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Crise e guinada à direita no PSOE: Unidos Podemos deve oferecer uma alternativa de esquerda e socialista

A demissão do secretário-geral Pedro Sánchez colocou o partido socialista espanhol em sua mais grave crise desde 1979.

A demissão de Pedro Sánchez da Secretária-geral do PSOE[1], depois do golpe palaciano organizado pela ala mais direitista do partido, coloca o partido socialista na crise mais grave desde 1979, quando Felipe González impôs o abandono do marxismo do ideário do partido. Mas então, o grosso do aparato estava firmemente unido e os militantes y eleitores mantinham, apesar de tudo, altas expectativas no futuro do PSOE. Hoje, ao contrário, o aparato está seriamente fraturado, o partido tem uma base militante muito mais reduzida e o menor apoio social de toda sua história e as camadas mais vibrantes e honestas que permanecem de sua militância e eleitorado perceberam este golpe como uma traição e um apoio à posse do governo Rajoy. Unidos Podemos[2] deve tirar as conclusões corretas de tudo isto.

Esta situação aberta no PSOE não tem a ver somente com as rivalidades pessoais pelo poder; é um efeito da crise do regime que vivemos na Espanha desde o estouro da crise de 2009, com sua brutal política de ataques sociais e os enormes protestos populares que deram lugar nos anos posteriores. O PSOE ficou sem crédito em amplas camadas da classe trabalhadora e da média, como cúmplice e coautor destas políticas. Apareceu como o fiador de um regime desacreditado, não só para o setor de esquerda mais avançado, mas para uma camada substancial de sua militância e eleitorado que, com o surgimento de Podemos, deu-lhe, definitivamente, as costas, perdendo a metade dos votantes que tinha há 8 anos.

Categoricamente, a situação atual do PSOE expressa a crise do reformismo socialdemocrata no atual período de crise e de declínio capitalistas. Não há margem para uma política de gestão do capitalismo, com concessões à classe trabalhadora e demais setores populares. A única política possível é de ataques. Isso deixa o PSOE realmente sem um espaço político diferenciado da direita.

Ascensão e queda de Pedro Sánchez

Pedro Sánchez foi alçado à Secretaria-Geral depois do fiasco das eleições europeias de maio de 2014, que precipitou a demissão do anterior secretário-geral, Rubalcaba. Foi um candidato de consenso eleito pelo núcleo central do aparato, que via em Pedro Sánchez um homem ponderado, jovem e desvinculado do descrédito da direção anterior. Seu papel era cumprir uma transição até o momento de eleger a verdadeira candidata do aparato, a presidente andaluza Susana Díaz, que goza da máxima confiança de Felipe González e da ala mais estreitamente vinculada à classe dominante. Precisamente, atribui-se à própria Susana Díaz uma frase então proferida: “Sánchez não vale, mas nos vale”.

Contudo, Sánchez desenvolveu seus próprios interesses pessoais e, desde sua posição recém-conquistada como secretário-geral do partido, manteve um discurso à esquerda da direção anterior, para competir com Podemos. Supunha-se que seu papel devia se esgotar e dar lugar a Díaz depois do fracasso nas eleições de 20 de dezembro de 2015, quando o PSOE conseguiu o pior resultado de sua história até então e o núcleo duro do aparato havia apostado em facilitar um governo do PP[3], com o PSOE no papel de oposição leal.

Foi então, quando Pedro Sánchez ignorou à maioria do Comitê Federal e ao setor “felipista”, ao se negar facilitar o governo do PP, e tratou, de maneira desesperada, de buscar um governo alternativo com Ciudadanos, que estava condenado ao fracasso. Para Ciudadanos se tratava somente de uma manobra para forçar uma mudança de candidato a presidente de governo no PP, mas Sánchez o levou a sério. Aparte de suas ambições pessoais por permanecer no comando do PSOE e de aspirar à presidência do governo, Pedro Sánchez encarnava os interesses de um setor do aparato que temia um processo de pasokização[4] do PSOE. Temiam que se o PSOE aparecesse facilitando um governo do PP, aceleraria seu declínio e a perda de privilégios e posições, sendo superado pelo Podemos.

Não é casualidade que os maiores apoios a Pedro Sánchez na crise atual venham de Euskadi[5], Catalunha, Galícia e Baleares, onde o “sorpasso[6] do Podemos e seus acordos políticos regionais já se produziu.

