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Como produzir uma recessão? Sobre as causas do déficit primário na economia brasileira

Nesta quarta-feira (30/8), foi noticiado um rombo das contas públicas de R$20 bilhões neste ano, que se soma à projeção de outros R$30 bilhões em 2018. Com isso, Temer que dizia “colocar a economia nos trilhos” vai deixar um prejuízo acumulado de R$477,55 bi em três anos, algo como 7,6% das riquezas que todos os brasileiros produziram em 2016.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, declarou que esse rombo se deve a uma queda nas receitas. Em suas palavras, devido a algo muito positivo para a economia que é a queda da inflação.

Conversa para distrair a atenção do fracasso da recuperação econômica, mesmo com uma agenda de ataques.

De um ponto de vista macroeconômico, é possível provocar recessão, isto é, uma queda na produção de riqueza de um país, com uma determinada política econômica. E é exatamente isso que tem sido praticado. Para uma política econômica estritamente ortodoxa, ou seja, extremamente preocupada com o regime de metas de inflação, pouco importa a repercussão dessas políticas para o crescimento econômico e níveis de emprego. Vale tudo, desde que a inflação seja “controlada”. Inclusive afundar ainda mais a economia.

Essas políticas econômicas em geral têm um comportamento restritivo, o que significa conter algumas variáveis macroeconômicas e elevar outras para reduzir a inflação. O controle de moeda é um desses dispositivos. Seja do ponto de vista da moeda como ativo ou de transações, uma política monetária contracionista significa reduzir a quantidade de moeda em circulação e o impacto disso é a elevação da taxa de juros. Essa elevação desloca os investimentos do setor produtivo para a especulação no mercado financeiro, uma vez que os ganhos nesse são certeiros e de curto prazo. Com uma redução na produção provocada por esse deslocamento, a demanda agregada (gastos do governo, consumo, investimentos etc) cai e isso rebaixa os preços na economia, diminuindo a inflação.

As consequências dessa política são um novo ciclo de desinvestimento no setor produtivo, um aumento do nível de desemprego, redução no consumo e por outro lado endividamento das famílias e como consequência, uma redução na arrecadação do governo. Com menos recursos, a repercussão para os serviços públicos e para o funcionalismo já ficaram bastante evidentes.   

Em reportagem do Valor Econômico: ‘‘Meirelles afirmou que a alteração da meta fiscal não é resultado de um aumento das despesas, ‘como já foi feito muitas vezes’, mas por redução das receitas, ‘resultado principalmente de algo positivo para o país, a queda da inflação’, afirmou.’’

Ou seja, escolhe-se reduzir a inflação sob o custo dos mais de 14 milhões de desempregados oficiais. A pergunta que fica é para quem isso é positivo?

Na verdade, a queda da inflação é apenas outra conversa. O governo não vai cumprir a meta fiscal porque a economia não melhorou, a previsão de Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 2017 é negativa e a inflação baixa é reflexo dessa queda na atividade econômica, que não é em nada positiva para o país.

Com essa política, fica claro porque o superávit primário não será cumprido. E pelo contrário, teremos mais um déficit primário e isso sem contar os juros da dívida pública, que continuam sendo alimentados com essa mesma política e que continuam sangrando ainda mais a classe trabalhadora.

O governo Temer, sua equipe de ministros capitalistas e todos os seus aliados no congresso nacional de nada servem à classe operária e à juventude. Essa é a política que eles vieram para aplicar e não têm nada além disso para nos oferecer.

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