emprego, etc. Para os senhores que não conhecem a realidade e substituem a análise concreta por estatísticas, a Turquia era um dos últimos candidatos a se tornar palco de manifestações de massas como as que vinham ocorrendo no Norte da África e Sul da Europa. Pois bem, eis que o governo queria derrubar algumas árvores no Parque Gezi em abril/2013, para construir um centro comercial no centro de Istambul, e alguns ativistas acamparam no local em protesto. Queriam impedir que as árvores fossem derrubadas. O governo respondeu com uma brutal repressão policial e esta foi a faísca que fez incendiar não só Istambul, mas toda a Turquia em protestos pela derrubada do Governo!

Um país que aparentemente gozava de certa estabilidade social, na verdade tinha acumulado uma série de contradições abaixo da superfície e faltava uma gota d’água para o copo transbordar. No Brasil, a gota d’água foi a repressão violenta da PM (Polícia Militar) de SP contra os jovens que lutavam por uma causa justa: a revogação do aumento das tarifas do transporte coletivo.

A gota d’água fez o copo transbordar, mas quando ele transborda, tudo o que estava acumulado, que ajudou a encher o copo nos últimos anos, começa a vir à tona. E então nem é mais a última gota d’água o mais importante. As tarifas foram reduzidas, mas as pessoas continuaram saindo às ruas. Do dia para a noite, parece que tudo se tornou urgente. De repente, quem nunca participou de uma manifestação na vida, agora saía às ruas querendo mudar o país, mudar o mundo.

Saudamos e comemoramos este fenômeno! O despertar de parcelas das massas para as ruas só pode ser visto com bons olhos pelos militantes revolucionários. Mas é preciso compreender: o copo transbordou em um momento de despolitização. Não foi resultado de um processo de construção política do período anterior. Pelo contrário, na sua maioria jovens, os que saíram às ruas para expressar sua indignação eram vítimas de um processo de enorme retrocesso político impulsionado principalmente pela política de colaboração de classes levada a cabo nos últimos anos pela direção do PT: quando o PT chega ao governo aliado com os partidos inimigos históricos da classe trabalhadora; quando esses governos de coalizão entre o PT e a burguesia dão sustentação aos velhos políticos de sempre (Sarney, Maluf, etc.); quando o debate eleitoral entre os candidatos do PT e os da oposição de direita (PSDB, DEM) se resume a quem administra melhor o aparelho de Estado e praticamente não se diferenciam politicamente; quando os governos do PT aplicam a política do imperialismo, recebem os senhores da guerra, Bush e Obama de braços abertos; fica difícil cobrar um elevado nível de consciência de classe das massas. Como cobrar dos que saíram às ruas em junho/2013 que diferenciassem PT do PSDB? O clima nas manifestações era de “fora todos”, mas longe de ter algo a apresentar para colocar no lugar. A burguesia assim encontrou terreno fértil para manipular os manifestantes. A responsabilidade disso foi em parte dos que organizaram as manifestações (o MPL – Movimento Passe Livre), mas foi e é em maior parte da direção do PT! A história nos diz: a política de colaboração de classes, em última instância, conduz ao fascismo.

As táticas da burguesia

Algumas semanas antes de terem início os protestos em São Paulo, a luta de alguns milhares de jovens que saíram em passeatas diárias em Porto Alegre (capital do Rio Grande do Sul) conquistou a revogação do aumento das passagens naquela cidade. Em seguida foi a vez dos jovens de Teresina (capital do Piauí) repetirem o feito. As notícias que chegavam de vários cantos do país deram força ao movimento de São Paulo que já começou com um número de pessoas próximo ao das maiores manifestações ocorridas em 2011, quando houve o aumento anterior (de 3 a 5 mil pessoas).

Para a burguesia, para os donos das empresas de ônibus e para os governantes – Governador Geraldo Alckmin (PSDB) e Prefeito Fernando Haddad (PT) – revogar o aumento das tarifas em São Paulo estava absolutamente fora de cogitação. Esperavam que o movimento agrupasse novamente apenas alguns milhares (que para uma cidade do tamanho de São Paulo é pouco) e com a repressão e o cansaço, após algumas manifestações, o movimento dispersaria, como nos anos anteriores.

