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CINEGRAFISTA ATINGIDO POR UMA BOMBA: É O RESULTADO DA REPRESSÃO POLICIAL

Quando o artigo de Andreas Maia foi escrito o cinegrafista Santiago Ilídio Andrade ainda lutava pela vida, em coma, no hospital. Agora, está morto. Mas, o artigo mantem toda sua atualidade.

Durante a manifestação contra o aumento das passagens de onibus no Rio, que ocupou a regão da estação de trem da Central do Brasil, um incidente trágico foi destaque em todo o Brasil e no exterior. Um cinegrafista da rede de televisão Band foi atingido na cabeça por uma bomba e teve afundamento do cranio e está internado no Hospital Souza Aguir em estado de coma.

Os primeiros depoimentos de testemunhas oculares afirmam que o conegrafista foi atingido na cabeça por uma bomba lançada pela polícia. Essas testemunhas afirmam com toda certeza que foi  a polícia a responsável. Depois, a rede de televisão Globo apresentou uma sequencia de fotos feitas por um fotógrafo que não quis se identificar, que mostra uma outra versão. Um rojão, desses usados em festividades, foi disparado por um manifestante e atingiu a cabeça do cinegrafista. O desconhecido autor dessas fotos ainda afirma que a pessoa que disparou o rojão foi um Black Bloc. A rede Globo armou um circo nos seus telejornais para provar a veracidade dessa história.

É importante que se saiba que fotos são manipulaveis através de programas de computação gráfica. Pode até ser que essas fotos sejam verídicas mas fica um questão estranha. Por que o autor das fotos não quis se identificar? Essas fotos sustentam a versão da polícia que é contrária aos depoimentos das pessoas que viram o cinegrafista ser atingido por uma bomba. O mais estranho ainda é que nas fotos a pessoa, que o fotografo indentificou como o autor do disparo, aparece correndo junto com outras pessoas e não é um Black Bloc.

É preciso levar em conta também a ação dos provocadores infiltrados pela polícia nas manifestações. Apesar dos orgãos policiais do Rio afirmarem que não estão fazendo mais isso alguem acredida que é verdade?

O importante de se registrar, e este é o centro da questão,  é a atuação da repressão policial nas manifestações. Esta é a política oficial dos governos estaduais e municipais e que conta com o apoio do governo federal. Está dentro de um contexto geral de reprimir as manifestações de massa, criminalizar organizações populares e movimentos e criar todo tipo de intimidação contra os movimentos populares. Quase sempre as pessoas apanham, levam tiros de balas de borracha, saem feridos e são presas pelos simples fato de serem manifestantes. Agora, hipocritamente, a mídia faz alarde no caso do cinegrafista para justificar a ação policial contra os “vândalos”.

Mas, em nada ajuda a política dos Black Blocs e de muitos ultraesquerdistas de entrar no jogo da repressão policial, promovendo um quebra quebra contra ícones do capitalismo ou promover uma batalha campal contra tropas policiais muitos bem treinadas e armadas. Esta política só afasta, pelo medo, a adesão das massas a estas manifestações. A política dos marxistas é de ampliar sempre as manifestações de massa, buscando sempre uma unidade de ação de todos os movimentos, ganhando apoio e simpatia popullar.

O direito à autodefesa é legítimo por parte das manifestações de massa. Mas, isso tem que ser feito em comum acordo com as organizações operárias e populares, partidos e sindicatos com o objetivo de defendar o direito de manifestação. A autodefesa é para proteger a manifestação da violência do Estado. Temos que ter sempre em vista a ampliação dos movimentos de massas e ganhar a adesão da população. A política dos marxistas sempre, sempre deve ser o de deixar claro para as amplas massas que quem pratica a violência é a política oficial do Estado Brasileiro.

O triste episódio do cinegrafista em coma no hospital não foi obra de “vândalos”, mas resultado direto da politica de repressão praticada pelos governos dos senhores Sergio Cabral, Eduardo Paes & Cia (com aval do governo de Dilma Rousseff), verdadeiros gângsteres que promovem a violência policial e que estão envolvidos nos piores casos de corrupção na cidade do Rio de Janeiro.

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