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Contribuição da Esquerda Marxista ao 4º Congresso do Partido dos Trabalhadores

Em um momento onde a crise se aprofunda em nível mundial e no Brasil, a Esquerda Marxista apresenta publicamente sua contribuição aos delegados e militantes, aprofundando o diálogo para que o PT vire à esquerda e reate com o socialismo.

Virar à esquerda! Reatar com o socialismo!

Por um Governo do PT sem Ministros Capitalistas!

Em um momento onde a crise se aprofunda em nível mundial e no Brasil, a Esquerda Marxista, tendência interna do partido, apresenta publicamente sua contribuição aos delegados e militantes, aprofundando o diálogo para que o PT vire à esquerda e reate com o socialismo.

O capitalismo chegou a uma situação de impasse mundial. Nenhum país está isolado desta crise que assola o planeta. No final de 2010, a burguesia e seus arautos não se cansavam de anunciar que já se viam “os brotos verdes” do renascimento econômico na Europa e EUA. Agora tremem outra vez e vemos a reação extraordinária da juventude e dos trabalhadores em todo o mundo.

Na revolução árabe que destroça ditaduras no Oriente Médio e no norte da África, na Grécia, com doze greves gerais em um ano, greves gerais na França, na Espanha, na Inglaterra, e nas mobilizações que buscam derrotar os Planos de Austeridade ditados pelo FMI, Banco Central Europeu e União Europeia. Nos EUA greves e reação nos sindicatos já se fazem sentir. No Chile vemos a magnífica luta da juventude em aliança com os trabalhadores para derrotar a direita e conquistar Educação Pública e Gratuita. Este é o caminho. Nenhuma colaboração de classes. O capital e seus partidos são o inimigo!

Ninguém está isolado no mundo capitalista e ninguém será poupado na convulsiva situação econômica e política que vivemos. É tudo uma questão de prazos e de ritmos. Isso também vale para o Brasil. E os sinais já se fazem sentir.

O aprofundamento da crise na Europa e nos EUA terá como consequência um forte impacto nos países dependentes como China, Brasil e outros. A recessão européia e norte-americana provoca uma retração (exportação e produção) na China e por extensão na exportação de commodities brasileiras e argentinas. Isso significa que também a venda de manufaturados brasileiros para a Argentina sofrerá um forte impacto. Uma situação convulsiva varre o mundo e ninguém está isolado dela.

A cada crise, a cada impulso, mais e mais o conjunto da economia capitalista se orienta para a transformação das forças produtivas em forças destrutivas. Esta repetição trágica de catástrofes é que conduz a Humanidade inteira em direção à barbárie e só pode ser interrompida pela ação das massas oprimidas e exploradas sob a direção da classe operária organizada no seu partido. É neste sentido que os petistas devem se orientar.

A bomba relógio brasileira

Toda a história brasileira das últimas décadas é a montagem de uma bomba relógio econômica.

A Dívida Externa brasileira total (soma da dívida pública e da dívida “privada”) é atualmente de US$ 389 bilhões (dados do BC). A Dívida Interna, transmitida por FHC ao governo Lula, era de R$1 trilhão de Reais.

Hoje é de R$ 2,382 trilhões (dados do BC). É por esta razão que do Orçamento Federal de 2010 vai 45% para pagamento da Dívida e apenas 2,2% para Trabalho, 2,74% para Assistência Social, 2,89% para Educação e 3,91% para Saúde. Um escândalo!

Existe dinheiro para resolver todos os problemas nacionais de Saúde e Educação, de Moradia e de Trabalho. Mas isso não é feito por causa da dominação imperialista sobre os recursos do país, incluído aí seu Orçamento Federal. A submissão aos interesses imperialistas e da burguesia nativa brasileira (sócia menor do capital internacional) são a causa da desgraça do sofrido povo trabalhador e da angústia da juventude.

Ao mesmo tempo, o Banco Central mantém Reservas Internacionais (cuja única finalidade é “garantir” o pagamento da Dívida) no valor de US$ 353 bilhões, aplicadas em Títulos norte-americanos que pagam juros de 0,25% ao ano, ou seja, descontada a inflação dos EUA (3,9%) temos “juros negativos” (!), enquanto aqui se paga 13% ao ano!

Além disso, continuam as privatizações: Leilões de campos de petróleo, aeroportos, estradas, usinas hidrelétricas, Serviços Públicos na Saúde e Educação, terceirizações, etc, etc. Lula assinou no último dia de governo uma MP que permite privatizar toda a Saúde através de “Fundações Públicas de Direito Privado” e de ditas “Organizações Sociais” (OSs).

Continuam os investimentos públicos para alimentar a indústria privada através do Plano Brasil Maior, de Parcerias Público-Privadas, e inúmeras outras iniciativas, como o PAC. Esse Plano nada mais é que a transformação do Brasil em uma moderna plataforma de exportação agro-mineral, que terá como consequência direta o aprofundamento ainda maior da subordinação da economia brasileira às necessidades imperialistas no mundo.

