Início / Artigos / Carta da Corrente Sindical Esquerda Marxista à direção da CUT

Carta da Corrente Sindical Esquerda Marxista à direção da CUT

À Direção Executiva da CUT Nacional
(Com cópias aos sindicatos cutistas)

A Corrente Sindical Esquerda Marxista vem expressar o mais veemente protesto e desacordo com a iniciativa do Presidente da CUT, Vagner Freitas, em nome da CUT, e junto com outras Centrais Sindicais, de propor à equipe econômica do governo, uma alternativa para permitir que o Governo autorize as indústrias a reduzirem a jornada de trabalho e os salários, em até 30%, alegando ser uma medida para salvar os empregos em tempos de crise.

À Direção Executiva da CUT Nacional
(Com cópias aos sindicatos cutistas)

A Corrente Sindical Esquerda Marxista vem expressar o mais veemente protesto e desacordo com a iniciativa do Presidente da CUT, Vagner Freitas, em nome da CUT, e junto com outras Centrais Sindicais, de propor à equipe econômica do governo, uma alternativa para permitir que o Governo autorize as indústrias a reduzirem a jornada de trabalho e os salários, em até 30%, alegando ser uma medida para salvar os empregos em tempos de crise.

As entidades sindicais, filiadas à CUT, nunca discutiram ou aprovaram em nenhuma das instâncias estatutárias da CUT esta iniciativa. Quem autorizou a Central Única dos Trabalhadores, através do seu presidente nacional, a fazer tal proposta, que vai contra todos os princípios fundadores e norteadores da prática sindical cutista?

A CUT, até o seu último congresso, reafirmou ser uma Central Sindical independente e autônoma dos partidos políticos, patrões, governos e ONGs, não podendo servir de instrumento para ajudar o Governo e os patrões a desregulamentar os direitos e as conquistas da classe trabalhadora. Direitos e conquistas arrancadas ao longo dos anos, fruto de muitas lutas, perseguições, massacres, assassinatos, demissões, exílios, prisões e torturas. A classe trabalhadora vai lutar contra qualquer tentativa de ataque ou desregulamentação.

Essa proposta do Presidente da CUT não passou por nenhum fórum ou instância da CUT e é uma resposta absurda às declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que disse recentemente que “é preciso cortar pensões, auxilio desemprego e auxilio doença”, como forma de resolver o déficit do governo. Isso, no momento em que as desonerações tributárias das indústrias atingem mais de 100 bilhões de reais. Será que o companheiro Vagner está esquecendo que é Presidente de uma Central Sindical de Trabalhadores, com mais de três mil e quinhentos sindicatos filiados? Esqueceu os princípios elementares da CUT?

O Presidente da CUT afirma que esta proposta foi implantada na Europa e se deu certo lá, também dará certo no Brasil. Desde quando é uma vitória ter corte de salário?

Por que o presidente da CUT não importa os salários e as conquistas inscritas nas convenções coletivas da Europa, em vez de importar redução de direitos e ataques às conquistas dos trabalhadores brasileiros?

Se essa proposta não modifica a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), ela abre o caminho para tal, e depois “onde passa um boi, passa uma boiada”. Todos nós sabemos o que significa esse gatilho em tempo de crise. Todas as empresas e o próprio serviço público, estando munidos com um atestado de crise dado pelo Governo, utilizarão este instrumento para reduzir em definitivo os salários já desvalorizados e achatados dos trabalhadores brasileiros. E depois vão continuar o processo de demissão da mão de obra assalariada.

Essa proposta vem exatamente em um momento de crise econômica, quando as fábricas já utilizam a prática das demissões e lay-off por todas as regiões do país. Os dados divulgados sobre emprego constatam que as demissões ultrapassaram as contratações. Aliás, os setores contemplados pelo Governo com a política de desoneração da folha, foram os que mais demitiram. Ou seja, a política subserviente do Governo aos patrões colocou em risco a Previdência Social e não garantiu o emprego.

Essa proposta de Vagner Freitas é uma mão na roda para quem quer reduzir custos. Essa é a política que defendemos? Será em cima deste pilar desavergonhado, desta rendição, que vamos construir a resistência dos trabalhadores? Não deveria o presidente da CUT estar organizando a resistência dos trabalhadores ao invés de estar espalhando medo e acenando bandeira branca para os patrões?

Caros companheiros, membros da direção da CUT, esse é o momento para ir para cima do governo cobrar o atendimento das nossas reivindicações. Fomos nós, com a nossa militância, que barramos a volta do PSDB e reelegemos Dilma. O que esse governo deveria fazer é romper com os patrões e o capital e chamar a classe trabalhadora para impor nossas reivindicações e anseios.

Nós rejeitamos essa proposta! Quando há crescimento econômico temos que lutar para arrancar até mesmo a inflação. Em tempos de crise nós oferecemos cortar até 30% do nosso salário para não diminuir os lucros patronais?!

Que os patrões paguem a crise, não os trabalhadores! A nossa pauta é:

• Redução de jornada de trabalho sem redução de salários!
• Estabilidade no emprego! Nenhuma demissão! Que toda empresa que demita seja estatizada sem indenização sob controle dos trabalhadores.
• Escala móvel de salários! Se a inflação aumenta, aumento imediato dos salários igual a inflação.
• Fim do fator previdenciário, revogação das reformas da previdência. Estatização de todos os fundos de pensão sob controle dos trabalhadores.
• Pagamento do piso salarial dos professores, intervenção em todos os municípios e estados que não cumprem a lei do piso.
• Controle dos trabalhadores em toda empresa estatal! Comissão eleita pelos trabalhadores, com poder de demitir os corruptos e sabotadores das empresas estatais.
• Revogação de todas as privatizações.
• Exigimos a convocação imediata de uma Plenária Nacional de sindicatos cutistas para defender os salários, empregos, direitos e conquistas e avançar na luta por nossa pauta.
• Trabalhador tem dignidade e não vai aceitar pagar pela crise! É preciso resistir e lutar!

A Corrente Sindical Esquerda Marxista considera inaceitável qualquer proposta que atente contra os direitos e conquistas dos trabalhadores ou sirva de artifício para que os patrões possam desregulamentar os nossos direitos.

Corrente Sindical Esquerda Marxista

São Paulo, 27 de novembro de 2014

Deixe seu comentário

Leia também...

França: Macron perde o brilho enquanto se prepara para atacar os trabalhadores

Desde que Macron foi eleito, esse garoto propaganda do liberalismo europeu e autodenominado presidente jupiteriano[1] …