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Cipla e Interfibra: a arma dos medíocres é a calúnia

 

O dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Plásticos de Joinville, recentemente voltou a lançar seu ódio e mentiras contra os trabalhadores da Cipla e Interfibras, que foram ocupadas em 2003 e posteriormente tomadas pela policia federal e entregues para um interventor que demitiu trabalhadores e destruiu todas as conquistas obtidas durante a gestão operária. Carlos Castro em seu artigo, uma vez mais, restabelece a verdade dos fatos.    

Reinaldo Schoereder, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Plásticos, voltou à tona para me atacar neste espaço no dia 07/06 em resposta ao meu artigo que pode ser lido na integra em:

http://marxismo.org.br/index.php?pg=artigos_detalhar&artigo=986.

Schoereder apresenta ilações deturpadas, falsificações e mais do mesmo: calúnias. Para jogar ainda mais na confusão, tenta envernizar seus argumentos sob a base do famoso texto “A Revolução dos Bichos”, adulterando o conteúdo da obra de George Orwell. No conteúdo original, Bola de Neve (referência a Leon Trotsky) é expulso da fazenda pelos cachorros (polícia) a mando do porco tirano (referência a Stalin). O motivo? Impedir que Bola de Neve conseguisse emancipar a consciência dos demais animais.  

Fazendo um paralelo com a obra de Orwell, o interventor (porco tirano) da Cipla e Interfibra expulsou através da Polícia Federal (cachorros) os membros da Comissão de Fábrica (bola de neve) eleitos com 80% dos votos pelos trabalhadores. Inclusive, havia como regra que qualquer assembleia geral poderia destituir a direção eleita. Schoereder até tentou derrubar a comissão numa assembleia, porém, 92% dos operários disseram NÃO ao Sindicato e votaram pela manutenção dos dirigentes. Ele e os sindicalistas foram expulsos pelos trabalhadores a pontapés do interior da fábrica. Na época, os jornais fizeram plena divulgação deste fato vergonhoso que foi acompanhado por políticos e dirigentes de outros sindicatos.

Schoereder acusa que os trabalhadores tiveram reajuste de 35,2% e que meu salário foi reajustado em 200%. Porém, ele esconde o fato em que a Comissão de Fábrica promoveu a pedido dos trabalhadores, uma reclassificação salarial para todos os funcionários aprovada por unanimidade em assembleia geral. Outra omissão se refere a nossa posição sobre o teto salarial na Cipla não ultrapassar o valor pago ao ferramenteiro mais antigo da fábrica. Porém, o interessante é Schoereder se calar perante o absoluto abuso do salário pago ao interventor, acima dos 40 mil reais por mês.

Schoereder omite ainda o fato de que o sistema de segurança eletrônica instalado na residência do coordenador administrativo da Cipla foi decisão unânime da Comissão de Fábrica, após a ocorrência na empresa de dois assaltos com homens armados que roubaram máquinas e documentos e de no mesmo mês, a casa do coordenador ser assaltada três vezes, onde os ladrões vasculharam e levaram apenas documentos.

Schoereder ainda esconde a informação sobre o fato do dirigente da Interfibra que falsificou o registro de ponto e se autodemitiu para receber o FGTS foi sumariamente demitido por proposta do coordenador da fábrica em assembleia geral.

Schoereder faz apologia à intervenção e omite o fato da limpeza ocorrida na Cipla com mais de 700 demissões após um verdadeiro clima de terror, totalmente ao contrário da época em que os trabalhadores elegiam os dirigentes e aprovavam as decisões coletivamente em assembleias. As contas eram divulgadas semanalmente nos murais da empresa. Os operários se orgulhavam de trabalhar e dirigir a fábrica.

A verdade sobre a farsa da intervenção pode ser lida na decisão da própria Justiça Federal:                 

(…) “Declaro encerrada a intervenção judicial das empresas do Grupo Cipla, pois a medida excepcional não se mostrou capaz de garantir a penhora sobre o faturamento e, por conseguinte, a finalidade almejada quando de sua decretação. Encerrada a intervenção, consequentemente, encerra-se a necessidade de manter um interventor/administrador judicial no Grupo Cipla”.

(…) “O controle e administração das empresas do Grupo Cipla deve retornar, de imediato, aos trabalhadores, pois eram esses os administradores do grupo econômico quando decretada a intervenção”.

Os trabalhadores da Cipla e Interfibra mostraram a Joinville e ao Brasil que as fábricas não precisam de patrões e se são capazes de dirigir uma grande empresa, também podem dirigir toda a sociedade.

A auditoria fajuta promovida pelo interventor não conseguiu provar uma vírgula das torpes calúnias lançadas contra os membros da Comissão de Fábrica. Após a greve de janeiro de 2002, os trabalhadores foram violentamente humilhados durante meses pelos patrões quando recebiam a miséria de R$ 30,00 a R$ 50,00 por semana a título de salário. Schoereder e o Sindicato não moveram uma palha para impedir esse absurdo. Portanto, na analogia da “Revolução dos Bichos”, Schoereder se comporta como um mero serviçal do porco tirano que se locupleta à custa dos trabalhadores. 

Neste ano, vamos comemorar os 10 anos desta excepcional experiência que muito orgulharia o autor da Revolução dos Bichos. 

 

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