Nos primeiros atos (6 e 7 de junho), a PM reprimiu fortemente toda vez que os manifestantes tentaram bloquear alguma via e, por outro lado, a mídia burguesa buscava convencer a todos de que os manifestantes eram baderneiros e vândalos.

Entretanto, apesar da repressão policial e dos problemas de direção do MPL (leia artigo publicado em 12/06/2013: “É preciso organizar o movimento contra o aumento das tarifas para chegar à vitória!”), a adesão ao movimento foi cada vez maior. No 3º grande ato (11/06), mais de 15 mil pessoas marcharam por São Paulo debaixo de forte chuva. Novamente houve repressão da PM e já podia-se notar entre os manifestantes alguns provocadores que claramente eram infiltrados da polícia para incitar atos de vandalismo e assim buscar “legitimar” a repressão diante da opinião pública.

Um setor da burguesia, que controla o Ministério Público de SP (MP-SP), percebendo que as manifestações estavam crescendo, que o ato de 11/06 teve 15 mil pessoas e o próximo poderia ser ainda maior, elaborou uma tática diferente. Em reunião com o MPL no dia 12/06, o MP-SP propôs um acordo, onde se dirigiria ao governo estadual e à prefeitura para que estes suspendessem o aumento por 45 dias e, em contrapartida, o MPL não convocaria nenhuma manifestação nesse período. Seriam promovidos debates, audiências públicas, etc.

O objetivo deste setor da burguesia que controla o MP-SP era buscar jogar um balde de água fria no movimento que vinha crescendo dia a dia. Como se fosse pedir um tempo técnico numa partida de futebol quando o adversário está pressionando muito próximo da grande área. Queriam ganhar tempo para melhor organizar o time deles e as táticas para derrotar o nosso movimento.

O MPL aceitou a proposta. E não podemos dizer que foi um erro ou “traição”, como alguns grupos de esquerda qualificaram. Se o MPL recusasse, ia passar por intransigente, além da imagem de baderneiro que a mídia já vinha pintando. E, a suspensão de 45 dias do aumento seria entendida por todos como uma vitória do povo. Após 45 dias, quando a passagem voltasse a subir, muito provavelmente a adesão ao movimento seria ainda maior, pois aos olhos de todos, se algumas manifestações tinham sido capazes de suspender o aumento por 45 dias, mais e maiores manifestações poderiam revogá-lo definitivamente.

Com essa mesma avaliação, do outro lado, um outro setor da burguesia, levou o governador Geraldo Alckmin e o prefeito Haddad a recusarem o acordo proposto pelo MP-SP. A linha deste setor da burguesia era outra: não ceder nada!

Entretanto era evidente que as manifestações estavam crescendo. Nas redes sociais, dezenas de milhares confirmavam presença nos atos convocados de um dia para o outro. Em menos de 3 dias teria início a Copa das Confederações no Brasil e todos os olhos do mundo estariam voltados para cá. O Governo não podia aceitar o acordo proposto pelo MP-SP, mas também não podia mais seguir a tática de esperar o movimento dispersar-se com o cansaço.  Para eles era preciso dar um basta logo! Esmagar o movimento naquela semana!

Alckmin vai à imprensa em 12/06 e diz que para o ato do dia seguinte a tolerância seria zero. O ministro da justiça, José Eduardo Cardozo (PT), oferece ajuda a Alckmin e Cabral para reprimir as manifestações em SP e no Rio. No dia 13/06 os prédios da prefeitura de São Paulo e do Teatro Municipal (local marcado para a concentração do ato) são evacuados e são posicionados vários batalhões da tropa de choque desde cedo. Pelotões da PM se espalham pelas ruas ao redor e, antes mesmo do ato começar, milhares de pessoas que passavam por ali foram revistadas pela polícia. Todos que carregassem vinagre em suas bolsas e mochilas eram presos, inclusive a imprensa. Algumas centenas foram presos e passaram horas na delegacia de polícia até serem liberados. O argumento da polícia era de que as substâncias eram suspeitas e poderiam conter material inflamável para produzir explosivos. Os cidadãos presos só seriam soltos após a perícia averiguar o vinagre (que é usado para minimizar os efeitos do gás lacrimogêneo, além de ser uma substância absolutamente inofensiva e tempero comum na culinária brasileira).

