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Crescem as ocupações de escolas em SP!

No dia 9 de novembro de 2015, a Escola Estadual Diadema foi ocupada pelos estudantes. No dia seguinte, os estudantes da E.E. Fernão Dias também ocuparam sua escola. Esse foi o início do movimento que se alastrou pela capital paulista e pelo interior do estado. Nesse momento, já são mais de 100 escolas ocupadas e o número segue aumentando.

No dia 9 de novembro de 2015, a Escola Estadual Diadema foi ocupada pelos estudantes. No dia seguinte, os estudantes da E.E. Fernão Dias também ocuparam sua escola. Esse foi o início do movimento que se alastrou pela capital paulista e pelo interior do estado.

Atualmente já são mais de 100 escolas ocupadas contra a famigerada “reorganização escolar” do governo estadual. Como já explicamos, esse projeto irá fechar 94 escolas, superlotar salas, piorar as condições de trabalho dos professores, além de impossibilitar que os pais escolham onde seus filhos irão estudar. Todo esse projeto não passa de uma medida de corte de gastos para garantir o pagamento da dívida pública, dos banqueiros, às custas da classe trabalhadora.

Essas ocupações têm demonstrado um crescimento no nível de consciência política e disposição de luta da juventude. Os próprios alunos organizam a segurança, a alimentação, a limpeza, a comunicação, a arrecadação e dormem nas escolas em troca de turnos, sendo apoiados por professores e pais. Mesmo com as diversas intimidações da PM, os estudantes resistem e respondem com segurança às provocações. O nível de organização interno das ocupações tem surpreendido a população e facilitado a conquista do apoio da comunidade aos estudantes, contra o governo de Geraldo Alckmin (PSDB).

De junho de 2013 a novembro de 2015

O governo estadual e a burguesia temem um novo “Junho”, mês das grandes mobilizações em 2013, por isso hesitam em reprimir. O que não entendem é que foram as “Jornadas de Junho” que abriram as possibilidades de surgimento de um processo como esse.

Naquele ano, milhões de pessoas saíram às ruas do Brasil em protesto contra “tudo que está aí”, a partir da luta contra o aumento da tarifa do transporte e a repressão contra as manifestações. Apesar de bandeiras confusas também terem sido presentes, esse processo acertou em cheio a consciência da classe trabalhadora e da juventude, abrindo uma nova situação política no país.

O número de greves em 2014 chegou a milhares no país, ganhando em alguns casos um caráter de massa, ultrapassando os limites impostos pelas direções sindicais. O mal estar na sociedade só se aprofunda desde então, o que é intensificado pela crise econômica mundial que chega ao Brasil. No primeiro semestre desse ano, greves de servidores e operários. Agora, os estudantes secundaristas tomam a frente e se levantam.

Desde o fim de setembro, manifestações de rua foram organizadas contra a “reorganização” com centenas de estudantes de várias escolas. Aos poucos, esses se tornaram milhares, culminando em um gigantesco ato no dia 29 de outubro com mais de 50 mil manifestantes entre alunos, professores e pais. Isso foi o suficiente para barrar metade das escolas que iriam fechar, de 188 o governo reduziu a lista para 94. Porém, ainda assim, 711 mil alunos e 74 mil professores seriam atingidos pela “reorganização”. Diante da intransigência do governo, os estudantes decidiram ocupar as escolas.

As manobras do governo e a resposta dos estudantes

O governo Alckmin, no dia 19 de novembro, em tentativa ridícula de ludibriar os estudantes, apresentou uma proposta de, caso as escolas fossem desocupadas, discutir com a comunidade escolar a “reorganização” por algumas semanas. Essa proposta soou como um deboche e mais 10 escolas foram ocupadas algumas horas após sua apresentação.

O movimento só cresce. Após a primeira ocupação, o governo apostou que os estudantes não aguentariam o fim de semana, fazendo chacota pública em relação a isso. O resultado foi que o número de ocupações triplicou na semana seguinte. Novamente o governo apostou que os estudantes não aguentariam segurar as ocupações no feriado e fim de semana entre os dias 20 e 22 de novembro. A resposta dos estudantes foi mais ocupações, inclusive no dia 20 (feriado em São Paulo). Podemos dizer que o governo Alckmin foi colocado contra a parede. É possível barrar toda a “reorganização”!

Hoje, 23 de novembro, já são mais de 100 escolas ocupadas.

Uma escola de luta de classes!

É possível barrar a reorganização nesse momento. Em mais um sinal de divisão da burguesia sobre como agir, foi recusado pela justiça o pedido do governo estadual de reintegração de posse das escolas ocupadas.

Um importante passo para a vitória é a unidade entre as escolas ocupadas. O que poderia se dar com plenárias de representantes e um comando de luta unificado das ocupações contra a “reorganização”.

Os militantes da Esquerda Marxista apoiam e participam dessas ocupações, que têm sido uma verdadeira escola de luta de classes para muitos jovens. Em cada enfrentamento com a mídia, a polícia, o judiciário e o governo, ficam evidentes as mentiras, manipulações, violências e injustiças, para defender os interesses de um punhado de parasitas. Nessas belas mobilizações, os jovens secundaristas de SP despertam para a luta e elevam sua consciência de classe, a consciência de que o problema é o sistema e a luta é contra o capitalismo.

TODO APOIO À LUTA DA JUVENTUDE!

OCUPAR AS ESCOLAS PRA BARRAR A “REORGANIZAÇÃO” ESCOLAR!

CONSTRUIR A UNIDADE DAS ESCOLAS OCUPADAS!

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