Início / Artigos / Cresceu a classe “C”?

Cresceu a classe “C”?

O jornalista Almir faz uma análise do que a mídia chama de crescimento da classe

A mídia burguesa divulgou recentemente um estudo da instituição de tal dominante classe social, a Fundação Getúlio Vargas (FGV), apontando que camadas médias (erroneamente chamadas de ‘Classes’) são a única do estrato social brasileiro que continuou em expansão no período de maio de 2010 ao mesmo mês de 2011. No período, após usar como base os dados da Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estudo da FGV apontou que 3,6 milhões de pessoas migraram para a apelidada ‘Classe’ C. É desnecessário ser ‘especialista’ (doutor) em Economia e ou Sociologia para o título do texto acima, bastam os ensinamentos de Marx (1818-1883).
Por exemplo, sem dizer que a burguesia é a classe social dominante, a mídia deu destaque ao estudo da FGV apontando que “do ano de 2009 para cá as ‘Classes’ A, B, C ganharam 13,1 milhões de brasileiros e de brasileiras”. A mídia chegou às raias do ufanismo ao divulgar que, segundo o estudo da FGV “o Brasil lidera ranking de felicidade futura (Sic)”. De acordo com a mídia, no estudo da FGV a ‘Classe’ C recebeu a maior parte da população de ‘Classes’ mais pobres: 1,4 milhões de pessoas saíram da ‘Classe’ E – e 356 mil saíram da ‘Classe’ D. Segundo a mídia ressaltou, no entanto, o estudo da FGV apontou que as ‘Classes’ A e B tiveram um pequeno recuo no período, o primeiro desde o ano de 2003.

O que, 2º a mídia e o estudo da FGV, 237 mil pessoas deixaram – atenção – as camadas mais abastadas rumo à ‘Classe’ média. Para a mídia e o estudo da FGV as ‘Classes’ A e B representam atualmente 11,76% da população brasileira, ou 22,5 milhões de pessoas. De acordo com a mídia, o estudo da FGV mostra que o inchaço da ‘Classe’ C é um fenômeno crescente desde 1992, mas, sua expansão acontece de maneira mais acentuada desde 2003. Segundo a mídia, o estudo da FGV mostra que hoje são 105,4 milhões de pessoas ou 55,05% da população nesta faixa. Para a mídia e o estudo da FGV o encolhimento das ‘Classes’ D e E, que em 1992 representavam juntas 62,13% da população, também seguiu a mesma velocidade.

De acordo com a mídia, o estudo da FGV mostra que no ano de 2003 54,85% dos brasileiros e das brasileiras eram pobres. Hoje, ainda 2º a mídia e o estudo da FGV, juntas as ‘Classes’ D e E representam 33,19% dos 191,4 milhões de habitantes do país. Mesmo assim, segundo a mídia e o estudo da FGV, a desigualdade do país é expressiva: Enquanto 22,5% milhões de pessoas estão no topo da pirâmide social, 24,6 milhões de brasileiros e de brasileiras ainda ocupam a ‘Classe’ E. Ou seja, de acordo com a mídia e o estudo da FGV, vivem com renda familiar mensal de até R$-751. Para a mídia e o estudo da FGV a maioria dos integrantes da ‘Classe’ E também estão abaixo da linha da pobreza extrema, conforme define o governo federal.

O que representam, segundo a mídia e o estudo da FGV, 16,2 milhões de pessoas vivendo com até R$-70 mensais. Com relação a critério, de acordo com a mídia e o estudo da FGV, o IBGE divide as categorias das ‘Classes’ sociais em conformidade com a renda familiar mensal. Assim, segundo a mídia e o estudo da FGV, para o IBGE estão na ‘Classe’ E as pessoas com renda de até R$-751 – na ‘Classe’ D figuram as famílias que recebem entre R$-751 e R$-1.200 por mês – a ‘Classe’ C é composta de famílias com renda entre R$-1.200 e R$-5.174. Já a ‘Classe’ B inclui pessoas com renda familiar entre R$-5.174 e R$-6.745. Qualquer família que ganhe mais do que isso por mês é considerada pelo IBGE como pertencente à ‘Classe’ A; concluiu o estudo da Fundação Getúlio Vargas divulgado pela mídia.
Esclarecendo os conceitos, quem são os trabalhadores e quem pertence à burguesia.

Conforme se vê, segundo os critérios técnicos do ‘economês’ e do ‘sociologês’ – isto é, não-marxistas da mídia e da FGV, as categorias profissionais dos professores universitários, petroleiros e metalúrgicos pertenceriam à ‘Classe’ A. Ocorre que como as demais categoriais profissionais, isto é, de trabalhadores e de trabalhadoras, por venderem suas forças de trabalho, em função disso são remuneradas, independentemente do nível salarial. Quanto à questão de conceituar quem pertence à burguesia, recorro a um critério oposto ao do IBGE naquilo que esta instituição burguesa define como renda. O que acaba levando à deturpação de valores de confundir salário como tal.

É simples conceituar que existe burguesia urbana e rural. Considero pertencentes à burguesia rural os grandes e médios proprietários de terras. Isto é, os grandes e médios fazendeiros, notadamente os latifundiários. Já à burguesia urbana considero que seja constituída por áreas ou setores do capital. No setor financeiro, os grandes e médios banqueiros – no setor de comércio os grandes e médios comerciantes – na indústria os grandes e médios industriais e assim por diante. Enfim, os milionários e bilionários por auferirem o lucro que é o dogma da propriedade privada dos meios de produção são quem constituem a burguesia, que é a dominante em uma sociedade dividida em classes sociais.

Almir da Silva Lima – é militante da seção brasileira da Corrente Marxista Internacional a Esquerda Marxista corrente intra PT onde integra o diretório municipal em Macaé (RJ).

Deixe seu comentário

Leia também...

França: Macron perde o brilho enquanto se prepara para atacar os trabalhadores

Desde que Macron foi eleito, esse garoto propaganda do liberalismo europeu e autodenominado presidente jupiteriano[1] …

Deixe uma resposta