O fracasso de sua iniciativa com Ciudadanos desembocou em indesejadas segundas eleições para o setor majoritário do aparato. Depois do novo fracasso e da piora nos resultados do PSOE nas eleições de 26 de junho de 2016, os opositores a Sánchez no aparato incrementaram sua pressão para forçar a abstenção do PSOE à posse de Rajoy com a intenção de fazer logo a decapitação do mesmo Pedro.

O desafio

Dirigentes regionais como Sánchez-Vara de Extremadura e García-Page de Castilla-La Mancha, entre outros, propuseram abertamente que o PSOE devia se abster e facilitar a posse de Rajoy. Contudo, Sánchez se manteve firme e se conectou com o sentimento de ampla base do partido contrária a favorecer a posse de um governo do PP. A situação de impasse chegou a seu ápice no final de setembro, com o fracasso do PSOE nas eleições bascas e galegas – onde foi superado pelo Podemos e seus acordos regionais. Sánchez foi atacado por terra, mar e ar pela ala mais direitista do partido, majoritária no Comitê Federal e pelas colunas da imprensa burguesa, que exigiam em viva voz sua demissão. Foi quando lançou sua cartada final a este setor do partido, sugerindo em uma conferência de imprensa que, como dirigente de um partido “de esquerdas”, trataria de formar um “governo alternativo” com apoio de Unidos Podemos e dos nacionalistas catalães. Também anunciou a convocatória de uma reunião extraordinária do Comitê Federal para sábado (1º de outubro), para submeter esta questão a sua aprovação, assim como a celebração de eleições primárias em 23 de outubro para eleger o secretário-geral do partido, e de um congresso extraordinário para novembro ou dezembro, para eleger uma direção conectada com suas políticas. Também desafiou seus oponentes no partido a declararem abertamente se estavam a favor da posse de um governo da “direita” ou de um governo “de esquerdas”.

Isto foi uma verdadeira declaração de guerra a seus oponentes, que foram pegos totalmente de surpresa. Este movimento audaz de Sánchez o ligou imediatamente com uma amplíssima base do partido, entre a militância e, sobretudo, seus eleitores e com uma parte do aparato em muitas regiões e cidades, fazendo com que essa pressão alcançasse, inclusive, aos membros do órgão máximo da direção do partido, o Comitê Federal. Isto fez com que o setor felipista entrasse em pânico e perdesse, inclusive, a certeza de poder derrotar Sanchéz na reunião deste órgão no sábado 1º de outubro. Por isso recorreram à manobra rude e grotesca de dar um golpe, promovendo a demissão de seus partidários na executiva do partido, metade de seus membros, com o objetivo de forçar a demissão de Sanchéz e sua equipe, declarando que já não o reconheciam como secretário-geral “legítimo”. Isto foi acompanhado por uma campanha perversa de ataques e insultos pessoais contra Sanchéz na imprensa burguesa, particularmente no El País.

A derrota de Sanchéz

Inicialmente, o chamado “setor crítico”, a ala mais direitista e pró-burguesa de Felipe e Susana Díaz, forjou com boicote a reunião do Comitê Federal de sábado, o que conduziu à cisão “de fato” do PSOE. Mas, depois de assegurar a lealdade da maioria dos membros do dito órgão, veio à reunião da mesma. O resto da história já é conhecido. Após 11 horas de injúrias, gritos, insultos, adiamentos e, até mesmo, brigas, sem haver dedicado um só minuto ao debate político, a ala de Felipe-Susana se impôs na votação da moção de censura a Sanchéz, o que produziu a demissão deste e a eleição de uma comissão gestora em substituição à executiva anterior. Consumou-se, assim, a vitória da direita do partido.

O que pretendia Pedro Sanchéz?

Está claro que a verdadeira pretensão de Sánchez e de sua equipe não era buscar um “governo alternativo” com Unidos Podemos. Não é necessário muito para ver que, enquanto o grosso do aparato do partido e do grupo parlamentar socialista foi ferrenho anticomunista e anti-Unidos Podemos, esse governo careceria de base de sustentação. Além disso, Sánchez tampouco em nenhum momento havia iniciado negociações abertamente com Unidos Podemos com o objetivo de formar um governo conjunto. O fato de que dentro da equipe de Sánchez haja reconhecidos direitistas pró-burgueses como Jordi Sevilla ou Rafael Simancas; ou burocratas de toda a vida, como Patxi López, levam a pensar que aquilo que Sanchéz e seu setor buscavam realmente eram terceiras eleições que conduzissem a uma abstenção elevada das bases de Unidos Podemos e a um reagrupamento do voto da esquerda entorno do PSOE, que haveria aparecido como o líder da oposição a Rajoy durante a campanha eleitoral. Dessa maneira, esperava obter a miragem artificial de um PSOE recuperado em porcentagem de votos e em número de deputados, superiores aos conseguidos nas eleições passadas de 26 de junho de 2016 e de 20 de dezembro de 2015. Ainda com uma abstenção maior e, inclusive, com um número de votos menor.