Militantes da Esquerda Marxista ficaram mais de meia hora detidos apenas porque se dirigiam ao local do ato carregando faixas. Ao final, como não tinham vinagre, foram liberados, entretanto tiveram suas faixas apreendidas!

Com o pretexto de “denúncias anônimas” de fabricação de bombas caseiras, agentes policiais foram às casas de estudantes, horas antes do início do ato, querendo revistar suas residências ou levá-los sob custódia à delegacia, sem mandado judicial!

Com esse clima de ditadura antes do início do ato, o governo pretendia intimidar os manifestantes. Muitos que tomaram conhecimento de que a polícia estava prendendo as pessoas que carregavam vinagre, desistiram de ir ao ato e voltaram para suas casas. Os manifestantes que carregavam vinagre eram na sua maioria os que já tinham participado dos atos anteriores, portanto um pouco mais experientes e já calejados da repressão. Tirá-los do ato era tático para a PM diante do que estava por vir.

Apesar de toda intimidação e repressão, o ato reuniu cerca de 10 mil pessoas em frente ao Teatro Municipal. A passeata seguiu caminhando pacificamente em direção à Praça da República e começou a subir a Rua da Consolação sentido Avenida Paulista. Cantos e palavras de ordem propiciavam quebrar o clima tenso das horas anteriores e a alegria já tomava conta da maioria dos manifestantes. A PM não estava escoltando a passeata como no ato anterior. Não podíamos ver os policiais, apenas ouvíamos os helicópteros. Agentes policiais infiltrados, disfarçados dos manifestantes mais diversos, ficavam o tempo todo ao telefone celular informando como e por onde seguiam os manifestantes.

Quando a manifestação chegou à altura da Rua Maria Antonia, um batalhão da Tropa de Choque da PM bloqueou a subida da Rua da Consolação. Outro batalhão se posicionou na retaguarda da manifestação e um terceiro batalhão chegou pelo flanco direito, cercando os manifestantes que tinham como única saída seguir pela Praça Roosevelt, à esquerda. O que se seguiu aí foi um massacre. Os três batalhões da tropa de choque começaram a disparar todo armamento não letal de que dispunham contra a multidão. Saraivadas de bala de borracha, bombas mutilantes (chamadas “de efeito moral”) e muito gás lacrimogêneo. Milhares de pessoas cruzaram a Praça Roosevelt correndo até a Rua Augusta e lá se dispersaram. Um agrupamento de cerca de pouco mais de duas mil pessoas ainda subiu a Rua Augusta rumo à Avenida Paulista, onde encontrariam mais batalhões da Tropa de Choque da PM, inclusive com a cavalaria.

Enquanto os policiais literalmente varriam a Praça Roosevelt com o gás lacrimogêneo e balas de borracha, também iam agredindo qualquer cidadão que estivesse nas calçadas e portas de bares e restaurantes da região. Pessoas que nada tinham a ver com a manifestação eram gratuitamente agredidas pela Polícia. A impressão que se tinha era de que a ordem era para tirar qualquer pessoa das ruas. Mas São Paulo é uma cidade que nunca para. Não dá pra varrer o centro da cidade! Até quem estava nas janelas e varandas de seus apartamentos, apenas olhando o que acontecia ou às vezes filmando com seu celular, etc. recebeu balas de borracha da PM! No youtube há um vídeo de moradores do 7º andar de um edifício na Praça Roosevelt que se tornaram alvo da Polícia, só porque estavam na varanda filmando!

Além de agredir gratuitamente qualquer transeunte, a PM começou a reprimir brutalmente a imprensa. Todos os fotógrafos, cinegrafistas, jornalistas começaram a ser atacados com balas de borracha. Uma jornalista de um jornal de grande circulação levou um desses tiros no olho, a quadras de distância da manifestação! Um fotógrafo ficou cego. Centenas de presos sofreram agressões e assédio moral. Garotas presas ou abordadas pelos policiais sofreram diversos tipos de abuso.

O tiro saiu pela culatra: as massas entram em cena

No Rio de Janeiro, uma grande manifestação no mesmo dia também foi brutalmente reprimida. Centenas de vídeos e depoimentos circulavam pela internet. Como jornalistas e transeuntes comuns foram agredidos, a grande imprensa mudou o tom e começou a denunciar os exageros por parte da polícia de SP. No dia seguinte no facebook se multiplicavam convocações de atos por todo o Brasil, mesmo em cidades onde não havia tido aumento das tarifas. Já não era mais só pelos 20 centavos. A repercussão da repressão em São Paulo foi a gota d’água que fez despertar um sentimento de indignação e solidariedade de massas.

