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Crise, greves e um regime que desmorona

No Governo Federal, nos estados e nos municípios a mesma receita de “ajuste” é aplicada, desencadeando fortes mobilizações.

Foto: Mobilização da greve da Polícia Militar no Rio de Janeiro

Apesar da tentativa do governo Temer de apresentar perspectivas otimistas para a economia, a realidade é que a crise segue forte. São mais de 12 milhões de desempregados, sem contar os que estão em subempregos ou desistiram de procurar trabalho. O setor da indústria, só em 2016, teve uma contração de 6,6%. A estimativa é que o PIB tenha tido queda de 3,5% no ano passado. A projeção mais otimista do governo, para 2017, é um crescimento de 1% na economia.

Isso tudo é parte da crise internacional do capitalismo, que provoca, no Brasil e no mundo, a instabilidade dos governos empenhados em salvar o sistema. Este é o caso do governo Temer e de governos estaduais e municipais por todo o país, com suas medidas de “ajuste fiscal”, de ataques à classe trabalhadora e à juventude.

O governo federal, com apoio do Congresso Nacional, aprovou o teto dos gastos públicos (PEC 55) e a Reforma do Ensino Médio, e colocou em marcha a Reforma da Previdência e Trabalhista.

A juventude foi às ruas e ocupou escolas no ano passado. A classe trabalhadora continua resistindo e se mobilizando para defender seus salários e conquistas. Entre os operários, o descontentamento se acumula e uma hora a quantidade se transformará em qualidade.

Greves e mobilizações

Nos Estados e Municípios a mesma receita de “ajuste” é aplicada, desencadeando fortes mobilizações. A já histórica greve dos servidores de Florianópolis é um bom exemplo, que resiste e cresce apesar das tentativas da Justiça e do Executivo de intimidar o movimento, incluindo pedido de prisão, pela prefeitura, da diretoria do sindicato.

No Espírito Santo, o descontentamento estourou entre os policiais, que começaram uma greve no início de fevereiro.

No Rio de Janeiro, os ataques aos direitos dos servidores e o atraso nos salários têm provocado, desde o ano passado, sucessivas mobilizações e greves de categorias. O novo ataque é a privatização da CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos), com votação na ALERJ prevista para 20/02, após adiamento, a partir do reforço da segurança com a participação do Exército, pois os soldados no RJ também começaram um movimento de redução do efetivo nas ruas.

O que revela a greve de PMs

O Manifesto Comunista, em 1848, já explicava que o Estado moderno nada mais é do que “o comitê para gerir os negócios comuns de toda a classe burguesa”, sendo também caracterizado por Engels como um “bando de homens armados”. As PMs são a principal força repressiva do Estado para garantir a manutenção do regime da propriedade privada dos meios de produção. Coagindo a população nos bairros proletários, reprimindo manifestações e movimentos sociais. Os marxistas não tem nenhuma ilusão na polícia e, por isso, defendemos o seu fim.

Ao mesmo tempo, enquanto a grande imprensa condena a greve de PMs, os governos buscam punir os policiais envolvidos. Nós saudamos a greve, pois é uma ruptura da hierarquia, do cumprimento cego às ordens superiores e que revela as divisões com traços de classe existentes dentro da própria força repressiva do Estado. Somos contra a punição aos envolvidos na greve, somos pelo direito de greve e sindicalização de bombeiros e policias, hoje proibido pela Constituição. Ao mesmo tempo, não somos aqueles que vão reivindicar melhorias no aparato repressivo, melhores viaturas, cassetetes, coletes, aumento do efetivo, etc. Isso seria apoiar que o exército inimigo tivesse melhores condições para nos derrotar na luta de classes.

Apoiamos aquilo que faça os policiais, em especial os de baixa patente, compreenderem que são também oprimidos e explorados por esse sistema, que são utilizados como bucha de canhão para garantir os interesses de uma minoria parasitária. Estes serão recebidos de braços abertos, como foram os policiais cariocas que, no ano passado, abandonaram seus postos de repressão para confraternizar com manifestantes.

A decomposição e as divisões no aparato repressivo do Estado são sintomas adicionais do desmoronamento do regime. A crise é profunda e vai se intensificar. No centenário da Revolução Russa, muitos combates nos aguardam. Organize-se, junte-se à Esquerda Marxista, tendência do PSOL.

Editorial do jornal Foice&Martelo 101.

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