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Começa o aquecimento para os jogos da FIFA: vai ter Copa e vai ter luta!

Enquanto os jogadores selecionados por Felipão se preparam para o mundial que começa em 12 de junho, o resto do país começa um aquecimento de outro tipo: da luta de classes. Nas montadoras o clima é de incerteza. Com os estoques aumentando, algumas empresas começam a baixar o preço dos automóveis para tentar vender alguma coisa enquanto preparam férias coletivas e Planos de Demissão Voluntária (PDVs).

Enquanto os jogadores selecionados por Felipão se preparam para o mundial que começa em 12 de junho, o resto do país começa um aquecimento de outro tipo: da luta de classes.

Nas montadoras o clima é de incerteza. Com os estoques aumentando, algumas empresas começam a baixar o preço dos automóveis para tentar vender alguma coisa enquanto preparam férias coletivas e Planos de Demissão Voluntária (PDVs). Todos sabem que a cadeia produtiva das montadoras envolve uma quantidade enorme de empregos. Algumas centenas de postos de trabalho a menos numa montadora correspondem a dezenas de milhares de desempregados na cadeia produtiva.

Estariam os batalhões pesados da classe operária dispostos a se colocar em movimento mesmo com o freio das direções sindicais traidoras? Antes ou durante a Copa é improvável, mas depois da farra da FIFA, não vão ser as eleições que esfriarão os ânimos. O segundo semestre promete.

Porém, não faltam promessas de luta já para o primeiro semestre. Os servidores federais, de diversas categorias, ou já estão em greve ou ameaçam paralisar, antes ou durante o mundial. Isso pode significar mais de 500 mil servidores em greve, afetando serviços que vão desde segurança de aeroportos até a fiscalização de fronteiras, passando pelas Universidades Federais, Judiciário, SUS etc.

O governo diversifica suas táticas: suspende as aulas durante toda a Copa do Mundo nos estados onde haverá jogos do mundial. Oras! Feriado nos dias de jogos do Brasil até é compreensível, mas parar as aulas por 30 dias é completamente desproporcional! Isso só corresponde ao objetivo de impedir que os estudantes se concentrem nas escolas e faculdades durante um período onde tudo é imprevisível. A ideia é dificultar a mobilização da juventude. Mas o tiro pode sair pela culatra. Afinal, ninguém aguenta mais as péssimas condições da educação, da saúde e dos transportes. Ninguém aguenta mais a repressão.

Os protestos sectários sob a consigna “Não vai ter Copa”, como prevíamos, não conquistaram adesão de massas. Porém, a situação é muito instável. A repressão policial cada vez mais violenta pode desencadear um movimento de solidariedade de massas, não contra a Copa, mas contra a repressão. Durante a Copa não é o mais provável, mas não pode ser descartado. Ainda assim, uma manifestação com uma bandeira justa durante o mundial, pode trazer novamente as massas às ruas – este é o potencial que carrega a manifestação pela Tarifa Zero marcada para 19 de junho, em São Paulo.

Em meio a isso, professores de vários lugares entram em greve, com destaque para o Rio de Janeiro, onde estes trabalhadores, da rede municipal e estadual, estão paralisados desde 12 de maio, e para São Paulo, onde os professores da rede municipal estão em greve desde 23 de abril, já tendo realizado passeatas com mais de 10 mil – fato inédito para a categoria nas últimas décadas.

Na última semana, uma dessas passeatas de professores, com cerca de 15 mil manifestantes, ocorreu no mesmo horário que um protesto “Não vai ter Copa”. Apesar de sectários terem proposto que os professores se unissem ao ato contra o mundial, a categoria rechaçou a proposta. Não que estes trabalhadores não compreendam a necessidade de criticar a farra da FIFA com dinheiro público e os abusos cometidos em nome de construir os estádios e a infraestrutura do evento, mas eles não são contra a Copa. Os professores de São Paulo, assim como a maioria da classe trabalhadora brasileira, querem que haja Copa, querem assistir aos jogos, torcer. Só os sectários não compreendem isso.

Outro fato relevante é que a PM reprimiu violentamente o ato “Não vai ter Copa”, enquanto que não houve repressão contra os professores (que estavam em número muito maior e “atrapalharam” muito mais o trânsito na cidade). Isso revela que o governo não se sente seguro para aplicar uma repressão desenfreada a todos. Ou seja, teme uma reação das massas.

A presidente Dilma aparentemente recuou, quando, em abril, numa reunião com organizações de juventude (entre eles a UNE e o MPL), afirmou que o Planalto não encaminharia nenhum projeto de lei que aumentasse a repressão sobre as manifestações. Mas isso não muda o fato de que o governo criou a “Força Nacional” para conter os protestos e deixará grandes contingentes das forças armadas aquarteladas, “de prontidão”, durante a Copa do Mundo, inclusive com satélites monitorando o entorno dos estádios!

Sua resposta aos “representantes” da juventude é chamá-los a ajudar o governo a combater pela “Reforma Política”. De nossa parte, temos claro que não será reformando o Estado capitalista e suas instituições que qualquer problema será resolvido. Por isso, em vez de entrar na ciranda do “Plebiscito por uma Constituinte Exclusiva para fazer a Reforma Política”, construímos a campanha “Público, Gratuito e Para Todos: Transporte, Saúde, Educação! Abaixo a Repressão!” que levanta claramente a bandeira do socialismo. Junte-se a nós!

 

 

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