O fim de semana foi de muita agitação nas redes sociais, preparando as manifestações convocadas para a segunda-feira, dia 17/06 nas mais diversas cidades. Algumas cidades pequenas que nunca tiveram um protesto de rua antes em sua história, viram quase toda a população nas ruas naquela segunda-feira. Do Rio de Janeiro chegavam notícias de mais de um milhão de pessoas nas ruas. Em São Paulo, desde cedo o clima era de fraternidade entre as pessoas. Como se todos soubessem o que estava por vir. O ato estava marcado para as 17h no Largo da Batata. Duas horas antes as pessoas já estavam cantando palavras de ordem dentro dos ônibus, vagões de trem e metrô. Onde tivesse aglomeração o clima já era de manifestação. As autoridades decidiram fechar a estação de metrô de Pinheiros, que fica no Largo da Batata, obrigando milhares de pessoas a descer em outras estações e caminhar alguns quilômetros até o local de concentração do ato. A superlotação obrigou as autoridades a reabrirem a estação por volta das 17h30. Uma multidão de incontáveis milhares dentro da estação cantava em uníssono as palavras de ordem pela revogação do aumento e contra a repressão. Às 18h o Largo da Batata está completamente tomado e todas as vias de acesso ao seu redor estão entupidas de gente. A imprensa falou em mais de 100 mil pessoas, mas nos parecia óbvio que era muitas vezes mais que isso. Fotos aéreas mostravam um Largo da Batata quase idêntico à Praça Tahir, no Cairo, tomada pela juventude egípcia que tinha derrubado Mubarak.

Para os militantes da Esquerda Marxista estava claro: com as massas nas ruas, não estava ao alcance apenas a revogação do aumento, mas a derrubada do responsável pela repressão da semana anterior: o chefe da PM-SP, o governador Geraldo Alckmin. Inclusive em nossa faixa estava em letras garrafais: ABAIXO A REPRESSÃO! FORA ALCKMIN! LIBERDADE PARA TODOS OS MANIFESTANTES PRESOS!

O MPL era a direção reconhecida pelas massas naquele momento. O MPL tinha a autoridade política para dirigir as massas até o Palácio do Governo e exigir a renúncia do Governador. Mas, como nos atos anteriores, o MPL não dirigiu nada de maneira democrática. Não abriu espaço para que nós ou quaisquer outros pudessem apresentar propostas. Não permitiram qualquer tipo de microfone, amplificação de som, etc. E realizaram o que eles já haviam organizado entre eles, sem sequer explicar aos milhares de manifestantes, a quem restou segui-los cegamente, mais uma vez. O MPL então dividiu a manifestação em duas. Um grupo guiou uma passeata que foi até a Marginal Pinheiros e outro grupo guiou outra passeata que seguiu pelas avenidas da região mais rica de São Paulo, até que as duas passeatas se cruzassem na Ponte Estaiada sobre o Rio Pinheiros. Este era o objetivo do MPL. Depois disso? Dispersar. Queriam apenas um espetáculo visual de milhares de pessoas cruzando a ponte mais “chique” de São Paulo. Alguns dias depois irão pagar um preço alto por sua inconsequência.

Com as massas nas ruas, a tática da burguesia mudou. Na manifestação de São Paulo, não havia uma viatura policial sequer, nenhum policial fardado. De fato, a indignação da população era tão grande contra a PM que a multidão poderia facilmente avançar se encontrasse policiais fardados. Mas eles estavam nas ruas, aos milhares, entre os manifestantes, à paisana. E agiram para dispersar a manifestação. Disfarçados de manifestantes comuns, aos gritos sugeriam aos manifestantes para que mudassem o percurso, bifurcassem e dividissem as passeatas. Como o MPL não usa carro de som, não era possível ver nem ouvir quem estava à cabeça da passeata. Os manifestantes no meio da multidão, simplesmente seguiam as pessoas que estavam imediatamente à sua frente. Assim, se convencesse um pequeno grupo a mudar o rumo, milhares vinham atrás de você. Isso levou a manifestação a se dividir em várias passeatas menores. Milhares de manifestantes vagaram sem objetivo por mais de 5 horas por dezenas de quilômetros em São Paulo naquela noite de segunda-feira. Cerca de 100 mil foram até a ponte estaiada “por dentro” seguindo uma das frentes do MPL. Outro número semelhante seguiu a outra frente do MPL até a outra alça da ponte estaiada, indo pela Marginal Pinheiros, para em seguida dispersarem-se. Cerca de 50 mil pessoas foram desviadas por policiais infiltrados para a Avenida Paulista, onde o clima era de festa. Um outro número desconhecido ocupou a Av. 23 de Maio. Cerca de 20 mil pessoas romperam com uma das frentes do MPL e foram ao Palácio dos Bandeirantes (sede do governo estadual). Outras vias ainda foram tomadas por focos menores.

