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Brasil e Venezuela

No momento em que esta edição está sendo fechada, as notícias mostram a vitória do Presidente Chávez na Venezuela. Reeleito com maioria absoluta dos votos, Chávez declarou “que é outra derrota para o diabo que pretende dominar o mundo” (referindo-se a Bush), “ao povo americano nossas saudações e nossa solidariedade” (diferenciando o povo americano do seu governante) e termina “a Venezuela nunca será colônia americana, nem de ninguém” e que “o reino do socialismo é o reino do futuro venezuelano”.

Sim, é verdade, ainda existem problemas e dificuldades na Venezuela e entre intenção e gesto ainda existe uma distância (ver mais na pág. 6). Mas, reconheçamos, no Brasil a situação é muito diferente.

Lula reelegeu-se em uma campanha contra as privatizações. Entretanto, o próprio programa de governo divulgado na sexta-feira antes do 2º turno propunha a privatização das estradas. Lula criticou a privatização da Vale do Rio Doce, mas nada fez para ajudar as ações que correm anulando esta privatização. Pelo contrário, permite que os advogados do governo continuem defendendo a privatização. As concessões feitas nas Estradas de Ferro estão literalmente ilegais, já que as companhias, principalmente a ALL, não cumpriram os contratos. Poderiam ser anuladas. Mas Lula faz vista grossa e deixa os trabalhadores serem tratados como cachorros (ver mais na pág. 2).

E agora a Ministra Dilma Roussef propõe a privatização do aeroporto de Natal no Rio Grande do Norte. Aqui se promete uma coisa e se faz outra.

A burguesia, compreendendo tudo, parte pra cima do governo e exige que se faça a segunda reforma da Previdência, arrancando direitos dos trabalhadores privados. Lula, com razão, declara no Diretório Nacional do PT que não existe déficit previdenciário, que o que existe é déficit do tesouro! Mas, então, por que foi feita a primeira reforma, por que tantos direitos retirados dos servidores públicos?

A verdade é mais simples: Lula gostaria de continuar fazendo o que fez no primeiro governo onde “nunca os banqueiros ganharam tanto” (declaração de Lula durante a campanha eleitoral). Mas o povo que votou nele vem com outra garra, com outra disposição. As invasões de terra espalham-se pelo país e os ventos que sopram do México, Bolívia e Venezuela aquecem os corações daqueles que querem mudar, daqueles que acham que chegou a vez do povo e não dos banqueiros.

Agora Lula quer “destravar” a economia, promete um pacote para 15 de dezembro, mas não explica como “destravar”. Nós explicamos: ouça a voz das ruas, do povo, que exige a reforma agrária, a anulação da venda da Vale do Rio Doce, das ferrovias e de outras estatais, a estatização das empresas ocupadas pelos trabalhadores, um salário mínimo digno (o DIEESE apresentou esta semana o valor para cumprir aquilo que a constituição prevê: R$1.600!). Para começar podia atender desde já a reivindicação da CUT de R$420,00.

Pare de pagar a dívida externa e interna para os grandes banqueiros e use o dinheiro para escolas, hospitais, obras públicas necessárias. Isto pode “destravar” a economia do povo, “travar” a sanha de lucros de banqueiros e grandes empresários e preparar o socialismo. Esta é a nossa batalha.

Por isso estamos realizando os seminários de balanço do PT e do governo, construindo os Núcleos Socialistas de Base e estaremos apresentando uma tese para o 3º Congresso do PT (convocado para Julho de 2007) para ajudar os trabalhadores nas suas lutas em direção ao socialismo.

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