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Califado do ISIS, república islâmica ou Somália 2.0

Em março de 2003, George W. Bush, presidente republicano dos EUA, com apoio de Tony Blair, primeiro ministro trabalhista da Inglaterra, invadiram o Iraque para, supostamente, proteger os iraquianos da barbárie de Saddan Hussein.

O governo títere que os EUA haviam montado após tomar o Iraque, foi obviamente derrotado nas primeiras eleições realizadas. Em 2006 assumiu o atual primeiro-ministro Nouri Al-Maliki, do Partido Islâmico Dawa, aliado do regime xiita do Irã.

Agora um grupo armado islâmico, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS, da sigla em inglês), com apoio de tribos sunitas, já tomou uma região do país. Incluindo Mosul, a segunda cidade do Iraque e centro industrial, onde se apossaram de 500 milhões de dólares. 

O corrupto exército iraquiano não opõe resistência. Está literalmente derretendo. O que comprova que o problema é político e não de força militar. Al-Maliki pediu aos EUA que bombardeiem o ISIS. Mas Obama não pode fazer isso.

Dominação imperialista e decomposição

O que temos visto nas últimas semanas é o resultado da invasão de 2003. O início da desintegração e divisão do Iraque em linhas étnicas e religiosas. Com consequências diretas na Jordânia, Síria, Turquia, Irã.

O governo de Al Maliki é incapaz de dar uma resposta aos problemas sociais e econômicos que afligem o povo e tenta dividir para reinar. Mas, o feitiço parece ter virado contra o feiticeiro.

O que é o ISIS

O ISIS foi fundado por Abu Musab al -Zarqawi, um jordaniano salafista, que foi aliado da Al-Qaeda, e mais tarde fusionou com vários grupos islâmicos armados. É uma das milícias que luta na Síria contra o governo de Bashar Al-Assad. Ali incorporou milhares de mercenários de todo o mundo e conquistou o controle de regiões com petróleo. O que trouxe muito dinheiro além do financiamento das monarquias da região. Seus principais líderes foram mortos em 2010, no Iraque, em operações dos EUA e do governo atual.

O ISIS já autoproclamou um estado, um califado islâmico, e sua soberania sobre ele, sobre o território do Iraque e Síria e Jordânia, Israel, os territórios palestinos, o Líbano, uma parte do sul da Turquia e Chipre.

Seus métodos são brutais. Suas leis incluem a crucificação e a decapitação. Em Mosul ainda não colocaram ainda em prática tais barbaridades porque estão buscando apoio da população.

O ISIS tem recebido apoio da população sunita reprimida e discriminada por Al-Malik. E o governo piora tudo convocando a luta de xiitas contra sunitas. O horizonte que se desenha é de sangrenta guerra civil sobre o Iraque.

Os curdos

A região curda no norte do país possui um elevado grau de autonomia. Tem um presidente próprio, forças armadas, etc. Aproveitando a instabilidade, os curdos avançaram seu território sobre áreas contestadas, como a cidade de Kirkuk, importante fonte de petróleo.

A Turquia entra como um componente no jogo apoiando os curdos. Seu interesse é fazer negócios nos campos de petróleo dessa região. Militares turcos chegaram a ser deslocados para apoiar as forças curdas.

Irã e EUA

Contra o ISIS se uniram o Irã, os EUA e o governo de Bagdá, cada um com seus interesses. O governo iraniano tem enviado armas e assessores militares em ajuda ao colega Al-Malik. O secretário de Estado americano, John Kerry, foi a Bagdá e anunciou que os EUA enviarão 300 conselheiros militares para ajudar na luta contra os insurgentes.

Uma tentativa desesperada é a orientação de Obama para a constituição de um governo de unidade nacional com xiitas, sunitas, curdos, turcos, etc. Mas, Al-Malik rejeita porque ele não sobreviveria assim.

O Iraque se afunda na barbárie e corre o risco de acabar como a Somália, destroçada pelo imperialismo e os senhores da guerra locais.

Luta de classes

A luta religiosa e étnica entre os povos é de interesse dos capitalistas. Eles alimentaram isso e a invasão norte-americana no Iraque só aprofundou tudo.

A classe trabalhadora não ganha nada, nem com um governo xiita, nem com um governo sunita, como era o de Saddan Hussein. São duas faces da luta entre setores das classes dominantes para saquear as riquezas naturais e explorar a classe trabalhadora. O que se passa no Iraque é mais um aspecto da barbárie do capitalismo.

A única saída é a luta revolucionária de massas para colocar fim a toda essa catástrofe. Este é o caminho que foi apontado pela revolução árabe que eclodiu em 2011.

Paz entre os povos! Guerra aos senhores!

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