O problema para Sánchez e seu setor era que a classe dominante e a direita de seu partido tinham outros planos e outra visão das coisas. Novas eleições poderiam desacreditar o “sistema”, como declarou Felipe González. A fadiga e cansaço de amplas faixas da população e da classe trabalhadora com o circo eleitoral, com uma abstenção massiva, ainda outorgando uma maioria absoluta a PP-Ciudadanos, poderia fazer com que o governo resultante carecesse de apoio e autoridade sociais suficientes. As massas trabalhadoras, vendo bloqueada qualquer mudança real por meio do voto, com um governo desacreditado pela corrupção e suas políticas de ajuste, poderiam passar muito rapidamente à ação direta na rua. O que a burguesia necessita é, se não um governo forte, ao menos a aparência de tal, com uma ampla base de apoio parlamentar para suas políticas fundamentais, que não são outras que garantir o ajuste de mais de 15 bilhões de euros no gasto público nos próximos dois anos e manter a precariedade laboral que garanta a competitividade das empresas espanholas em um contexto de estancamento econômico global.

O que fará o PSOE agora?

Agora, a comissão gestora do PSOE anunciou a convocatória de um Comitê Federal em algumas semanas para tomar posição sobre a posse de Rajoy. Ainda que membros de ambos os setores, como Miguel Iceta ou Ximo Puig, balbuciam pela manutenção do “Não” a Rajoy, é difícil que isto se sustenha. A ala felipista não chegou até aqui para deixar o trabalho pela metade. São insensíveis com as aspirações e interesses das bases do partido, seu compromisso está com o que disponha a classe dominante.

Inclusive, desde uma perspectiva dos interesses de aparato do partido, terceiras eleições seriam, agora, um desastre maior que se se houvesse pretendido há uma semana. O partido aparece completamente dividido e debilitado perante a população. A percepção diante a base militante e de eleitores do PSOE é que se produziu um golpe da direita para impedir um governo alternativo de esquerdas. Alguém pode levar a sério um partido vendo Susana Díaz dizer uma coisa em um comício em Sevilla e a Pedro Sánchez e Iceta dizer outra coisa em Barcelona? Unidos Podemos tiraria vantagem dos últimos desdobramentos ocorridos para desacreditar qualquer pretensão do PSOE em aparecer como alternativa de “esquerdas” ao PP, apontando para os dois setores em seu interior indo a direções opostas. A possibilidade do “sorpasso”, ainda com a fadiga e o cansaço acumulado, poderia culpar a Díaz e a seus partidários do desastre e fortalecer sua posição perante a militância para reclamar o posto de que foi destronado. Portanto, a nova direção do PSOE fará tudo o que esteja a seu alcance para impedir terceiras eleições; isto é, não lhe fica outra opção que a de facilitar a posse de um novo governo do PP. Seu consolo é que, no findar de um par de anos, as águas voltem ao curso normal do rio, que todo o mundo esqueça o acontecido e que já começarão a superá-lo.

Está claro que o atual setor majoritário do PSOE ficou desacreditado entre as amplas faixas de seus eleitores e militantes, como se viu nas centenas de militantes enfurecidos às portas de Ferraz, em Valência e em outros lugares. Daí as cautelas da atual direção acerca da postura a tomar perante a próxima posse de Rajoy. Com certeza queriam passar para os nacionalistas bascos e catalães essa amarga tarefa, a de proporcionar ao menos os 6 a 7 votos de abstenção que precisa Rajoy para tomar posse em segundo turno. Dessa maneira, o grupo parlamentar do PSOE poderia votar contra em ambas as votações e salvar a cara. È certo que PNV[7] já está fora da disputa, uma vez que tem praticamente garantido o governo em Euskadi. Pelo lado do PDC (ex-CDC)[8], é um pouco mais complicado, já que poderia se desacreditar na Catalunha. De qualquer maneira, sempre seria possível que alguns deputados adoecessem no dia da votação, de verdade ou não, para assegurar, assim, as abstenções necessárias que permitam a posse de Rajoy. Inclusive, ainda que a direção do PSOE conseguisse com alguma dessas combinações que Rajoy saísse empossado mantendo seu voto contrário, o dano já está feito. A cartada de Pedro Sanchéz e a crise suscitada ao redor dele, fizeram com que Susana Díaz e seus amigos ficassem marcados e evidenciados, perderam autoridade e pagarão um preço por isso.

