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Carnaval 2013: Os balanços do presidente da LIESA e de dois intelectuais sambistas

 

O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIESA), o economista Jorge Castanheira, mais dois intelectuais sambistas e blogueiros, o compositor-poeta Cláudio Russo e a jornalista, filóloga e ex-vice-presidente da Império Serrano, Raquel Valença, avaliaram dia 18 de janeiro a  Folia Carioca 2013 no site especializado no maior espetáculo da Terra, SRZD Carnaval. Ao qual, J Castanheira disse: “O resultado foi espetacular”. Já em seus blogs, C Russo postou o “Decreto Lei 2014 do reinado da Folia e que aguarda apenas deliberação de Sua Majestade, o rei momo + Carta-Aberta ao presidente da LIESA, ao governador do RJ Sergio Cabral F° e ao prefeito do Rio Eduardo Paes ambos do PMDB”. R. Valença postou: “Notas Carnavalescas 2013”.

O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIESA), o economista Jorge Castanheira, mais dois intelectuais sambistas e blogueiros, o compositor-poeta Cláudio Russo e a jornalista, filóloga e ex-vice-presidente da Império Serrano, Raquel Valença, avaliaram dia 18 de janeiro a  Folia Carioca 2013 no site especializado no maior espetáculo da Terra, SRZD Carnaval. Ao qual, J Castanheira disse: “O resultado foi espetacular”. Já em seus blogs, C Russo postou o “Decreto Lei 2014 do reinado da Folia e que aguarda apenas deliberação de Sua Majestade, o rei momo + Carta-Aberta ao presidente da LIESA, ao governador do RJ Sergio Cabral F° e ao prefeito do Rio Eduardo Paes ambos do PMDB”. R. Valença postou: “Notas Carnavalescas 2013”.

Assim, de acordo com o presidente da LIESA: “(Nos desfiles do Carnaval 2013) as coisas funcionaram muito bem. Estou agradecido por todos os elogios à LIESA e afirmo que não consegui dormir durante esse período para que tudo desse certo. Felizmente aconteceu o que prevíamos e o público assistiu a um belíssimo espetáculo”; declarou Jorge Castanheira. Quanto aos desfiles das escolas de samba da Série A, a de acesso ao Grupo Especial que é administrada pela parceria LIERJ-LIESA, Castanheira afirmou que, em um grupo com 19 agremiações, sendo que muitas jamais tinham desfilado no sambódromo, a estrada foi pavimentada para dali em diante cada desfile ser melhor que o outro”; salientou.    

Já a blogueira Raquel Valença afirmou que, depois de assistir a 29 desfiles de escolas de samba, dentre as muitas coisas a ser ditas, ela inicia por lamentar não ter podido ir assistir aos desfiles das agremiações do Grupo de Acesso na Estrada Intendente Magalhães no bairro Campinho onde inclusive desfilaria pela Mocidade Unida de Santa Marta. Depois, a blogueira saudou a assistência lotada no sambódromo (6ª feira, sábado, domingo e 2ª feira), apesar dos altos preços dos ingressos. Ela criticou a TV Globo por transmitir somente o que lhe convêm dos desfiles, agravado por ser um monopólio privado e, além disso, por ter absurdamente deixado de transmitir os Desfiles das Campeãs.  

Sobre os desfiles das agremiações assim como o resultado da Série A, Valença fez autocrítica em relação à recém-criada Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIERJ), parabenizando a merecidamente campeã Império da Tijuca. A blogueira fez o mesmo em relação à campeã do Grupo Especial, a igualmente merecida Vila Isabel, enaltecendo a carnavalesca Rosa Magalhães, que segundo Valença, transformou em um desfile original e emocionante, um que era um abacaxi – evidentemente – ainda de acordo com a blogueira, impulsionado por belo samba-enredo. Valença reavaliou o samba da Vila como melhor que o da Portela, pois, para a blogueira samba-enredo deve ser avaliado na avenida durante o desfile e, não, no CD.

Nessa linha de reavaliações, Rachel Valença considerou boas surpresas os enredos apresentados pela Mangueira e Imperatriz. A verde-rosa ela considerou a agremiação bem fantasiada como há anos não se via – e apesar dos tropeços que lhe custaram 0,6 de pontos a opção pela boa evolução significou respeito ao público. Para a blogueira a Imperatriz deu um show de emoção, elegância, surpreendendo pela alegria. Sobre o desfile do Salgueiro Valença considerou-o deslumbrante e o da Unidos da Tijuca ficou devendo, apesar do talento e a criatividade do carnavalesco Paulo Barros terem se apresentado com menos ousadia, mas, ainda na vanguarda de ditar moda e estilo às agremiações coirmãs.            

