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Camarada Lênin, presente!

No aniversário de 141 anos do nascimento de Vladimir Ilich Lenine (22/04/1870), publicamos aqui uma nota de seu camarada Trotsky, escrita há 87 anos, um dia após a morte (21/01/1924) do grande líder da Revolução de Outubro e da Internacional Comunista.

Lênin morreu

Lênin morreu. Lênin já não existe. As leis obscuras que regulam o funcionamento da circulação arterial puseram termo a essa existência. A arte da medicina viu-se impotente para operar o milagre que dela se esperava apaixonadamente, que dela exigiam milhões de corações.

Quantos homens haverá entre nós que de boa vontade e sem hesitação teriam dado o sangue até a última gota para reanimar, para regenerar o organismo do grande líder, de Ilitch Lenine, o único, o inimitável? Mas não havia milagre possível, aí onde a ciência era impotente. E Lênin morreu. Essas palavras caem sobre a nossa consciência de uma maneira terrível, tal como o rochedo gigante cai no mar. Será possível acreditar? Será possível aceitar?

A consciência dos trabalhadores do mundo inteiro não vai querer admitir esse fato, pois o inimigo dispõe ainda de uma força considerável; o caminho a percorrer é longo; a grande tarefa – a maior que jamais foi empreendida na História – ainda não está terminada; pois Lênin é necessário à classe operária mundial, indispensável como talvez jamais alguém o tenha sido na história da humanidade.

O segundo ataque da sua doença, muito mais grave do que o primeiro, durou mais de dez meses. O sistema arterial, segundo a amarga expressão dos médicos, não cessou de “brincar” durante todo esse tempo. Terrível brincadeira em que se jogava a vida de Ilitch. Podíamos esperar uma melhoria e quase que uma cura absoluta, mas também podíamos esperar uma catástrofe. Estávamos todos à espera da convalescença, foi a catástrofe que se produziu. O regulador cerebral da respiração recusou-se a funcionar e apagou o órgão de genial pensamento.

Perdemos Ilitch. O Partido está órfão, a classe operária está órfã. É, acima de tudo, o sentimento que temos ao ouvir a notícia da morte do mestre, do líder.

Como iremos prosseguir? Encontraremos o caminho? Não iremos perder-nos? Porque Lênin, camaradas, já não se encontra entre nós…

Lênin já não existe, mas temos o leninismo. O que havia de imortal em Lênin – os seus ensinamentos, o seu trabalho, os seus métodos, o seu exemplo – vive em nós, neste Partido que criou, neste primeiro Estado operário à cabeça do qual se encontrou e que dirigiu.

Neste momento, os nossos corações estão invadidos por esta dor tão profunda, porque todos nós fomos contemporâneos de Lênin, trabalhamos a seu lado, estudamos na sua escola. O nosso Partido é o leninismo em ação; o nosso Partido é o líder coletivo dos trabalhadores. Em cada um de nós vive uma parcela de Lênin, o que constitui o melhor de cada um de nós.

Como avançaremos a partir de agora? Com o facho do leninismo na mão. Encontraremos o caminho? Sim, através do pensamento coletivo, da vontade coletiva do Partido, o encontraremos!

E amanhã, e depois de amanhã, daqui a oito dias, daqui a um mês, ainda nos perguntaremos: será possível que Lênin já não exista? Durante longo tempo esta morte nos parecerá um capricho da natureza, inverossímil, impossível, monstruosa.

Que este sofrimento cruel que sentimos, que cada um de nós sente no coração ao lembrar-se que Lênin já não existe, seja para nós um aviso diário: lembremo-nos que a nossa responsabilidade é agora muito maior. Sejamos dignos do mestre que nos instruiu!

No sofrimento e no luto, cerremos fileiras, aproximemos os nossos corações, agrupemo-nos mais estreitamente para as novas batalhas!

Camaradas, irmãos, Lênin já não está entre nós. Adeus Ilitch! Adeus, mestre!

Estação de Tiflis, 22 de Janeiro de 1924.

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