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Contra “Bolsonaros”, independência e luta de classes!

As barbaridades ditas por Bolsonaro são um ataque à classe trabalhadora. Ele é mais um lixo, fruto do decadente capitalismo.

No último dia 9, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP) soltou mais uma de suas barbaridades ao dirigir-se à deputada federal Maria do Rosário (PT), durante discurso no plenário da Câmara, e declarar que só não a estupraria porque ela “não merece”. Ao jornal Zero Hora, ele completou que “ela não merece (ser estuprada) porque é muito feia. Não faz meu gênero”.

Essa atitude desprezível ocorreu após a deputada fazer um pronunciamento sobre a Comissão da Verdade, com críticas à Ditadura Militar. Bolsonaro é defensor aberto do regime, considerando-o um período glorioso na história do Brasil, “20 anos de ordem e progresso”. Nada mais coerente, louvar um regime que utilizou o estupro como prática de tortura, como é descrito pelo próprio relatório da Comissão da Verdade.

Na entrevista ao Zero Hora, acrescentou ainda ser justo as mulheres receberem um salário menor do que os homens, por conta da licença maternidade: “Por isso que o cara paga menos para a mulher! É muito fácil eu, que sou empregado, falar que é injusto, que tem que pagar salário igual. Só que o cara que está produzindo, com todos os encargos trabalhistas, perde produtividade (…) Se a Dona Maria não quiser ganhar isso, que procure outro emprego! O patrão sou eu”

Bolsonaro utiliza-se de declarações escandalosas e reacionárias para ganhar publicidade e alimentar uma ideologia baseada no ódio à esquerda, aos movimentos sociais, e de propagação do racismo, da homofobia, do machismo, ou seja, da divisão do proletariado.

Ele educou os filhos na sua escola. Segue a cartilha o vereador carioca Carlos Bolsonaro e o Deputado Estadual do RJ, Flavio Bolsonaro. Outro filho, Eduardo Bolsonaro, deputado federal recém-eleito pelo PSC de São Paulo, incitou, em manifestação na Avenida Paulista, no dia 1º de novembro, o assassinato da presidente Dilma ao declarar que “se meu pai (Jair Bolsonaro) fosse presidente (do Brasil) ele teria fuzilado a presidenta Dilma”. Diante do silêncio do PT e de Dilma, os mandatos dos vereadores da Esquerda Marxista apresentaram representação criminal contra Eduardo Bolsonaro por incitação ao Magnicídio (assassinato de chefe de estado) – Ver aqui: http://www.marxismo.org.br/content/mandatos-da-esquerda-marxista-entregam-representacao-criminal-contra-eduardo-bolsonaro-pelo

A liberdade de ação de tipos como os “Bolsonaros” tem responsabilidade direta da direção do PT, que se recusa a mobilizar de fato as massas por suas demandas e no combate a esses reacionários. A colaboração de classes do PT bloqueia e desorganiza a luta, isso fica evidente quando constatamos que o PP, partido de Bolsonaro, faz parte da base aliada do governo Dilma. É também impossível esquecer aquele aperto de mão de Lula e Maluf, do mesmo PP, fechando acordo para formação da coligação para a prefeitura de São Paulo em 2012.

Depois de se aliar ao inimigo, depois de fazer toda uma série de concessões à burguesia, o PT convocou atos para o dia 13/12 em defesa de Dilma, sugerindo a TAG #ContraGolpeÉDilmadeNovo. Resultado, menos de 100 pessoas no MASP para defender o governo. As massas indo para a direita? Onda conservadora? Não! Recusa em apoiar um governo que se ajoelha aos interesses do capital.

O povo não é bobo e percebe que o tal golpe é uma cortina de fumaça. Hoje, claramente, não é uma opção real da burguesia e do imperialismo derrubar este governo que tem feito de tudo para agradá-los e ainda correr o risco de despertar uma verdadeira resistência popular contra um golpe da direita.

Entretanto, cada cada passo dessa direita reacionária deve ser barrado de forma resoluta pelos revolucionários. As ações de Bolsonaro devem ser repudiadas e derrotadas. O que essa gente defende é uma ideologia de ataques à classe trabalhadora e sua luta. Abrindo caminho para a repressão e criminalização.

Pressionados pela repercussão do caso, PT, PCdoB, PSOL e PSB entraram com pedido de cassação do mandato de Bolsonaro, mas limitar-se a isso é pedir para tudo acabar em nada. Esta não é a primeira, nem a mais grave ação de Bolsonaro. Em 2003, ele já tinha dito que só não estuprava a mesma Maria do Rosário porque ela não merecia e completou ainda empurrando-a e chamando-a de vagabunda. Entraram com pedido de cassação e o que aconteceu? Nada. O mesmo resultado teve o episódio em que Bolsonaro deu um soco no senador Randolfe Rodrigues (PSOL) em visita da Comissão da Verdade ao quartel onde funcionou o DOI-Codi. Para os que acham que ele está preocupado com a perda do mandato, responde: “Eu já respondi a mais de 30 processos de cassação nesta Casa”.

Bolsonaro tem que perder o mandato e mais, ser processado, julgado e preso. Afinal, o que está subentendido quando ele declara que uma determinada mulher não merece ser estuprada, é que outras, que “fazem o seu gênero”, mereceriam o estupro. Isso é incitação a um crime hediondo que, no Brasil, aflige uma mulher a cada 12 segundos, causando graves consequências físicas e psicológicas.

Nada, absolutamente nada vai ser feito se depender apenas desse Congresso de picaretas ou da justiça burguesa encabeçada pelo STF que julga de acordo com seus interesses de classe. Em última instância, é a pressão da luta de classes que pode arrancar alguma coisa. Também dizemos Fora Bolsonaro, compreendendo que ele é parte de todo o lixo criado pelo sistema capitalista, que deve ser varrido com luta e independência de classe.  

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