A blogueira considerou grandioso momento o esquenta da bateria da Portela junto ao Setor 01 feito por um samba de verdade com improviso, emoção e religiosidade, porque segundo Valença “quem é malandro não pode correr”. Concluindo, Valença criticou considerando muito triste a 6ª colocação obtida pela Grande Rio, cujo desfile afirmou que nem vale a pena comentar. Por sua vez o blogueiro Cláudio Russo formulou o “Decreto Lei 2014 do reinado da folia, guardando apenas a deliberação de sua majestade o rei momo” cujas mudanças são propostas através de 14 artigos: Sendo escolas de samba, a folia precisa apenas de samba, nem mais nem menos (Artigo 1º). 

Como regra geral, um bom enredo pode propiciar um grande samba, a exceção não entra em questão, por infringir qualitativamente o artigo 1º (Artigo 2º). Embora nem sempre sejam antológicos se torna imprescindível que os sambas sejam sempre os melhores (Artigo 3º). Falta de sensibilidade musical em samba-enredo como gritaria, correria desenfreada e ou coisas do gênero não podem existir nos desfiles das escolas de samba (Artigo 4º). Como emoção e interação com o público não são quesitos, objetivando um modelo justo e eficaz a partir de 2014 urge repensar o julgamento dos desfiles das escolas de samba, mesmo que se chegue à conclusão que o atual modelo é o melhor (Artigo 5º).

Por prejudicarem a evolução e impedirem a visualização das agremiações notadamente o abre-alas, o uso de tripés gigantescos tem que ser banidos (Artigo 6º). As alegorias e adereços de tecnologia de ponta, bacana, de bom gosto como os painéis de LED e as impactantes como os infláveis tem que ser banidas dos desfiles (Artigo 7º). Urge que as agremiações passem homenagear os grandes carnavalescos, lhes incumbindo desenvolver sempre grandes enredos (Artigo 8º). Urge atualizar a qualidade do sistema de som do sambódromo (Artigo 9º). Urge banir com aposentadoria os disfarçados carros alegóricos que se repetem exaustivamente nos desfiles (Artigo 10º). 

Ainda que não sejam quesitos em julgamentos, as rainhas de baterias tem que ter graça, porte de nobreza e acima de tudo saber sambar (Artigo 11º). O atual e equilibrado julgamento do quesito bateria através da diminuição das bossas e do aumento do ritmo assim como o desuso de metrônomo tem que ser mantido (Artigo 12º). Tem que ser restrito ao necessário a utilização das vestimentas camisas de diretoria e de apoio por parte dos componentes das agremiações (Artigo 13º). Objetivando redefinir o número de agremiações incluso o de ascensão e o de rebaixamento repensar o número atual de 12 escolas de samba no Grupo Especial e 19 na Série A (Artigo 14).

Por fim, em carta-aberta ao presidente da LIESA J Castanheira chamado de pessoa idônea, digna e de muito boas intenções, ao governador do RJ, o mangueirense Sergio Cabral F°, e ao prefeito do Rio o portelense, Euardo Paes, o blogueiro-sambista Cláudio Russo faz indagações e reivindica mudanças no Carnaval Carioca. Ao presidente da LIESA ele solicita que seja repensada a situação do acesso e o descenso ao Grupo Especial, reivindicando a volta da transmissão televisiva do Desfile das Campeãs. E ao governador e ao prefeito é reivindicado o tratamento ao gênero samba-enredo enquanto patrimônio cultural e a sua execução legal por parte das emissoras de rádio e tevê a fim da justa captação de direitos autorais.

Antes das minhas alternativas, reafirmo o que sempre disse: Junto com o real comandante da Deusa da Passarela o mestre Laila mais a guerreira presidente-bamba da Academia do Samba Regina Celi Fernandes, o maestro dos maestros o mestre Odilon e o colega desses dois sambistas-blogueiros, o publicitário e pesquisador das agremiações o portelense Hélio Ricardo Rainho, a imperiana Rachel Valença e o portelense Cláudio Russo estão gabaritados a serem competentes dirigentes inclusive presidente da LIESA. Que, não pode ser na atual estrutura mercantilizada e não transparente da instituição privada do interesse público LIESA cuja eleição ocorrerá em maio/junho de 2015.

Como apoteótico, globalizado e milionário espetáculo artístico-cultural do interesse público, o maior espetáculo da Terra urge voltar a ser estatizado. Sua concepção, organização e execução devem voltar a ser da RIOTUR junto com a Secretaria Municipal de Cultura (e Artes) tendo uma enxuta, eficiente e estratégica Subsecretaria Especial de Assuntos Carnavalescos. Tudo com transparência. À LIESA enquanto instituição privada cabe funcionar como órgão profissionalizado, consultivo, de apoio e, sobretudo, fiscalizador dos milionários gastos públicos. Para tanto, em 2014 e 2016, respectivamente o governador do RJ e o prefeito do Rio a serem eleitos necessitam estar afinados com isso.

*jornalista – amante de Carnaval e do mundo do samba nele é torcedor da Portela a Majestade do Samba.

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