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Corbyn, ignore os hipócritas e diga: Tirem as Mãos da Venezuela!

Deputados trabalhistas de direita estão pressionando Jeremy Corbyn a condenar o “ditador” venezuelano Nicolás Maduro e sua “falsa eleição” (como dizem) de uma nova Assembleia Constituinte. Tendo ficado relativamente quietos desde os impressionantes resultados do Partido na eleição geral, os Blairistas agora veem a Venezuela como uma fenda na armadura de Corbyn e esperam enfiar a faca através dela.

Corbyn deve responder a esses ataques cínicos defendendo o legado da Revolução Bolivariana, condenando o comportamento assombroso – e completamente antidemocrático – da oposição de direita na Venezuela, e exigindo o fim de toda intervenção imperialista.

No passado, Corbyn mostrou sua solidariedade com o povo venezuelano e com os logros de Hugo Chávez. Depois da morte de Chávez em 2013, Corbyn falou em uma vigília em Londres, quando aclamou Chávez por nos mostrar que havia uma “forma diferente e melhor de fazer as coisas. Isto se chama socialismo, chama-se justiça social e é algo onde a Venezuela deu um grande passo”.

Ataques Blairistas

Desde o início, na Venezuela, a oligarquia e elementos da oposição reacionária estão envolvidos em uma luta para derrubar o governo e reverter todas as conquistas da Revolução Bolivariana.

Portanto, não é nenhuma surpresa que o establishment capitalista no mundo todo esteja atualmente unido em sua condenação a Maduro por celebrar as eleições da Assembleia Constituinte – tanto livres quanto legais – que a oposição boicotou.

Na Grã-Bretanha, iniciaram uma campanha de difamação contra o líder trabalhista na imprensa Tory (e na BBC, devemos registrar), com o Sun vociferando que Corbyn tomou a “viciosa ditadura Marxista” da Venezuela como um modelo para sua visão da Grã-Bretanha. Essa hipocrisia foi ecoada pelo governo Tory…, mas não só por ele, como parece.

Os Tories e seus porta-vozes dos meios de comunicação foram rapidamente seguidos pela direita do Partido Trabalhista, que se juntou aos ataques usando-os como mais uma oportunidade de tentar caluniar e enlamear Jeremy Corbyn.

O notório Blairista Frank Field (que, diga-se de passagem, colocou Margaret Thatcher em sua galeria de heróis!), por exemplo, falou à BBC que a resposta de Corbyn à Venezuela seria um “teste da liderança de Corbyn”. Field falou a Westminster Hour: “Creio que uma das preocupações que as pessoas devem ter é: acreditamos ou não no governo parlamentar? Penso que a resposta dele a isso é crucial”.

Enquanto isso, em uma entrevista à Newsnight, o ex-ministro e Blairista extremista, Tom Harris, descreveu “duas posições muito diferentes no Partido Trabalhista: a tradicional e a moderna”. A última estaria supostamente na tradição de “Attlee, Wilson e Blair [que] se distanciaram dos grupos revolucionários Marxistas”, enquanto “Jeremy Corbyn e a esquerda dura nunca viram uma república da banana de que não  tenham gostado”.

Blair é um modelo muito pobre para servir como objeção de princípio à ditadura, dadas suas íntimas relações com os déspotas da Arábia Saudita: uma nação que rotineiramente decapita pessoas por crimes como apostasia e homossexualidade.

Em outro lugar, Angela Smith (uma deputada trabalhista que se senta em um novo grupo parlamentar multipartidário sobre a Venezuela) sentiu-se “consternada” com a “destruição voluntária das estruturas democráticas” na Venezuela, enquanto Liz McInnes, ministro-sombra das Relações Exteriores do Partido Trabalhista, exortou “o governo da Venezuela a reconhecer suas responsabilidades de proteger os direitos humanos, a liberdade de expressão e o estado de direito”.

