Início / Documentos / Editoriais / Aumenta a repressão. Por baixo uma colossal explosão está sendo gestada

Aumenta a repressão. Por baixo uma colossal explosão está sendo gestada

O governo Dilma, ao lançar suas tropas contra os manifestantes que se ergueram contra o Leilão do Campo de Libra, aprofundou as medidas repressivas do Estado contra os que lutam por suas justas reivindicações. Ela abriu a tampa do caldeirão do inferno e por ela começam a passar os demônios da direita

O governo Dilma, ao lançar suas tropas contra os manifestantes que se ergueram contra o Leilão do Campo de Libra, aprofundou as medidas repressivas do Estado contra os que lutam por suas justas reivindicações. Ela abriu a tampa do caldeirão do inferno e por ela começam a passar os demônios da direita

São Paulo, dia 27, a PM de Alckmin matou mais um jovem. O matador disse que por descuido disparou a arma. Morreu Douglas Martins, tinha 17 anos e morava no saudoso bairro do Trem das Onze de Adoniran Barbosa, no Jaçanã.

Depois do assassinato de Douglas, um violento levante ocorreu no bairro. Aconteceu em seguida ao seu enterro e em protesto. Centenas de moradores saíram às ruas para protestar. A reação da repressão foi imediata. O secretário de segurança do governo Alckmin solicitou tropas federais ao seu amigo e ministro da presidente Dilma, José Eduardo Cardozo.

A população irada ocupou as pistas da rodovia Dutra, uma das principais do país. Tomou caminhões, rendeu motoristas, apedrejou e queimou ônibus, ergueu barricadas e enfrentou como pode as bombas e balas de borracha da polícia. Por pouco a ira, um misto de raiva, tristeza e angustia da população, não se transformou em um levante insurrecional.

No dia 29, quando uma manifestação se realizava no Parque Novo Mundo, que faz divisa com o Jaçanã, em protesto contra o assassinato de Douglas, a PM mata outro jovem. Desta vez Jean, com 16 anos. A PM alega que ele era um bandido. Moradores negam. Novamente o povo se ergueu expressando toda sua cólera.

Depois das jornadas de junho a população tem começado a se agigantar e vai perdendo o medo. Os poderes constituídos, governadores e governo federal, temerosos, organizam a repressão.

Por mais que o governo anuncie reformas e declare que a voz das ruas será ouvida, vai ficando cada vez mais claro para um número maior de jovens e trabalhadores – ora lenta, ora velozmente – que o regime capitalista e seu governo não podem resolver os problemas mais sentidos do povo.

Porém, faz falta nestas manifestações uma organização e direção. Por isso, as lutas ainda estão atomizadas. Na realidade, esta organização existe e é o PT. Mas a direção majoritária do partido esconde-se atrás de uma cega e vergonhosa aliança de classes com a burguesia e dar sustentabilidade ao governo de coalizão.

Assim, esta direção vai rompendo os laços de credibilidade que o povo lhe deposita. Seguindo agarrada à colaboração de classes, freia e desnorteia a população. Esta se afasta cada vez mais do partido e chegará ao ponto de virar completamente as costas a ele e trilhar seu próprio rumo na dolorosa busca de uma saída organizativa e política que dê vazão às suas mais elementares aspirações.

A luta tende a atingir um ponto de cólera e explosão generalizada. Neste caldo e dentro dele, estará sendo cozido o fermento do novo, que reatará e retomará o caminho que norteou a construção originária do PT.

A escalada da repressão e da opressão

Em 2009, pelo quinto ano consecutivo, o estado do Mato Grosso do Sul concentrava a maioria dos assassinatos de indígenas no país. Dos 60 assassinatos registrados naquele ano, 33 ocorreram no Mato Grosso do Sul. O índice de suicídio entre os Kaiowás chega atualmente a 44 a cada 100 mil. Este número é quase 10 vezes superior à média nacional e o mais alto entre os mais altos do mundo.

Nos anos de chumbo da ditadura militar 380 pessoas foram mortas ou desapareceram. Entre 2000 e 2012, mais de 450 Sem Terras e índios foram assassinados por tropas regulares ou não. Centenas de sindicalistas, grevistas e ativistas do movimento popular estão sendo criminalizados, militantes do Movimento das Fábricas Ocupadas estão sendo processados e acusados de formação de quadrilha. As tropas da repressão são lançadas permanentemente contra os movimentos que lutam por moradia, contra os estudantes na USP, Unicamp e Unesp.  O Supremo Tribunal Federal (STF) quer colocar na cadeia dirigentes do PT, acusa-os de corrupção sem prova alguma. Recentemente, depois das jornadas de junho, centenas de prisões estão sendo feitas. O governo federal colocou suas tropas para reprimir e atacar petroleiros, professores e manifestantes que lutam por seus direitos.

Quantos Amarildos mais serão mortos até que os partidos de esquerda – ou que dizem representar os trabalhadores, as centrais sindicais, as entidades estudantis, venham a se erguer? Para que elas exijam o fim da repressão, da criminalização, da Lei de Segurança Nacional? Para que reivindiquem a punição dos que assassinaram ou mandaram matar militantes que combateram contra a ditadura militar e dos que ainda hoje seguem matando impunemente?

O governo Dilma, ao lançar suas tropas contra os manifestantes que se ergueram contra o Leilão do Campo de Libra, aprofundou as medidas repressivas do Estado contra os que lutam por suas justas reivindicações. Ela abriu a tampa do caldeirão do inferno e por ela começam a passar os demônios da direita, governadores, militares e burgueses saudosos dos anos da ditadura, novos reacionários milionários, as velhas Opus Dei, os ativistas da Tradição Família e Propriedade. Não bastasse, Dilma declara solenemente lhes oferecer ajuda para garantir a lei e a ordem.

Que polícias podem garantir a liberdade de expressão e manifestação? Que tropas federais podem garantir esse direito? A essência destes aparatos é a da defesa do direito à propriedade privada dos meios de produção sobre o qual se assenta toda forma de exploração e opressão. O Estado burguês é por excelência o corpo armado dos proprietários de terras, banqueiros e industriais. Corpo este que se ergue contra o povo em nome da defesa nacional e do patrimônio público e privado. Sua forma pública são as forças armadas, as polícias e suas milícias mercenárias nas favelas e latifúndios.

As manifestações que estão repetidamente ocorrendo no Rio contra Cabral e em São Paulo contra Alckmin encontram forte repressão porque visam não só as reivindicações mas também querem que estes governos caiam fora. Por isso eles aumentam a repressão. Nossa resposta deve ser a exigencia da dissolução das PMs, liquidar as instituições repressoras e repressivas herdadas da ditadura militar. Há que erguer novas instituições. A vontade soberana do povo deve governar em paz e liberdade, sem exploração. Nenhuma conciliação, nenhum pacto, não confiar nos cantos de sereia dos repressores. Hoje eles pintam de rosa seus cassetetes e balas de borrachas, amanhã metralharão com balas reais os lutadores.

Só a luta unida e decidida de todos os movimentos, de todas as entidades representativas dos trabalhadores e da juventude pode barrar a escalada repressiva do governo federal e dos governos estaduais.

Abaixo a repressão!

Deixe seu comentário

Leia também...

Quem tem medo da classe operária?

O Colunista da Folha de São Paulo João Pereira Coutinho em 24 de abril escreve …