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Crônicas de fim de ano: o teatro do Impeachment

Depois dos atos fracassados de 13 de dezembro, data do aniversário do AI-5 de 1968 (quem poderia saber, não é?), que estabeleceu o ordenamento jurídico que prevaleceu na Ditadura Militar, acordamos hoje (15 de dezembro) com a notícia de que a casa de Eduardo Cunha, o homem mais odiado do momento, estava sendo vasculhada pela Polícia Federal.

Depois dos atos fracassados de 13 de dezembro, data do aniversário do AI-5 de 1968 (quem poderia saber, não é?), que estabeleceu o ordenamento jurídico que prevaleceu na Ditadura Militar, acordamos hoje (15 de dezembro) com a notícia de que a casa de Eduardo Cunha, o homem mais odiado do momento, estava sendo vasculhada pela Polícia Federal.

Até o momento, a única notícia do que foi “encontrado” na casa de Cunha no Rio, é um táxi no valor de 240 mil reais, que está em nome de Altair Alves Pinto, o homem de confiança de Cunha, segundo a palavra de um dos delatores.

No Conselho de Ética, que se reúne hoje com um novo relator, ocorrem as mesmas manobras protelatórias do bloco de apoio a Cunha. Nos bastidores, as fofocas correm soltas. Desde que o Tribunal de Contas da União “descobriu” que o mordomo de filme de terror, ops… perdão, aquele homem que anda de terno e parece cumprir um mandato de vice-presidente, também assinou decretos como os de Dilma, parece que vão jogar a conta das ditas “pedaladas” no ex-ministro da Fazenda (Guido Mantega) e em algum ex-secretário, porque, afinal, ninguém quer que o culpado seja o mordomo, este enredo já está muito batido.

Sim, não podemos culpá-los. Eles tentam dar um ar sério para essa comédia que não tem nenhuma graça. Tentam livrar o mordomo e atingir Dilma. Tentam?

Se olharmos os jornais e suas manchetes, a tentativa é bem outra. Folha de São Paulo e O Globo são contra o impeachment. O Estadão é a favor. O presidente da FIESP, Skaf, alega que consultou suas “bases” para se posicionar pelo Fora Dilma. O PSDB sai “unido” pelo impeachment, mas alguns vão ao ato público do dia 13, outros não. Além disso, alguns estão na linha de adiar o processo, jogando no “quando pior melhor” e o governador de São Paulo quer que se julgue logo e acabe logo com isso, pois precisamos voltar a fazer negócios.

Sim, todo mundo aplaude a operação da PF na casa de Eduardo Cunha e reza para que o STF imponha freios e limites, no mínimo, à atuação do atual presidente da Câmara.

E os trabalhadores e jovens? Os jovens que estiveram ocupando escolas em São Paulo, olham com apreensão os ataques cada vez maiores à educação e à liberdade. Em Goiás, as escolas estão sendo privatizadas, quando não entregues à gestão da PM do Estado! No Rio, o governador, que é um pouquinho mais esperto do que o de São Paulo, fecha uma escola por vez, se há resistência, ele desiste, passa pra outra, depois outra e segue avançando no fechamento das unidades.

Os operários olham tudo com apreensão e, mais que tudo, veem que os empregos e os salários estão evaporando. O que eles acham de tudo isso que se passa no Planalto e no Congresso?

O Ministério da Fazenda, sob os aplausos do ministro Armando Monteiro da Indústria e Comércio e da ministra Katia Abreu da Agricultura (um ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria e, a outra, presidente da Confederação Nacional da Agricultura), apresenta um projeto que corta mais direitos previdenciários para “negociar” com a CUT.

E a CUT, ah… a CUT. Para inglês ver, diz que é contra o ajuste fiscal. Mas divulga o discurso do Lula explicando que a hora é de unir todos, sem críticas, para salvar Dilma

Salve Jorge, Salve. Os trabalhadores estão acompanhando tudo isso com olhar crítico e saberão achar o caminho para se livrar de tudo isso e avançar na direção do comunismo. Claro, se o calo apertar e realmente houver uma unificação da burguesia para um golpe, estaremos juntos contra o golpe. Mas, até agora, o que existe são manobras palacianas para saber quem melhor pode aplicar o ajuste fiscal com mais força e penalizar duramente a classe trabalhadora.

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