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Brasil: No centenário da Revolução Russa é lançado o livro “Stalin”, uma obra-prima inédita de Trotsky

“Stalin, uma análise do homem e sua influência” é um livro extraordinário de um Leon Trotsky maduro em que se estuda, de forma inédita no marxismo, as relações entre o indivíduo e seu papel na história de um ponto de vista do materialismo histórico. Um livro que ajuda a compreender o mundo em que vivemos hoje.

Essa biografia estava sendo escrita quando Trotsky foi assassinado. Durante mais de 70 anos o mundo teve acesso apenas a uma edição adulterada e manipulada desse livro, realizada por uma editora burguesa dos EUA, que detinha os direitos, com tradução de Charles Malamuth. Natália Sedova, a camarada e viúva de Trotsky tentou impedir sua publicação, mas não conseguiu. Essa edição é a que se conhecia até agora no Brasil. Para se ter uma ideia da diferença, pode-se constatar que a edição deformada tem cerca de 450 páginas e a edição reorganizada tem cerca de 1.000 páginas.

Cartaz de propaganda da edição brasileira

Em 1980, os arquivos de Trotsky, na Universidade de Harvard, foram abertos ao público e anos mais tarde Rob Sewell encontrou um vasto material do livro que não havia sido utilizado. Após um trabalho de dez anos feito por ele e Alan Woods, ambos da Corrente Marxista Internacional (CMI), o texto foi remontado, retraduzido do russo ao inglês, limpado das “criações” do tradutor da edição de 1940 e acrescido de vasto material inédito.

É a única edição que recebeu a aprovação do neto do autor, Esteban Volkov, que reconhece essa como a única edição válida da obra de seu avô e por isso assina o prefácio do livro.

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No Brasil, o livro foi editado conjuntamente pela Editora Marxista e pela Editora Movimento e teve lançamentos com a participação por vídeo-conferência de Esteban Volkov, o neto de Trotsky (que dirige o Museu Leon Trotsky, no México), e também contou com a presença de Alan Woods, que veio ao país especialmente para isso. Os eventos já ocorreram em São Paulo, Florianópolis, Porto Alegre e Rio de Janeiro.

Esse extraordinário livro organizado por Alan Woods já recebeu edições em inglês, em espanhol, em italiano, e se preparam edições em francês, alemão, russo, dinamarquês, sueco, grego, urdu e outras línguas.

Em SP, auditório repleto e entusiasmado assiste lançamento de “Stalin”

Uma movimentação intensa no terceiro andar da Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) assinalava o local do auditório em que seria lançada a biografia, no dia 4 de outubro, com cerca de 300 pessoas.

Além de contar com Alan e de Esteban, a atividade também teve a participação de Serge Goulart, dirigente da Esquerda Marxista que representou a Editora Marxista, enquanto pela Editora Movimento falou Roberto Robaina, dirigente do Movimento Esquerda Socialista (MES). Também compuseram a mesa do evento o tradutor da edição brasileira, Caio Dezorzi, e a mediadora Beatriz Abramides, a Bia, da coordenação da APROPUC (Sindicato dos Professores da PUC/SP).

Bia abriu o evento anunciando a participação de Esteban e passando-lhe a palavra. Esteban fez uma emocionante saudação em que ressaltava a iniciativa de publicar o verdadeiro legado de se avô ao público brasileiro e agradeceu aos editores Serge Goulart e Roberto Robaina.

De acordo com Serge Goulart, o material ali lançado tinha um significado todo especial. “É um livro que é uma obra genial do Trotsky, é uma obra-prima, não é um livro qualquer, não é uma biografia do adversário de Trotsky”, frisou. Assinalando a relevância para a plateia, continuou: “É um livro fundamental, que quando vocês terminarem de ler, sairão entendendo um pouco melhor, mais profundamente, o século 20 e o mundo em que estamos vivendo hoje, que foi forjado pela Revolução Russa. Este livro ajuda a iluminar nosso combate pelo socialismo.”

Em um paralelo sobre a relação dos bolcheviques e a Comuna de Paris, Roberto Robaina assinalou: “O livro ‘Stalin’ reivindica essa relação, e ao mesmo tempo conta como tivemos uma experiência, que foi a experiência da burocratização, que foi outro ponto fundamental para se tirar conclusões. E o mais rico do livro é que conta justamente como esse processo se desenvolveu”, ressaltou.

Alan Woods explicou como a publicação da biografia “Stalin” destaca-se neste centenário da Revolução Russa.  O dirigente da Corrente Marxista Internacional (CMI) disse que, se o objetivo dos revolucionários é a luta pela verdade histórica, a verdade histórica está contida na obra que segurava em suas mãos. Ela desmonta as mentiras lançadas contra a Revolução Russa, contra o bolchevismo, contra Lenin e contra Trotsky.