Uma bomba relógio está armada e se não for desarmada pela revolução socialista, as próximas gerações pagarão muito caro por isso.

De que ponto de vista o PT deve enfrentar a crise

Começa também uma crise política. Enquanto o PMDB engole o governo, três ministros foram derrubados por acusações de corrupção. Um quarto ministro foi demitido, o ministro da Defesa, Nelson Jobim. As razões são conhecidas. As alianças com os partidos burgueses só podem alimentar essas situações.

À medida em que a burguesia, por razões econômicas e políticas, é cada vez mais incapaz de governar com base no apoio das massas, transforma as próprias democracias burguesas em simulacros cada vez mais bastardos, num processo de mafiossização dos estados burgueses que se acelera em todo o mundo. Mas, a derrubada em série de ministros também é fruto da aproximação da crise econômica que se aprofunda nos EUA e na Europa.

Só a ruptura do PT com os partidos burgueses e o Capital pode salvar o governo e o partido das consequências da decomposição social e política do Estado Burguês e do capitalismo.

O caminho necessário para enfrentar a crise, do ponto de vista dos trabalhadores, é a ruptura com o capital. Luta de classes para vencer o inimigo. E isto exige do PT a ruptura com o imperialismo, a burguesia nativa e seus partidos, romper com a política de colaboração de classe, expulsar os ministros capitalistas do governo e constituir um governo socialista dos trabalhadores, apoiado na CUT, no MST e nas organizações populares.

E assim, abrir caminho para o fim do regime da propriedade privada dos grandes meios de produção, organizando coletiva, democrática e planificadamente o controle da economia e da sociedade em direção ao socialismo.

A classe trabalhadora vai resistir e vai vencer

Por isso saudamos a Resolução da CUT: “A CUT condena o mérito e o método do Plano Brasil Maior”: “A Direção Executiva Nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), reunida em São Paulo nos dia 02 e 03 de agosto de 2011, manifesta sua posição política contrária à implementação do “Plano Brasil Maior”, anunciado pelo Governo Federal no dia 2 de agosto de 2011”. Independente das ilusões reformistas de “tripartismo” da maioria da direção da CUT esta é uma posição positiva. O “Tripartismo” paralisa e conduz à derrota no tapetão. Com a crise, os capitalistas não dão nem migalhas, querem é retirar as conquistas. Trata-se agora de organizar e mobilizar para defender direitos, conquistas e reivindicações ameaçadas pelos anúncios do governo. Este é o caminho para vencer e deveria ser o caminho do PT.

O governo já anunciou corte de R$50 bilhões no Orçamento e cerca de R$ 95 bilhões em renúncia fiscal e financiamentos empresariais privados através do Plano Brasil Maior. Aliás, as “desonerações” em favor dos empresários só vêm aumentando: 5 bilhões para ajudar o plano de Banda Larga para as Cias Telefônicas, 4 bilhões para os usineiros para aumentar a produção de álcool; e os cortes continuam: 10 bilhões a mais de “superávit primário” anunciados por Dilma e Mantega em 29/08/2011. Uma autêntica política de tirar dos pobres para dar aos ricos.

O caráter da atual etapa do capitalismo decomposto e seu rumo à barbárie ameaça a Humanidade. É preciso virar à esquerda e retomar o caminho para terminar com o regime da propriedade privada dos grandes meios de produção, para uma economia planificada e democraticamente controlada pela classe trabalhadora, o socialismo.

É preciso tomar medidas urgentes:

– Não pagamento das Dívidas Interna e Externa!

– Estatização do Sistema Financeiro. Controle do Câmbio e Monopólio do Comércio Exterior!

– Reforma Agrária, já!

– Re-estatizar todas as empresas privatizadas!

– Petrobrás 100% estatal com todo o Pré-Sal e monopólio do petróleo!

– Revogação das Reformas da Previdência!

– Educação e Saúde Públicas e Gratuitas para todos!

– Proibição de demissões e estabilidade no emprego!

– Estatização das fábricas quebradas ou que ameaçam demitir!

– Fim da criminalização dos movimentos sociais!

– Abertura dos arquivos da ditadura militar! Punição dos responsáveis pela ditadura, pela tortura e perseguição política!

O que a classe trabalhadora e a juventude precisam é de um governo socialista que retire as tropas do Haiti e apoie as lutas dos trabalhadores em todo o mundo contra a opressão e exploração capitalista.

Por um Governo do PT, sem ministros capitalistas, que atenda as reivindicações populares e lute pelo socialismo!

Convidamos @s companheir@s a fazer contato e ajudar a construir uma grande corrente marxista no PT.

Contato: Serge Goulart : (48) 9900-3663 – E-mail: contato@marxismo.org.br

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