Inexplicavelmente a maioria dos telefones celulares não funcionava em São Paulo naquela noite. As pessoas não conseguiam se comunicar durante a manifestação. Quando conseguiam sinal, os que estavam indo ao Palácio chamavam seus conhecidos que estavam perdidos em outros focos de manifestação. Até a meia noite ainda estavam chegando grupos de manifestantes ao Palácio, mas ainda muito aquém do que poderia ser se o MPL tivesse dirigido o ato para lá.

Um dos camaradas da Esquerda Marxista correu por mais de uma hora até a cabeça de uma das passeatas e alcançou a frente pouco antes de chegar à ponte estaiada. Falando com os membros do MPL que dirigiam a passeata, propôs que a guiassem para o Palácio dos Bandeirantes, para derrubar o governador. Mas os dirigentes do MPL estavam atordoados, perdidos, sem saber o que fazer. Não tinham sinal de celular e não conseguiam se comunicar com os outros que estavam à frente da outra passeata. Já sabiam que os manifestantes haviam se dividido em várias passeatas, mas não sabiam porque isso tinha acontecido e nem como resolver.

Próximo da meia-noite os manifestantes que estavam no Palácio dos Bandeirantes, sem direção e sem ver chegar a maioria dos que estavam no Largo da Batata para apoiá-los, se dispersaram e correram para a estação de trem mais próxima para voltar às suas casas antes que as estações fechassem. Mas as massas tem poder e perceberam isso naquela noite, inclusive segurando as estações abertas e fazendo os trens circularem até depois do horário, com palavras de ordem, até que todos os manifestantes tivessem conseguido embarcar.

Muitos voltaram para casa decepcionados naquele dia. Afinal, no início, o sentido de comunidade, fraternidade, daquelas centenas de milhares de pessoas nas ruas por uma causa comum, dava uma sensação de poder muito grande. Entretanto, nada foi feito. O MPL colocou-os a vagar sem qualquer objetivo claro e não foi capaz de assegurar a unidade da manifestação que acabou se dividindo em múltiplas passeatas menores. Isso desanimou muita gente e, no dia seguinte, a adesão foi bem menor.

Outra tática usada pela burguesia, além de dividir as passeatas, foi o de insuflar a juventude contra os partidos, em particular contra os “vermelhos”. Já na segunda-feira, alguns policiais infiltrados, mascarados, gritavam para que organizações de esquerda baixassem suas bandeiras, mas sem sucesso.

Já no dia seguinte (18/06), numa manifestação com cerca de 50 mil pessoas na Praça da Sé e milhares de policiais infiltrados, eram puxadas palavras de ordem como “Sem partido! Sem partido!” e “O povo unido não precisa de partido!”. Os militantes do PSTU e PCR que tentaram levantar suas bandeiras foram agredidos e tiveram suas bandeiras baixadas. A Esquerda Marxista manteve suas faixas erguidas, mas sofreu muitas ameaças. A juventude mais despolitizada aderiu rapidamente às palavras de ordem lançadas pelos policiais infiltrados. Diante das massas nas ruas, a tática da polícia era cessar a repressão aberta e reprimir veladamente apenas os grupos organizados, colocando as massas contra eles.

