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Contra a falta de água, luta pela estatização e controle popular

A falta de água no estado de São Paulo desmascara uma série de problemas muito maiores do que a simples escassez de chuvas.

A falta de água no estado de São Paulo desmascara uma série de problemas. Os que culpavam a falta de chuvas, estão agora pasmos. A água continuará a faltar, mesmo que caia muita chuva nos próximos meses. A Agência Nacional de Águas (ANA) acusou a SABESP por não ter realizado obras. Isso é verdade. Mas a própria criação da Agência foi parte de um plano de privatizações no saneamento básico pelo Brasil afora. 

Pouco se investiu para se preparar para o futuro. Estudos sérios comprovam que na região da grande São Paulo, os índices pluviométricos aumentaram significativamente nos últimos anos.

Não foram feitas obras preventivas e significativas nos últimos 15 anos no estado de São Paulo. Apesar do conhecimento da existência dos ciclos das chuvas e da ocorrência de ciclos de estiagens longos em determinados períodos. Nada foi feito para reservar a água das chuvas, cujos índices pluviométricos aumentaram incessantemente nos últimos 80 anos. Ver: revistapesquisa.fapesp.br

O objetivo primeiro das privatizações foi o de gastar menos e acumular mais nas mãos de poucos, reduzir o papel público do Estado, logo os investimentos que não foram aplicados em obras serão menos ainda aplicados em pesquisas.

Regiões com altos índices pluviométricos seguem existindo, apesar do barulho que faz a indústria catastrofista verde.

De fato o que ocorreu foi a completa negligência das autoridades que aceitaram e praticam a lógica capitalista de transformar o Brasil em uma imensa plataforma de exportação onde o latifúndio e o agronegócio, a extração de matérias primas, são seu pulmão e a água é indispensável na indústria frigorífica, têxtil, de alimentos, bebidas, automobilística.

A população se ergue contra a falta d’água. Avançar na luta pela estatização e controle popular.

Em algumas cidades afetadas pela falta d’água o povo se levantou e se manifestou por várias e seguidas vezes. Em Itu enfrentou a polícia, em São Paulo concentrou-se em frente à SABESP, trancou a marginal em manifestação organizada pelo MTST. Em Campinas ocorreram manifestações nos bairros. Elas são apenas o começo de algo que pode aumentar com a ampliação do problema.

O governo Alckmin, depois de negar que havia racionamento, veio a público anunciando obras e mais obras. Vamos ver. O que interessa é que a SABESP declarou que faltará água em 2015 e 2016. O que interessa é que se perde cerca de 40% da água pelas tubulações cheias de trincas. O que interessa é que a SABESP é hoje uma empresa de capital acionário e seu objetivo é faturar no mercado mundial com a compra e venda de suas ações. O bem estar público foi esquecido e para que ele volte a ser o centro de suas atividades há que “retomar a SABESP” como empresa estatal. Essa é a primeira exigência a ser colocada pelos movimentos, ao lado da exigência de que nas torneiras tenha o precioso líquido.

Nenhuma solução duradoura será possível em curto prazo e necessariamente a população será levada a realizar mobilizações e lutas, nas quais, em seu bojo, deve ser colocada a questão da estatização das nascentes, dos mananciais, das matas de encostas e ciliares, das florestas, bem como de todas as riquezas do solo e subsolo, o que inclui a estatização do Aquífero Guarani em sua parte que se estende sob o território brasileiro.

Há que estatizar as empresas que cuidam ou deveriam cuidar dos sistemas de água e esgoto, a começar pela estatização e controle popular sobre a SABESP, bem como das grandes fontes de água mineral e dos poços artesianos que se espalham aos milhares pelos pátios das fábricas e nos latifúndios (mais de mil nas terras do agronegócio). Há que se reverter todo o processo de privatização das empresas municipais que foram privatizadas apenas para tornar o serviço rentável e lucrativo, em detrimento do bem estar da população. 

A realização de uma Conferência Popular e Independente pela água poderia, certamente, unificar as mobilizações e dar-lhes um rumo e conteúdo de classe, envolvendo sindicatos e o movimento popular. Há que se colocar também a questão do controle popular sobre as empresas, não na linha dos velhos e poderosos conselhos participativos das gestões tripartites, mas na linha da independência de classes e da luta pelo socialismo.

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