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Avaliação política do momento da greve nas Universidades Federais

Fracassou mais uma operação montada pelo governo para acabar com a greve, agora por meio da assinatura do acordo com uma entidade não representativa do professores em greve: o PROIFES.

Em resposta, a totalidade das assembleias realizadas deliberou pela manutenção da greve e repudiou a ação do governo, que ao assinar um acordo com uma entidade não representativa cometeu um ato antissindical e ofensivo ao movimento docente combativo e autônomo. Além do que, os termos do acordo não atendem a nossa pauta de reivindicações, aumenta as distorções existentes e aprofunda a retirada de direitos.

Desde os primeiros dias da greve a postura do governo federal com relação ao movimento docente foi desrespeitosa: ignorou a greve; protelou a marcação da mesa de negociação e quando a iniciou adotou a postura de não dialogar com a categoria docente e com as suas reivindicações. Encerra, agora, o processo de forma unilateral reiterando suas posições, que apresentam divergências conceituais, políticas e financeiras com o projeto de educação defendido pelo ANDES-SN.

Para tentar enfraquecer a greve, busca, também, criar uma situação de isolamento do movimento docente do ANDES-SN. Para tanto, realiza reuniões, em separado, de outras categorias da educação pública federal, bem como, tenta deslegitimar o movimento por meio de notas públicas falaciosas e da busca da adesão dos reitores ao seu projeto, inclusive, pressionando pela retomada do calendário acadêmico.

Há que saudar a firmeza da categoria na defesa de suas justas reivindicações, uma vez que após 84 dias mantém uma intensa e vigorosa greve. Ao mesmo tempo, estamos diante de um governo com alto grau de centralização interna e extremamente duro com o movimento sindical combativo.

Há que se levar também em consideração a dinâmica do processo legislativo que estabelece uma data limite para o executivo encaminhar a proposta orçamentária para o próximo ano, até o dia 31 de agosto. Esta dinâmica está a serviço da burguesia que exerce pressão sobre o governo por uma política econômica que transfere o custo da crise do capital para os trabalhadores.

Neste contexto, nossos desafios e responsabilidade são imensos. A tarefa precípua, neste momento, é manter a greve e mais uma vez, tomar as ruas, radicalizar nas ações, unificando-as com os demais setores em greve e pressionar pela reabertura de negociações.

Reafirmar a disposição (já apresentada nas mesas anteriores) do movimento grevista de negociar, sem abrir mão de seus princípios. Para tanto, é necessário refletir sobre os limites e possibilidades da greve neste contexto e apontar táticas adequadas ao novo quadro, para fortalecer o apoio da opinião pública e intensificar a coesão do movimento docente.

Nesse sentido, é necessário também avaliar o que pode ser priorizado e/ ou flexibilizado no item de pauta reestruturação da carreira, com vistas a elaboração de uma contraproposta e reiterar a deliberação sobre a necessidade de abertura de negociação sobre a valorização e melhoria das condições de trabalho docente nas IFE.

É necessário enfatizar que só a mobilização é capaz de alterar a correlação de forças e possibilitar ganhos efetivos!

Obs: Os encaminhamentos serão enviados ao final da tarde de hoje.

Comando Nacional de Greve- ANDES-SN

10 de agosto de 2012

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