Esses “defensores incondicionais da democracia” nunca perdoaram a Chávez por desafiar os capitalistas e os oligarcas, e têm a intenção de fazer de tudo ao seu alcance para apoiar a oligarquia na tentativa de destruir a Revolução Bolivariana.

Além disso, é evidente que a reverência desses deputados pela “democracia” e pelo “estado de direito” não se estende às ações violentas da oposição venezuelana. Os arruaceiros anti-Bolivarianos deliberadamente destruíram lojas de alimentos; a corte suprema foi atacada com granadas lançadas de um helicóptero sequestrado; Chavistas verdadeiros ou suspeitos de o ser foram linchados; e um jovem negro venezuelano chamado Orlando Jose Figuera foi queimado vivo no bairro Altamira de Caracas, por uma gang de rua formada por racistas que o considerou como apoiador do governo.

Durante as eleições da Assembleia Constituinte, os oposicionistas bloquearam o acesso aos postos de votação, destruíram material e máquinas e mataram um membro da Guarda Nacional que tentou proteger os eleitores. Pelo fim do dia, entre 10 e 15 pessoas tinham sido mortas pelos oposicionistas, incluindo um candidato à Assembleia Constituinte, em Bolívar. Desde então, uma gang de homens com uniformes militares tentou organizar um ataque violento nas proximidades da cidade de Valencia. Naturalmente, os “democratas” ocidentais não tiveram nada a dizer sobre isso.

O apoio da direita – tanto em termos mundiais quanto na Grã-Bretanha – à oposição venezuelana equivale a apoiar o General Pinochet contra Salvador Allende: o presidente socialista do Chile democraticamente eleito, que foi deposto e assassinado por um golpe patrocinado pelos EUA. De fato, devemos lembrar que os Tories e Thatcher deram apoio especial e louvaram Pinochet até a sua morte.

 

Defender a Revolução Bolivariana

Jeremy Corbyn condenou a “violência de todos os lados” e exortou ao diálogo. Mas a oposição venezuelana não está interessada nisso de forma alguma e está decidida a derrubar o governo por qualquer meio que puder.

Enquanto isso, Emily Thornberry agora também criticou o “governo crescentemente autoritário” de Maduro. Um porta-voz de Thornberry disse que o Partido Trabalhista já havia pedido ao governo venezuelano para respeitar os direitos humanos e “desafiou pessoalmente o presidente Maduro a responder às legítimas preocupações da comunidade internacional sobre seu governo cada vez mais autoritário”.

Isso reflete a pressão da direita do partido, mas também a debilidade dos reformistas de esquerda, que sempre tentam apaziguar a direita.

Devemos advertir que, se a oposição tiver êxito em derrubar o governo de Maduro, abolirão a constituição (como fizeram durante o golpe de 2002), destruirão os programas sociais, bem como todas as conquistas da Revolução Bolivariana. Imediatamente, iriam impor um regime de austeridade e de privatização em massa. Certamente, também não respeitariam os direitos democráticos dos que apoiam a Revolução Bolivariana.

Em vez de fazer conferências sobre o governo de Maduro, o Partido Trabalhista deve enfrentar a oposição reacionária, defender as conquistas da Revolução Bolivariana e afirmar sua solidariedade com a classe trabalhadora venezuelana, sobre cujos ombros descansa o futuro do país.

Esses ataques das gangs contrarrevolucionárias na Venezuela também são uma advertência a Corbyn e a qualquer novo governo trabalhista. Qualquer tentativa de se mover em uma direção socialista encontrará reação similar das grandes empresas e seus apoiadores. É por esta razão que dizemos que um governo trabalhista de Corbyn deve assumir o controle dos altos comandos da economia e colocar o poder nas mãos da classe trabalhadora.

Nós dizemos: Apoiar a Revolução Bolivariana! Condenar a oposição violenta! Expropriar a oligarquia!

Tradução Fabiano Leite.

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