Unidos Podemos

Unidos Podemos pode sair muito favorecido desta situação, desde que seus dirigentes tirem as conclusões corretas do acontecimento.

De um modo geral se pode dizer que a classe trabalhadora e o voto de esquerdas ficaram cindidos em duas metades no último ano, com cerca de 50% para Unidos Podemos (UP) e outros 50% para o PSOE. O setor mais avançado politicamente se agrupou em volta da UP e o setor mais conservador e vacilante em torno do PSOE. Agora a crise do PSOE e a guinada à direita no partido, atiçados pela cartada de Sanchéz, aceleraram a experiência deste último setor e fizeram com que uma camada do mesmo tenha rompido ou esteja em processo de ruptura com a direção do PSOE e esteja inclinado a girar para UP. É necessário aproveitar o momento.

Esta ruptura pode se consolidar, já que o PSOE na oposição terá a tarefa de garantir apoio parlamentar para as políticas de ajuste elementares do próximo governo PP-Ciudadanos e aprovar seus orçamentos, e estará submetido permanentemente à chantagem de ser responsável em precipitar a queda do governo de Rajoy se lhe retira o apoio, e a ameaça de novas eleições antecipadas. De modo que UP terá perante si um amplo campo de agitação para expor a inconsistência do PSOE como oposição de esquerdas à direita.

Por outro lado, o fechamento da etapa eleitoral é uma condição necessária para o reagrupamento da indignação popular. É necessário que se assente toda a poeira e se ponha fim ao turbilhão eleitoral, que se acabe com a sensação paralisante da interinidade e incerteza gerada pela falta de um governo que mostre um caráter definido. A classe trabalhadora tem que observar com perfis claros e nítidos onde está o inimigo a que se deve atacar. Uma vez conseguido isto, o reinício da mobilização social será um fato, em um nível mais potente e sólido conforme fiquem expostas as falsidades das promessas eleitorais e a ausência de qualquer mudança significativa na situação. Unidos Podemos deve aparecer como o líder na oposição à direita e estar encabeçando todas as mobilizações sociais, incorporando às suas fileiras, novos combatentes e ativistas sociais e trabalhadores que surgirão neste processo.

Guinada à esquerda

Existe outro aspecto a ser abordado para se encarar com êxito a tarefa de agrupar a base descontente do PSOE e ao milhão de votos que perdemos em 26 de junho. Nas semanas precedentes vimos desenvolver o início de um debate ideológico e político no Podemos, entre os setores representados pelos companheiros Pablo Iglesias e Íñigo Errejón. Pablo Iglesias  declarou que a causa da perda do milhão de votantes em 26 de junho foi porque “não parecíamos sinceros”, referindo-se à moderação do discurso e aos elogios a Zapatero e à socialdemocracia, expressando a necessidade de uma guinada à esquerda. Não é necessário dizer que neste debate nossas simpatias políticas estão com Iglesias, frente às teses do companheiro Errejón de “não assustar” com posições “esquerdistas”.

E aqui está o perigo. O fato de aparecer diante da direção do Podemos, de maneira inesperada, a possibilidade de alcançar a faixa de eleitores do PSOE que conseguiu ver o caráter fraudulento e direitista da atual direção do partido, pode reforçar a pretensão do setor do companheiro Errejón de manter a face moderada do Podemos, com o argumento de que não há que espantar esta camada de ex-votantes do PSOE. A realidade é justamente contrária. O que despertou esta camada do PSOE foi, precisamente, a radicalidade e contundência das propostas de Pedro Sanchéz contra a direita e a favor de um governo de esquerdas. Diferentemente do que pensam os seguidores do companheiro Íñigo no Podemos, foi justamente a defesa do ideário de “esquerdas” e a rejeição à “direita” o que encorajou a este setor de votantes e simpatizantes do PSOE, que está em processo de rompimento com este. Ao contrário, foram todas estas tagarelices infantis de “nem esquerda, nem direita” que caracterizaram as posições de alguns companheiros da direção do Podemos nestes anos, o que forneceu munição “antipodemista” à direção do PSOE para manter o apoio de uma parte de suas bases.

