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Congresso do PT, um retrato da falência do partido

Entre os dias 11 e 13 de junho, ocorreu o melancólico 5º Congresso do PT. Um Congresso marcado pelo desinteresse do plenário nos discursos, por vaias dos participantes e manobras da mesa, pelo pessimismo sobre a situação política, por uma crise que se aprofunda a cada dia no partido, sem luz no fim do túnel, pois a linha política que provocou tudo isso, foi reafirmada por este Congresso enquadrado pelos interesses do planalto.

 

Entre os dias 11 e 13 de junho, ocorreu o melancólico 5º Congresso do PT. Um Congresso marcado pelo desinteresse do plenário nos discursos, por vaias dos participantes e manobras da mesa, pelo pessimismo sobre a situação política, por uma crise que se aprofunda a cada dia no partido, sem luz no fim do túnel, pois a linha política que provocou tudo isso, foi reafirmada por este Congresso enquadrado pelos interesses do planalto.

A segunda etapa do 5o Congresso do PT evidencia a falência do partido como instrumento de luta da classe trabalhadora.

Enquanto os discursos de Lula, Dilma e dos principais dirigentes exaltavam as realizações dos 12 anos de governo do PT, na dura realidade o que existe é o aprofundamento da crise e dos ataques.

Somente no mês de abril desse ano, foram fechados 97.828 postos de trabalho, desse total, 53.850 só na indústria. A inflação dispara e chega a 8,47% nos últimos 12 meses, maior índice desde 2003. O governo Dilma segue os ataques, faz aprovar as MPs 664 e 665 que retira direitos trabalhistas e previdenciários. Corta verbas de áreas sociais, em especial educação e saúde. Anuncia orgulhosamente uma nova onda de privatizações de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.

Esta é a realidade ausente nos discursos dos dirigentes do PT e na resolução política do Congresso do partido, intitulada de “Carta de Salvador”, uma obra de ficção para defender o governo e a política que destruiu o PT como ferramenta de luta e mobilização.

São feitas, no documento, autocríticas superficiais, como o afastamento do partido em relação aos movimentos sociais, e de não ter sido criado um sistema de comunicação para se contrapor às “corporações midiáticas”. No entanto, o centro, a política de colaboração de classes, isso segue sendo um acerto que “tornou viável, para as administrações comandadas pelo PT, a construção de maiorias parlamentares táticas, que garantiram a governabilidade para aprovação de políticas públicas e manutenção da estabilidade institucional”.

Qualquer traço de crítica ao governo foi retirado do documento final, gerando descontentamento em dirigentes da CUT e na própria base das correntes majoritárias. O máximo que se diz é que “é preciso conduzir a orientação geral da política econômica para a implementação de estratégias para a retomada do crescimento, (…) defesa do emprego, do salário e dos demais direitos dos trabalhadores, que permita a ampliação das políticas sociais”.

Um caso simbólico foi o da discussão sobre o financiamento do partido. Em abril, a direção havia definido que os diretórios do PT não deveriam mais receber dinheiro de empresas, mas, é claro, deixava os candidatos liberados para captar estes recursos. Tal decisão deveria ser referendada pelo Congresso de Salvador. No entanto, a direção recuou, impediu o Congresso de tomar essa decisão e a remeteu para uma nova reunião do Diretório Nacional. Lula explicou no discurso em que lançou a plataforma digital para arrecadação de doações de pessoas físicas que “se precisar” de doações privadas, “com a mesma cabeça erguida com que a gente dá os nossos R$ 10,00, a gente vai pedir”. Na realidade, é a dependência do PT em relação ao financiamento da burguesia e a incapacidade de retomar o financiamento independente junto aos militantes e apoiadores.

Todas as atuais correntes do partido, em suas teses, consideram a existência de um avanço da direita na sociedade, uma “onda conservadora”, e que a solução mágica para todos os males é a Reforma Política. Como já dissemos, a campanha pela Reforma Política desvia o foco da responsabilidade concreta do governo no atendimento das reivindicações populares, e ainda alimenta a ilusão de que é possível melhorar as cada vez mais odiadas instituições burguesas. Uma das propostas centrais dos defensores desse caminho é o financiamento público das campanhas eleitorais, o que só vai completar a estatização dos partidos políticos, com o desvio de dinheiro público para a campanha de candidatos, incluindo os de direita e extrema direita, como Bolsonaro, etc.

Sobre a tal “onda conservadora”, já explicamos em diferentes artigos em nossa página que ela não existe. O que há é uma crescente polarização social entre os trabalhadores em luta, “cansados de tudo o que está aí”, e a burguesia, que precisa intensificar seus ataques com o aprofundamento da crise econômica. Não existe hoje, nem base social para organizações fascistas de massa, nem condições políticas e interesse do imperialismo e da burguesia nacional para um golpe militar, nem mesmo para um impeachment de Dilma. Só os grupelhos de extrema direita acreditam em alguma dessas opções como saída.

A verdade é que o governo Dilma curva-se cada vez mais aos interesses dos capitalistas. Tirar este governo com um golpe ou um impeachment só pode aguçar a luta de classes, abrindo o caminho para uma guerra civil no país. A burguesia trabalha para “sangrar” o PT até 2018 e retomar para suas próprias mãos o governo central. O PT deixou de ser um instrumento útil para eles a partir do momento que deixou de ser capaz de controlar as massas, o que ficou evidente em junho de 2013 e nas grandes greves que se seguiram.

A política de colaboração de classes, de submissão aos interesses da burguesia, destruiu o PT como instrumento de luta para a classe trabalhadora. A esperança depositada por milhões ao eleger Lula, o sacrifício de militantes que deram anos de sua vida para construir o partido, estes tiveram seus sonhos traídos por estes dirigentes. O 5º Congresso do PT só evidencia que não há salvação para este doente que segue se envenenando.  

A Esquerda Marxista, cuja história é marcada pelo combate para a construção do PT, que sempre seguiu firme nos princípios que estiveram na origem do partido e repetidamente defendeu a ruptura da coalizão com a burguesia e a retomada da luta pelo socialismo, decidiu em sua última Conferência, em abril de 2015, encerrar 35 anos de intervenção no PT. Concluímos que não há mais terreno para a construção das ideias do marxismo no interior do partido. A juventude já abandonou o PT há muito tempo, grandes parcelas da classe trabalhadora também. É evidente que o PT esvazia-se de uma militância de esquerda e revolucionária.

Ao contrário do PT e de suas atuais tendências, nós olhamos com entusiasmo a presente situação política. A classe trabalhadora segue forte, em luta, resistindo e em busca de uma saída. As instituições burguesas, incluindo os partidos tradicionais que se empenham na defesa da ordem, ganham cada vez mais o ódio das massas. É o mesmo processo que estamos vendo ao redor do mundo, em especial na Grécia e na Espanha.

São tremores abalando as estruturas do regime capitalista internacional. Um mundo novo lutando para nascer das entranhas do decadente capitalismo. Convidamos todos a se engajarem no combate por uma frente de esquerda que agrupe militantes, sindicalistas, jovens, grupos, movimentos, coletivos e partidos, que busque a unidade para a intervenção na luta de classes entre todos aqueles que permanecem fiéis aos princípios de independência de classe e de luta pelo socialismo, para que travemos juntos os combates contra os ataques e pelas reivindicações, por um futuro digno para a humanidade, para manter acesa a chama que esteve um dia na construção do PT, para seguir em frente na luta pela revolução, pelo socialismo. 

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