Se o MPL tivesse aceitado formar um comitê unificado como propusemos a eles em maio/2013, se permitisse caminhões de som nas manifestações e tivesse uma conduta democrática, a polícia não teria sucesso com esse tipo de tática. Mas o próprio MPL não conseguia dialogar com as massas. Depois de colocar as massas contra os “vermelhos”, a polícia infiltrada começou a trabalhar em coordenação com grupos de extrema direita, alguns de orientação nazista que, disfarçados de manifestantes comuns, atacavam os manifestantes de esquerda, o que acirrava ainda mais os ânimos da massa de manifestantes contra os “vermelhos”.

Na quarta-feira (19/06), Alckmin e Haddad juntos anunciam a revogação do aumento. O MPL mantém o ato convocado para o dia seguinte, agora com o caráter de comemoração. Mas na quinta-feira (20/06), em São Paulo e no Rio de Janeiro, todos que estavam com bandeiras vermelhas foram expulsos das passeatas. Skinheads, neonazistas, integralistas, mussolinistas, nacionalistas radicais e outros grupos de extrema direita, organizados pela Polícia Militar com agentes infiltrados, à paisana, insuflaram uma camada de jovens despolitizados envoltos em bandeiras do Brasil contra os “vermelhos”. Até o MPL, que usa a cor preta, e que é quem convocou os atos, se retirou das manifestações reconhecendo que a direita havia tomado o controle. Sem ter mais a bandeira comum que era pela revogação do aumento e depois de ter experimentado 3 dias de manifestações sem repressão policial aberta, a massa que estava nas ruas ficou sem um programa claro. E a burguesia, através de seus agentes infiltrados e através da mídia, colocou o programa que quis. Surgiram palavras de ordem como “Fora Dilma!”, “Fora PT!”, “Joaquim Barbosa presidente!”, etc.

No dia seguinte, os atos convocados por Anonymous e similares no facebook eram dirigidos por nazistas e coisas do gênero. E assim continuou na semana seguinte, até que se dispersaram. As direções do PT, da CUT, da UNE – que são os que têm peso e aparelho para fazer frente a isso – nada mobilizaram para enfrentar essa ofensiva, justamente porque estão comprometidas com a manutenção da ordem e, combater a apropriação da direita, significaria retomar o caráter de esquerda dos atos, de luta por mudanças.

Ao contrário do que várias organizações de esquerda concluíram, isso não quer dizer que a juventude que saiu às ruas era “fascista” ou “de direita”. No fundo os jovens que começaram a participar pela primeira vez de manifestações políticas querem ter mais acesso aos serviços públicos, querem saúde, educação, transporte, lazer. E querer isso não significa ser “de direita”. Pelo contrário, são de esquerda! Mesmo que não saibam disso. Mesmo que ainda não tenham compreendido que é o sistema capitalista que os impede de ter acesso a tudo isso. Claro, pois a ideologia predominante na sociedade é a ideologia da classe dominante.

Eles concluíram que para defender seus interesses não poderiam deixar as coisas para os políticos, mas deveriam agir por si mesmos. Isso mostra um instinto revolucionário correto. Aqueles que menosprezam o movimento como “meramente espontâneo” mostram sua ignorância sobre a essência de uma revolução que é precisamente a intervenção direta das massas na política. Essa espontaneidade tem uma força enorme, mas em certo ponto poderá tornar-se uma fraqueza fatal ao movimento.

É óbvio que o movimento de massas irá necessariamente sofrer de confusão em seu estágio inicial. As massas podem apenas superar essas debilidades através da experiência prática da luta. Mas para que tenham sucesso, é absolutamente necessário passar pela confusão inicial e ingenuidade, para crescer e amadurecer, e chegar às conclusões corretas. A consciência da juventude está em disputa, e temos a vantagem de ter ao nosso lado as soluções para as suas necessidades materiais, enquanto a direita só tem a oferecer mais capitalismo e sofrimento.