Foto: Johannes Halter

“Finalmente tenho o grande orgulho e a grande honra de ter em minhas mãos este livro que como uma fênix renasceu das cinzas”, afirmou Alan Woods erguendo e sacudindo um exemplar de “Stalin”. “E em minha opinião este é um grande livro, que merece estar colocado junto com livros tão grandes como ‘A Revolução Traída’, ou ‘História da Revolução Russa’, ou ‘Minha Vida’. Um livro maravilhoso que tem muitas lições”, afirmou, saudando ainda o lançamento da edição brasileira.

O público que participava do evento ocupava todos os assentos do auditório, e precisou também ficar em pé ou sentado nas laterais do local. Ao fim da atividade, os participantes aplaudiram animadamente e, em seguida, ergueram os punhos e cantaram “A Internacional”.

Um sucesso de público e de vendas com longas filas para ter o autógrafo de Alan Woods no exemplar de cada um dos compradores.

Emoção e entusiasmo no lançamento em Santa Catarina

Cantando “A Internacional”. Foto: Aline Seitenfus

Um sucesso com 136 presentes teve lugar em Florianópolis, no auditório da Federação de Sindicatos de Comerciários SC (FECESC), na noite de quinta-feira (5/10). Alan Woods iniciou sua apresentação da versão inédita do livro “Stalin” de Leon Trotsky dizendo que “Um escritor romano da antiguidade disse uma vez: ‘Todos os livros têm seu próprio destino’, e em toda a literatura mundial não há um só livro com um destino mais extraordinário que este”.

Serge Goulart, representando a Editora Marxista. Foto: Francine Hellmann

Serge Goulart, da Esquerda Marxista e editor do livro pela Editora Marxista, classificou o livro “Stalin” como uma “arma de destruição em massa contra o capitalismo”, “instrumento de formação dos revolucionários” e um livro em que “pela primeira vez na história um gigante teórico e político escreve um livro sobre um anão intelectual”. É só olhar para o legado de Stalin e o legado de Trotsky e isso ressalta à vista.

Israel Dutra representou a Editora Movimento. Foto: Aline Seitenfus

Israel Dutra, do MES, representando a Editora Movimento, disse que “a luta de Trotsky pela verdade foi decisiva e esse combate continua sendo decisivo para os revolucionários de hoje”. Para ele, “o livro ’Stalin’ é uma herança que permite um combate e um compromisso”. Terminou dizendo que “Não temos medo de dizer que somos comunistas. Somos herdeiros da Revolução de Outubro”.

Trotsky viu toda sua família, amigos e camaradas que fizeram a revolução ao seu lado serem mortos, difamados, enviados a campos de trabalho forçado. Ainda assim, ele morreu defendendo o legado da Revolução Russa, explicando os problemas que se desenvolveram e defendendo a continuidade da revolução mundial. Mesmo durante o período de maior perseguição de Stalin contra ele, continuou escrevendo grandes livros de teoria marxista. “Um homem contra todo o mundo, um homem que tinha diante dele o maior aparato de assassinato, mais brutal, mais sanguinário da história do mundo”, explica Alan, “que seguiu lutando até o último momento, até que em 20 de agosto de 1940, em uma ação de vil covardia, um agente de Stalin o mata”.

Foto: Aline Seitenfus

Chegando ao fim da atividade, Alan falou ainda: “É muito fácil matar um ser humano, somos animais muito frágeis e débeis, mas não se pode matar uma ideia cujo tempo chegou”.

“Este livro jamais deveria ter aparecido. Quando Stalin soube que finalmente tinha matado seu inimigo número um, pensava que tudo estava resolvido. No entanto, sete décadas mais tarde nós estamos aqui, defendendo as únicas ideias capazes de mudar o planeta, destruindo o pesadelo do capitalismo, do imperialismo e criando uma nova civilização”, exclamou Alan, emocionando o plenário.

O lançamento em Florianópolis estava inicialmente agendado para a UFSC, mas devido ao suicídio do reitor, teve que ser transferido às pressas para a Federação dos Trabalhadores no Comércio de Santa Catarina (FECESC), há 10 quilômetros da universidade. Mesmo assim a atividade foi um sucesso com a presença de 136 pessoas, entre essas uma delegação de Joinville.

O entusiasmado plenário reuniu jovens, estudantes, trabalhadores, sindicalistas e militantes de movimentos sociais que se emocionaram e aplaudiram inúmeras vezes. Muitos companheiros choravam quando Alan contava o fuzilamento dos trotskystas nos campos de Vorkuta, Sibéria, e que estes eram mortos cantando “A Internacional” e dando vivas à Revolução, à Lenin e a Trotsky.

