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Convulsão social na Romênia: luta contra corrupção prepara acirramento da luta de classes

Os primeiros sinais de uma situação revolucionária já chegaram na Romênia, importante país dos Balcãs, no leste europeu.

Uma das pré-condições para que uma situação revolucionária possa surgir e se desenvolver é a recusa dos trabalhadores e da juventude em aceitar as condições de vida que antes consideravam normais. Os primeiros sinais disso já chegaram na Romênia, importante país dos Balcãs, no leste europeu.

Centenas de milhares de pessoas tomaram as ruas da capital Bucareste em reação à tentativa do governo de suavizar as leis que combatem a corrupção, problema endêmico no país. Segundo o projeto de lei, lançado na última quinta-feira (1/2), qualquer caso que envolvesse valores inferiores a 47 mil euros poderia ser julgado de forma mais flexível, o que foi compreendido como uma tentativa de descriminalizar esse hábito tão comum dos políticos burgueses.

E as suspeitas não são de forma alguma infundadas. O ex-primeiro ministro Victor Ponta, do mesmo partido hoje no poder, os socialdemocratas, foi deposto após gigantescas manifestações em janeiro de 2015. Elas ocorreram logo após uma terrível tragédia em uma boate de Bucareste, na qual 64 pessoas morreram. Muitos culparam a corrupção no governo, sobretudo nos órgãos fiscais, pelas mortes.

Após um breve período de governo “interino”, novas eleições foram convocadas no ano passado. Novamente, os socialdemocratas venceram as eleições. Contudo, o partido encontrava-se sob nova liderança. E o homem que tomou o lugar de Ponta, Liviu Dragnea, não pode assumir o cargo de primeiro-ministro, pois ele já foi condenado por fraude eleitoral no passado.

Justamente por isso que o novo governo lançou um projeto de lei, que ainda está em debate no legislativo, propondo perdoar sentenças inferiores a cinco anos. As acusações contra Dragnea, que incluem também corrupção e abuso de poder, significariam uma condenação de apenas dois anos, o que o permitiria escapar da prisão e servir como primeiro ministro, caso a nova lei seja aprovada.

Contudo, a pressão das ruas já fez tremer o governo, que foi forçado a recuar da proposta que efetivamente descriminalizava certos casos de corrupção apenas três dias depois de apresentá-la. Mas ninguém tem ilusões de que os protestos terminarão tão cedo. A corrupção é apenas a insatisfação mais palpável da população. As origens dessa revolta tão súbita e massiva são as mesmas das tantas outras que temos visto ao redor do mundo: a crise do capitalismo, que empurra as condições de vida do povo para além dos limites do suportável, gerando uma insatisfação profunda com o que antes era visto como a “normalidade”.

No caso da Romênia, a atual crise capitalista veio piorar a desigualdade social e a desindustrialização surgidas logo após a restauração do capitalismo. A economia tornou-se mais pobre, e a corrupção e o autoritarismo, que já existiam no período da burocracia stalinista, tornaram-se ainda mais presentes.

Na Romênia, assim como em todo o planeta, a insatisfação só vai aumentar. Como disse o analista político romeno Radu Madgin: “Existe uma atmosfera pesada de descontentamento”. A tendência inevitável é que esse descontentamento evolua para uma radicalização e um consequente salto de consciência em um número cada vez maior de jovens e trabalhadores. E a palavra “socialismo”, que a elite romena imagina ter apagado há duas décadas, voltará com força, mas desta vez com o seu verdadeiro significado!

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