O período atual às vésperas de junho de 2014

A consciência se materializa em organização. Se não consegue se materializar em organização, acaba refluindo. Grande parte da consciência da juventude que despertou em junho acabou refluindo com esses desenvolvimentos desastrosos. Mas muitos continuaram querendo mudar as coisas, mudar o mundo, porém não sabem como e não têm ilusões de que seja possível fazê-lo através da política institucional e dos partidos tradicionais. São jovens entre 15 e 24 anos de idade que não viveram a época em que o PT encabeçou grandes lutas da classe trabalhadora. Só conhecem o PT que trai sua classe. Para eles, todos os partidos são iguais. Assim, muitos jovens buscaram se organizar com o MPL, porém este se mostrou impotente não só por seus métodos inadequados, sua incapacidade de dirigir manifestações massivas, mas também quando se limitou a lutar apenas pela questão do transporte, se negando a levantar outras bandeiras. Muitos outros buscaram o Anonymous, que na verdade não tem um programa claro, nem uma direção conhecida, pode ser qualquer um atrás de uma máscara, e já foi há muito sequestrado pelos serviços de inteligência do Estado burguês. E, uma parte dos jovens mais radicalizados, que fez experiência com MPL, Anonymous e nada lhe serviu, acabou aderindo aos blocos de anarquistas: os Black Blocs.

Mas os Black Blocs que atacam a polícia e os “símbolos do capitalismo” não têm programa, só expressam o ódio pelo sistema – o que é justo –, mas não levantam reivindicações e não conseguem oferecer a perspectiva política que esses jovens buscam. É isso que explica porque que mesmo com a repercussão da combatividade dos Black Blocs eles não conquistam adesão de massas. O jovem que quer mudar as coisas se pergunta com razão: “De que serve quebrar as coisas e enfrentar a polícia se não estamos reivindicando nada? Somos reprimidos e tudo continua igual!” No Rio de Janeiro, os Black Blocs tiveram uma adesão um pouco maior principalmente por conta de uma peculiaridade: durante a greve dos professores, na ausência de uma organização mais efetiva, os Black Blocs acabaram organizando os cordões de segurança das manifestações, defendendo os professores da repressão policial. Mas em São Paulo e outros lugares nada semelhante a isso ocorreu. A juventude que despertou ainda não consegue se identificar com nada que está posto e levará algum tempo para que se encontre e construa suas próprias formas de organização e sua plataforma política.

O fenômeno dos Black Blocs ajuda o Estado a “legitimar” a repressão, que recai não só sobre os Black Blocs, mas sobre todos que queiram se manifestar. E sem as massas nas ruas, a tática da polícia voltou a ser a da repressão aberta.

O período atual, pós-Junho, está marcado por essa imensa massa de juventude que ainda não conseguiu definir sua consciência de maneira a poder materializá-la na forma de organização mais adequada, mas também por outros quatro importantes fatores:

1. A política de privatizações do Governo Dilma-Temer, coroada pelo Leilão do Campo de Libra, reafirmando a total submissão do governo de coalizão aos ditames do capital financeiro internacional. Mas, mais que isso, ter colocado o Exército, a Marinha e a Aeronáutica contra os sindicalistas e manifestantes, para garantir o leilão, demarca um salto de qualidade no que diz respeito à repressão estatal. Não há precedentes no período pós-ditadura militar de algo assim.

2. Foi ressuscitada a LSN (Lei de Segurança Nacional), lei da época da ditadura que ainda não foi revogada, para enquadrar manifestantes como terroristas. A GLO (Garantia da Lei e da Ordem) autoriza o uso das forças armadas contra a população e o Ministro da Defesa, após definir no Manual da GLO os movimentos sociais como “forças oponentes”, declarou que as tropas ficarão aquarteladas durante a Copa do Mundo, de prontidão para qualquer necessidade. O Congresso está prestes a aprovar uma lei antiterrorismo (PL 728/2011) que busca caracterizar qualquer manifestação popular como ato terrorista, sob pena de até 30 anos de prisão! Apelidado de AI-5 da Copa, o mesmo PL propõe proibir até mesmo greves 2 meses antes e durante a Copa do Mundo!

3. Com a condenação dos acusados na Ação Penal 470 pelo STF (Supremo Tribunal Federal), abriu-se o precedente para criminalizar qualquer entidade ou organização do movimento operário-popular-estudantil simplesmente enquadrando qualquer um de seus filiados em algum crime e depois aplicando a chamada “teoria do domínio do fato” conforme foi aplicada na AP470 pelo STF, mesmo se não houver qualquer prova.

