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Congresso Mundial da CMI: Segundo e terceiro dia

Os trabalhos do segundo dia de congresso deram continuidade às discussões de perspectivas mundiais. Camaradas de diversos países fizeram uso da palavra para analisar a situação mundial como um todo, mas também para falar das especificidades dos países onde atuam.

No decorrer da manhã o camarada John Peterson apresentou e justificou, mandatado  pelo Comitê Executivo Internacional, uma proposta de lista para a composição do novo Comitê Executivo Internacional.  A proposta apresentada fica sob análises e proposições dos delegados até o momento de eleição da nova direção.

Já na primeira intervenção, o camarada, Ben Glinieck, da Inglaterra, analisou o momento de enorme crise que vivem as instituições capitalistas, desde a igreja até o parlamento. Assinalou que vivemos um momento muito importante, pois hoje as instituições capitalistas que deveriam dar suporte ao sistema estão desmoronando. Se por um lado, isso dificulta que os trabalhadores tenham confiança nas organizações políticas, por outro ajuda a explicar a importância da construção de outra sociedade, a sociedade socialista.

Em coro com o camarada inglês, o camarada Ted Sprague, da Indonésia, disse que hoje a corrupção em seu país faz com que os trabalhadores duvidem de tudo, mas esta situação também permite que questionem todo o sistema, pois quando olham para outros países, como é o caso da Inglaterra, país que sempre teve certa credibilidade, encontram as mesmas notícias. Portanto, neste sentido, nossas perspectivas são muito importantes para que expliquemos tanto para a juventude, quanto para os trabalhadores que a única saída é a Revolução Socialista.

Os camaradas mexicanos enfatizaram o enorme ataque que têm sofrido quanto aos direitos que adquiriram ao longo do século XX e que hoje há “reformas” trabalhistas em andamento que retiram tudo o que os mexicanos conquistaram. Os serviços’ públicos têm sido fortemente atacado.

Juan de la Cruz, de El Salvador, explicou as greves no setor público que aconteceram em 2013 e mobilizações que aconteceram no centro do país e que tiveram vitórias.

Por outro lado, denunciou o papel criminoso que as direções sindicais tiveram quando dividiram o movimento dos trabalhadores e isso foi muito evidente na greve dos professores no setor público.

Neste segundo dia do congresso, fez parte das tarefas de nossos camaradas brasileiros expor alguns aspectos da situação brasileira. Caio Dezorzi explicou a escalada de repressão que se vive no Brasil, colocando em questão inclusive as liberdades democráticas e Riobaldo Tartarana destacou que este ano onde se comemora os 150 anos da 1ª Internacional tem grande importância discutirmos em toda a Internacional a atualidade da constituição da Internacional de Marx e Engels.

A situação dos Estados Unidos, Canadá, Rússia, Itália, Espanha, Paquistão, Palestina, Ucrânia, Grécia, Brasil e muitos outros fizeram parte da discussão de todo o segundo dia de congresso.

Ao final do segundo dia, Alan Woods, fechou as discussões de perspectivas destacando a importância do documento que teremos em mãos, ao sair deste congresso. Segundo Alan, ter perspectivas é algo fundamental para uma organização. O camarada usou como exemplo o país no qual acontece o congresso, a Grécia, que depois de mais de 30 greves gerais de 24 horas, os trabalhadores estão cansados, não porque agora aceitam a situação desastrosa que vive a Grécia, mas porque ninguém, nem os dirigentes partidários; nem os sindicais apresentam uma perspectiva.

A classe operária grega está contestando o sistema e precisamos ter claro que não se contesta o sistema com um dia de greve, mas sim com uma greve geral por tempo indeterminado, a qual seja política e conteste tudo que está aí, apresentando uma saída aos trabalhadores, o que para nós é a revolução socialista.

Outro exemplo levantado foi com relação à Espanha, quando uma grande parte das massas, procurando um caminho, se volta para o PODEMOS. Diante de tantas questões, Alan ressaltou a questão da Ucrânia. Em primeiro lugar explicou a todos  a importância de termos presente  no congresso o companheiro Dimitri, do Borotba, em seguida falou sobre o plebiscito da Criméia, explicou que os ucranianos dizem que não é possível falar da Ucrânia sem dizer o que pensa sobre a Criméia, esclareceu que a primeira coisa é dizer que o nacionalismo é uma bomba contra nossa política e que muitas organizações de esquerda brincam com isso, “sim, camaradas, somos pelo direito de autodeterminação dos povos, mas isso não quer dizer que somos pela separação das nações”.  O que acontece na Ucrânia hoje não tem nada a ver com o direito de autodeterminação dos povos. É fruto das ações criminosas do governo de Kiev.

