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Chávez deixou claro qual deveria ser o caminho após sua morte

Há exatos 3 anos eu estava fazendo as malas para embarcar rumo a Caracas. O plano era passar um mês, acabei ficando quase dois. Fui ajudar os camaradas da seção venezuelana da CMI (Corrente Marxista Internacional) a realizar uma conferência e o lançamento de um novo jornal, “Lucha de Clases” (www.luchadeclases.org.ve).

Há exatos 3 anos eu estava fazendo as malas para embarcar rumo a Caracas. O plano era passar um mês, acabei ficando quase dois. Fui ajudar os camaradas da seção venezuelana da CMI (Corrente Marxista Internacional) a realizar uma conferência e o lançamento de um novo jornal, “Lucha de Clases” (www.luchadeclases.org.ve).

Foi naqueles dias agitados da revolução venezuelana, mais precisamente em 13 de Abril de 2010, que tive a oportunidade de participar de um ato com uma multidão incontável, centenas de milhares, talvez mais de um milhão de pessoas, muitos de vermelho, mas muitos também de verde oliva… mas não eram militares do exército regular e sim trabalhadores fabris, trabalhadores rurais, estudantes, donas de casa, professores, servidores públicos, etc. Era o povo em armas!

Na avenida estavam perfiladas as “milícias populares” conformadas por qualquer um que queira participar com treinamento aos fins de semana nos seus próprios “Barrios”. Em seu discurso Chávez avisou que a burguesia não poderia mais tentar um golpe como o de 11 de Abril de 2002, porque agora o povo estava armado. E ele tinha razão!

A marcha durou o dia inteiro, até a noite. Nos falantes músicas revolucionárias entrecortadas por intervenções contra o imperialismo, o capitalismo e em favor do socialismo. Chávez só chegaria para fazer seu discurso por volta das 17h.

Conversei com muitos dos milicianos que estavam aí. Uma dona de casa chamada Carmen, que aguardava o discurso do presidente apoiada em seu fuzil AK 47, me disse que uma das coisas que ela pensou que jamais aprenderia na vida seria como desmontar, limpar e montar uma arma. E agora ela inclusive sabe atirar. E que não hesitará em fazê-lo se os “escuálidos” tentarem de novo atentar contra a vontade soberana do povo.

Isso representa uma profunda consciência do povo venezuelano de que as classes dominantes sempre usam discursos pacifistas e anti-violência para promover o desarmamento do povo justamente para poder explorar o povo sem que este possa resistir. Enquanto isso as classes dominantes se armam até os dentes através do aparato de Estado, com arsenais de guerra e armamento policial. E sempre que lhes convém não hesitam em usar toda a violência contra o povo, além de esquecerem-se de todo o discurso pacifista quando decidem fazer as guerras, que nada mais são do que negócios para eles.

A única forma de conquistar a paz e acabar com a violência é tirando do controle de cada país e do mundo todo a classe capitalista que mata bilhões de seres humanos com suas guerras, crises econômicas, desemprego, fome, miséria, drogas, repressão policial e todo tipo de atividade criminosa em nome do lucro. Para isso os trabalhadores devem se armar!

Escrevi um relato dessa minha estadia na Venezuela, onde dizia o seguinte: “Em seu discurso de 13 de Abril, Chávez disse que continuam as conspirações do imperialismo para matá-lo. E alertou que se acaso tentarem um novo 11 de Abril o povo sabe o que fazer: deve radicalizar a revolução, tomar o poder, tomar todas as fábricas, todas as terras, varrer a burguesia do país e implantar o socialismo. A questão que fica é: Por que o povo deve esperar um novo golpe para fazer isso? Por que esperar que Chávez seja morto para fazer isso? Por que não fazer agora mesmo?”

Agora Chávez morreu. Vive na vontade de luta do povo venezuelano. E o povo sabe o que fazer. “No volverán!”

Leia o relato na íntegra aqui:

http://tiremasmaosdavenezuela.blogspot.com.br/2010/04/relato-de-um-camarada-brasileiro-na.html

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