4. A Copa do Mundo vai ocorrer em estádios construídos sobre o sofrimento e sangue de milhares de famílias que foram violentamente desalojadas de suas casas para as obras do entorno dos estádios nas cidades sede. Enquanto o povo sofre esse tipo de violência e continua a ver a falta de investimentos nos serviços públicos, que perpetua uma situação de escolas sucateadas, falta de vagas nas universidades públicas, mortes nas filas dos hospitais, transporte público caro e superlotado, os estádios recebem todos os investimentos para recursos da melhor qualidade e são construídos com grande celeridade, enquanto hospitais, universidades, etc. levam anos, às vezes décadas, para ficarem prontos. Isso mexe com o psicológico das massas.

E todos lembramos como a Copa de 2010 na África do Sul foi precedida por uma onda de manifestações massivas. Não há razão para ser diferente aqui no Brasil. Mas os atos convocados por ocasião da Copa, mesmo que reúnam uma ampla quantidade de ativistas, se ficarem limitados sob a consigna “Não vai ter Copa”, não devem ganhar adesão de massas. Pois embora as pessoas fiquem indignadas com as injustiças escancaradas pela Copa, a maioria quer Copa, quer futebol. A maioria quer estádios sim, mas também quer transporte, saúde, educação, gratuitos, para todos e com a mesma qualidade dos estádios da Copa. Não se trata de nos opor à Copa (isso não abre diálogo com as massas), mas de, denunciando os abusos e injustiças cometidos em nome da Copa, levantar as reivindicações concretas do povo trabalhador e da juventude antes, durante e após a Copa do Mundo. O perigo nesta situação é que, como a classe operária provavelmente não vai entrar em cena de maneira organizada, com seus métodos próprios de luta, e nem devem ser atos de amplas massas, a vanguarda fique isolada e seja duramente golpeada pela repressão, o que em nada contribuiria para o desenvolvimento das lutas que estão à frente. O que pode modificar esta situação e recolocar milhões nas ruas é a repressão escandalosa que o governo prepara em unidade nacional com todos os covardes reacionários governantes deste país em todos os níveis.

É neste sentido que entendemos que todos aqueles que embarcaram na resposta diversionista que a direção do PT e o governo Dilma deram às ruas, ou seja, a proposta de luta por uma “Constituinte exclusiva para Reforma Política”, cometem um grande equívoco ao colocar como tarefa central de 2014 um plebiscito popular por este instrumento de aperfeiçoamento do aparelho de Estado burguês. Tal reforma política como está proposta, além de uma série de atentados aos preceitos democráticos, não resolveria nenhum dos problemas concretos do povo trabalhador. Apenas serve para esconder que o PT já está governando, mas não para a classe trabalhadora e sim para os banqueiros, empresários, latifundiários, multinacionais e especuladores em geral. Como se o problema fosse de que o governo não tem maioria no Congresso. Oras, o governo está aliado com a maioria do Congresso! Que se alie com as ruas então, com os milhões de jovens e trabalhadores que exigem mudanças e se o Congresso resistir, que seja varrido pelas massas. Ou essa não foi a vontade expressa nas ruas em junho?

A resposta da direção do PT às ruas é na prática uma tentativa de reformar o próprio Estado burguês e suas instituições. Lamentável que o reformismo tenha contaminado um espectro tão grande das organizações e movimentos de esquerda no Brasil, que promovem a campanha pelo tal plebiscito. Marx, Engels, Lênin, Rosa Luxemburgo, Trotsky e tantos outros já deixaram claro há mais de um século que não se trata de reformar o Estado burguês, mas de destruí-lo e construir um Estado de outro tipo em seu lugar, um Estado operário, socialista, baseado em outras instituições. A atual campanha pela reforma política é de um reformismo capitulante profundo e busca alimentar as ilusões nas instituições e na democracia da burguesia.

De nossa parte, não ficamos agitando nem “contra a Copa” e nem “pela Constituinte da Reforma Política”. Para nós, a tarefa central é a luta pela frente única. Ou seja, a luta pela unidade das massas em torno de um programa comum, um programa anticapitalista, anti-imperialista, socialista, que na nossa opinião se traduz na luta contra a criminalização dos movimentos populares e a construção em cada escola, cada faculdade, cada centro comunitário, dos comitês de luta da campanha “Público, Gratuito e Para Todos: Transporte, Saúde, Educação! Abaixo a Repressão!”. Por esse caminho podemos mobilizar, organizar e avançar na luta pelo fim do capitalismo e a construção do socialismo, abrindo a via para a solução de todos os problemas que afligem nossa sociedade.

 

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