Para encerrar o dia tivemos a discussão sobre o financiamento da organização. Uma ótima discussão com contribuições de camaradas do mundo inteiro no intento de construir uma organização forte e independente.

Terceiro dia de Congresso: Questões sobre construção

O terceiro dia de Congresso começou com informe de Fred Weston, do Secretariado Internacional, tratando dos métodos e táticas para a construção de nossas seções ao redor do mundo.

Fred reafirmou que o foco de nosso trabalho, no momento atual, está na juventude, que desperta para a luta e está mais aberta às ideias revolucionárias, sem o peso das tradições do passado. Isso em nada se contradiz com o objetivo de ganharmos a classe trabalhadora, de sermos uma internacional operária. Os que são estudantes hoje, amanhã serão trabalhadores. É preciso educar estes jovens com os métodos de luta de nossa classe, formá-los como marxistas, para que possam olhar o mundo com o olhar da classe operária. Marx, Engels, Lênin, Trotsky, foram todos grandes dirigentes revolucionários, e que foram, em algum momento, também jovens estudantes. Alguns que nos acusam de querer construir um partido de jovens não entenderam nada, nem da história e nem do bolchevismo. É que estão adaptados aos grandes aparatos ou à sua própria rotina.

Um ponto importante é a necessidade de que os jovens estejam abertos a aprender, saibam reconhecer e aprender com os erros, e admitir aquilo que ainda não sabem. E isso também vale para os velhos militantes. A vaidade e a arrogância em nada ajudam na formação de um militante e em geral conduz a desastres políticos. A autoridade de um revolucionário vem com sua capacidade de explicar e convencer, de construir efetivamente, e não com operações de prestígio pessoal ou da imposição de diretrizes de forma burocrática.

Foi destacada a importância de termos um trabalho cotidiano profissional, precisamos ter bons organizadores, bons tesoureiros, que saibam combinar as tarefas administrativas com os objetivos políticos. Secretários de célula que saibam organizar as reuniões para que sejam produtivas, combatendo por sua regularidade e para que as resoluções adotadas coletivamente sejam cumpridas, que a imprensa seja vendida, etc.

O debate foi muito produtivo, com intervenções de camaradas de diversas seções. Os camaradas do Reino Unido explicaram o sucesso da construção junto à juventude, através de um trabalho direto com as Sociedades Marxistas nos locais de estudo e o lançamento da Federação de Estudantes Marxistas.

Camaradas da Grécia, dos EUA, da Itália, etc., também explicaram suas experiências. Sobre o Brasil, explicamos o trabalho que temos desenvolvido com a campanha “Público, Gratuito e Para Todos: Transporte, Saúde, Educação! Abaixo a Repressão!” e o papel que tem jogado a nossa imprensa, em especial o Boletim Foice e Martelo, em nossa construção.

A última intervenção foi do camarada do Paquistão, ele explicou as terríveis condições para a construção da organização no país, e que, apesar dos talibãs, da repressão do governo, da tentativa de cooptação por parte da burguesia, da fome e da miséria geral, temos tido um sucesso espetacular no Paquistão, construindo a maior seção da CMI e uma força política reconhecida no país. Esta intervenção emocionou o plenário e, ao final, o camarada foi aplaudido de pé pelos presentes.

Fred Weston apresentou a resposta final com as conclusões da rica discussão desse dia.

Em seguida, iniciou-se o processo de votação dos documentos. Foi aprovado o informe de Perspectivas Mundiais, discutido nos dois dias anteriores; a resolução sobre construção, discutida no terceiro dia e mais um documento com as Teses sobre Ucrânia.

Desta forma encerrou-se o terceiro dia com um grande ânimo revolucionário. Com a certeza de que os próximos dias do Congresso continuarão a nos armar para construir uma internacional revolucionária com influência de massas, o partido mundial da revolução.

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