O ato contou com a participação de Francisco Alano, presidente da Federação que que cedeu o local e também adquiriu seu exemplar autografado por Alan Woods, assim como dezenas de outros presentes. O entusiasmo era tão forte que, ao final, após aplausos prolongados todos se puseram de pé e cantaram “A Internacional”.

Um ato político de sucesso no lançamento em Porto Alegre

Na noite da sexta-feira, 6 de outubro, no auditório da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, ocorreu o terceiro lançamento. A recuperação da obra, como já explicamos acima, ficou a cargo do historiador britânico e dirigente da CMI Alan Woods.  A edição brasileira foi um esforço conjunto da Editora Marxista e da Editora Movimento cujo objetivo é defender a verdade sobre a revolução russa tão vilipendiada, caluniada e falsifica e ajudar a formar militantes revolucionários combatendo a extraordinária regressão teórica e política que o stalinismo e a socialdemocracia impuseram ao movimento operário.

Cerca de 100 participantes ouviram atentamente as intervenções da mesa e a exposição de Alan Woods. A mesa foi formada por Roberto Robaina como moderador, vereador de Porto Alegre, dirigente nacional do MES e do PSOL, e representante da Editora Movimento, por Serge Goulart, dirigente da Esquerda Marxista, da CMI e representante da Editora Marxista, além de Luciana Genro (líder nacional do PSOL) e o próprio Alan Woods.

Luciana Genro no ato em Porto Alegre

Esteban Volkov, neto de Leon Trotsky, também se fez presente através de uma comunicação, desde México, via internet, como nas oportunidades de São Paulo e Florianópolis.

Um público representativo e entusiasmado contava com inúmeros dirigentes do PSOL, como o deputado Pedro Ruas e a vereadora Fernanda Melchionna, além de dirigentes de correntes como o MAIS, Fortalecer o PSOL, CST, CEDS, lideranças do comando de greve dos municipários, dos professores estaduais, bem como dezenas de quadros militantes da juventude universitária e secundarista. Uma importante participação foi a presença de intelectuais que reivindicam o marxismo assim como de inúmeros antigos militantes que de uma ou outra forma continuam ativos e não se dobraram ao reformismo ou à acomodação individual.

Além da agenda intensa no debate, Alan foi entrevistado por importantes meio da imprensa escrita, como o jornal Sul21 e Jornal do Comércio.

Roberto apresentou os objetivos do lançamento deste livro e ressaltou o esforço das duas editoras para que isso fosse possível. Dando boas vindas passou de imediato à Luciana Genro, que fez uma exposição sobre a necessidade de resgatar os elementos fundamentais da revolução russa e a luta contra a burocratização, num estudo que ela aprofundou na sua pesquisa de doutorado. Luciana saudou a mesa e enfatizou a importância do livro e da batalha pela formação dos revolucionários como parte inseparável de nossa luta pelo socialismo.

Serge Goulart explicou um pouco das diferenças entre as edições até hoje conhecidas e esta que tem um caráter inédito. Serge recomendou a leitura do livro como uma arma teórica e política para as novas gerações.

Por fim, Alan Woods, num espanhol fluente, explicou toda a luta de 10 anos para trazer esta edição à luz, numa batalha pela veracidade das ideias do bolchevismo. Explicou a combinação dos detalhes e traços psicológicos e subjetivos de personalidades como a de Stalin, um homem da burocracia partidária, com as determinações gerais dos grandes processos históricos. Mostrou como a época de ascenso das grandes revoluções faz surgir gigantes e heróis políticos e como nas épocas de recuo e refluxo surgem os medíocres, os carreiristas os vigaristas políticos. Foi uma verdadeira aula de história da humanidade, com base no rigor do marxismo revolucionário.

Ao final, com aplausos prolongados e extremamente animados, a grande maioria dos participantes promoveu entusiasmados bate-papos enquanto formavam longa fila para receber o autógrafo de Alan Woods nos livros comprados na banca montada para esse fim. Inúmeros presentes compravam mais de um exemplar para companheiros que não puderam vir ou para amigos e familiares como um presente de grande valor.

Esses lançamentos foram extraordinários sucessos políticos e também de vendas, comprovando a sede de teoria e política que tem os trabalhadores e da juventude. E que é este o caminho a seguir com tenacidade.

Lançamentos do livro prosseguem com os editores brasileiros presentes em várias outras cidades e o livro ainda pode ser comprado com desconto (só até novembro) pelo site da Livraria Marxista ou com militantes da Esquerda Marxista e do MES.

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