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Cairo em Chamas

Vejam abaixo o relato das manifestações ocorridas no Egito na última sexta feira. A revolução segue firme contra a Junta Militar, herdeira de Mubarak. O reacionário governo de Israel também não foi poupado. Manifestantes tomaram sua embaixada em Cairo.

Assistam também o vídeo que pode ser encontrado no youtube.

  

Aldo Sauda
 
Pelo menos quatro pessoas morreram e mais de mil ficaram feridas nas batalhas que ocorreram em frente a embaixada de Israel na cidade do Cairo na madrugada desta sexta-feira. 
A embaixada foi ocupada por manifestantes que se apropriaram de inúmeros documentos que se encontravam no prédio. Temendo por sua vida, o embaixador, acompanhado por sua família, fugiu do Egito em um avião militar de Israel, acompanhado por uma delegação de por volta de 70 pessoas ligadas à embaixada.

Os protestos, que fizeram parte do dia da “correção da caminhada”, foram convocados por uma coalizão de grupos seculares e de esquerda que fazem oposição à junta militar que governa o país desde a queda de Hosni Mubarak, ocorrida no dia 11 de fevereiro. Além do ato na porta da embaixada, houve também uma grande manifestação na Praça Tahrir, que juntou quase 100 mil pessoas, e um ato em frente ao ministério do interior, que culminou em um incêndio em parte do prédio.

A embaixada israelense, cuja proteção era feita por um muro de concreto (erguido semana passada apos a derrubada de outro muro que antes protegia a embaixada) foi novamente derrubada por manifestantes. Após a retirada do obstáculo, um grupo de 30 pessoas conseguiu entrar em uma parte do prédio, arrancar a bandeira israelense e invadir os escritórios da embaixada. Cinco funcionários de Israel que se encontravam no prédio foram resgatados por comandos especiais do exercito egípcio, que os escoltaram para uma localização segura.

Buscando proteger o prédio da embaixada, o governo mobilizou toda sua forca policial para enfrentar os manifestantes, que, com pedras e coquetéis molotov, resistiam duramente à policia. Após o ato, a cidade do Cairo foi posta no nível mais elevado de estado de emergência. Todas as férias de policias foram canceladas e teme-se, hoje, por uma escalada dos confrontos entre manifestantes e o governo.
Marcada pela ausência de grupos islâmicos, de liberais e conservadores, a manifestação de ontem marcou uma radicalização do processo revolucionário no país, que passará este sábado por uma serie de greves dos setores industriais. O presidente americano, Barack Obama, em um telefonema ao primeiro-ministro do Egito, repudiou a ação dos
revolucionários, e exigiu ao governo egípcio que “honre suas obrigações internacionais” e garanta a segurança da embaixada de Israel.

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