Um programa socialista

É necessário acabar com certa mentalidade de “pequeno varejista” de tratar de enfeitar o frasco com um pacote aparentemente mais sugestivo para atrair ao público e se preocupar mais com o seu conteúdo. O que se precisa não é se preocupar se nossas propostas são do gosto ou não da classe dominante e a de seus meios de comunicação; o que supõe ceder permanentemente a sua chantagem e consolidar uma imagem de organização “amorfa”, vacilante e oportunista. A tarefa é explicar o que faz falta para solucionar os problemas da maioria da sociedade: como eliminar a precariedade do emprego e dos baixos salários, como ter um ensino e saúde públicos dignos, como garantir o acesso à moradia e terminar com o desemprego. É necessário explicar que solucionar tudo isto é impossível enquanto uma minoria de soberanos controlam com mão de ferro as alavancas fundamentais da economia. É necessário confiar que com nossa explicação paciente e a experiência viva das massas trabalhadoras e da pequena burguesia empobrecida, aglutinaremos cada vez mais um apoio maior, estando descartado um boom econômico global perante a atual crise prolongada do capitalismo.

O companheiro Alberto Garzón está avançando na linha correta com suas últimas posições, propondo uma orientação clara para a classe trabalhadora – a classe decisiva e mais numerosa da sociedade – e defendendo abertamente a necessidade de avançar para o socialismo, como também pretende a nova direção de esquerda do Partido Trabalhista britânico, encabeçada por Jeremy Corbyn.

O que faz falta é concretizar programaticamente este discurso, elaborando uma plataforma ampla que recolha as necessidades mais imediatas e sentidas, como a distribuição do emprego com a redução da carga horária de trabalho para 35 horas semanais, o aumento dos salários, revogar as reformas trabalhistas e acabar com a precariedade laboral, aumentar os impostos dos ricos, ou o não pagamento da dívida pública extorsiva aos bancos e fundos financeiros internacionais, entre outras. Para efetivar tudo isto é preciso nacionalizar o sistema financeiro, as empresas do IBEX35[9] e os grandes latifúndios, sob o controle dos trabalhadores e sem indenização, salvo aos pequenos acionistas e poupadores. Isso deve se vincular também com a defesa de demandas democráticas, tais como o direito à autodeterminação das nacionalidades históricas e a revogação de toda a legislação repressiva do PP.

Se defendermos este programa com coragem e convicção, isso faria avançar a consciência política de milhões de trabalhadores, jovens, desempregados e pequenos proprietários e profissionais liberais empobrecidos, galvanizando o apoio social para o Unidos Podemos. Isto colocaria as fundações para que possamos encabeçar um processo constituinte e socialista para superar este regime e este sistema caducos.


[1] Partido Socialista Obrero Español – Partido Socialista Operário Espanhol (Nota do Tradutor – N.T.).

[2] Coligação entre Isquierda Unida (Esquerda Unida) e Podemos (N.T.).

[3] Partido Popular (N.T.).

[4] Referência ao processo de declínio do PASOK (Movimento Socialista Pan-Helênico), principal partido socialdemocrata grego que colapsou com a crise e perdeu expressão política a partir de 2012 (N.T.).

[5] País Basco (N.T).

[6] Termo italiano que significa sobrepujar, utilizado pela imprensa espanhola para caracterizar a desenvoltura de Podemos e suas coligações e acordos políticos regionais diante do PSOE (N.T.).

[7] Partido Nacionalista Vasco – Partido Nacionalista Basco (N.T.).

[8] Partido Democrático de Cataluña (Convergencia Democrática de Cataluña) – Partido Democrático da Catalunha (N.T.).

[9] Principal índice elaborado pela Bolsa espanhola, com base nas 35 empresas com maior liquidez do país.


Artigo publicado originalmente por Lucha de Clases, sessão espanhola da Corrente Marxista Internacional, sob o título: “Crisis y giro a la derecha en el PSOE – Unidos Podemos debe ofrecer una alternativa de izquierdas y socialista”.

Tradução de Nathan Belcavello

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