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Ato nacional contra a intervenção da Cipla reuniu apoiadores do Brasil e do mundo

O ato nacional que aconteceu dia 13 de Junho na porta da Cipla, durante a troca de turno, foi mais que uma importante manifestação de apoio. Foi a demonstração de que os trabalhadores da Cipla não estão sozinhos.

Quem chegava na porta da fábrica Cipla, no ato nacional convocado para o dia 13 de Junho, espantava-se com o outdoor que outrora estampava a luta dos trabalhadores das fábricas sob controle operário: “Nós, trabalhadores da Cipla, APROVAMOS a intervenção judicial”. O susto rapidamente se transformava em indignação. Trata-se de uma farsa. A frase, estampada no outdoor de entrada da Cipla, foi “aprovada” sob clima de pressão e ameaça através de um abaixo-assinado passado na fábrica, uma semana após a invasão da polícia federal. Este é o clima que hoje impera dentro da fábrica. Os operários têm que suportar o terror de seguranças armados até nos banheiros da empresa e trabalham sob a vigia dos seguranças e supervisores. Convivem agora com a ameaça de perderam os empregos. O interventor, Rainoldo Uessler, nomeado pelo juiz federal Dr. Oziel Francisco de Souza, já destruiu os direitos conquistados pelos operários da Cipla: o acordo coletivo assinado no fim do ano passado pela CNQ/CUT, que reduziu a jornada de trabalho de 40 para 30 horas semanais, sem redução de salário, foi para o ralo. Com menos de uma semana de intervenção, não bastasse o clima de terror, os trabalhadores da Cipla têm que engolir a jornada de 44 horas semanais.

Acusando o Conselho de Fábrica, eleito democraticamente em assembléia pelos trabalhadores da Cipla, de terroristas e baderneiros, o interventor não só proibiu todo o conselho de fábrica de entrar na fábrica, como demitiu por justa causa o conselho e outros trabalhadores – valorosos ativistas da luta pela estatização das fábricas ocupadas.

Por tudo isso, o ato nacional que aconteceu dia 13 de Junho na porta da Cipla, durante a troca de turno, foi mais que uma importante manifestação de apoio. Foi a demonstração de que os trabalhadores da Cipla não estão sozinhos. Centenas de entidades do movimento operário do Brasil e da América Latina expressaram o repúdio à intervenção militar e judicial desencadeada pelo Governo Federal. Vários militantes e sindicalistas se perguntavam, nas falas, por que o INSS não cobra as dívidas das grandes empresas? Carlos Castro, membro do Conselho de Fábrica eleito, desabafa: “O Governo Federal, com a burguesia nacional e de Joinville, fez esse ataque fascista: a mão de Lula está manchada com esta decisão”.

O coordenador nacional do movimento das fábricas ocupadas do Brasil, Serge Goulart, dirigiu-se aos trabalhadores da Cipla, que entravam e saíam da fábrica na troca de turno: “Eu não posso me esquecer da luta cotidiana que vocês fizeram nesses quase 5 anos. Eu saúdo a luta de todos vocês. Eu sei que essa intervenção militar fascista cansa, dá medo, causa confusão. Não é para menos. Esse interventor veio para acabar com todas as conquistas. Mas o movimento continua. A luta vai continuar. Esse ato nacional estampa a bandeira da esperança. Porque a Cipla, que já é patrimônio da classe operária nacional e internacional, não pode fechar.”

Além das representações nacionais, compostas pela Federação Nacional Independente dos Trabalhadores Sobre Trilhos(e seus sindicatos, como os de Bauru/SP, MT, MS, SE, BA, Tubarão/SC e PR), a CUT/SC, Sintrasem, Sind Têxteis e Rodoviários de Blumenau, Sind Quim do Vale dos Sinos (RS), trabalhadores da Ellen Metal (Caieiras/SP), MST, MTST, estudantes e funcionários da ocupação da reitoria da USP, entre outros, o ato teve a presença de uma delegação internacional: Eduardo Múrua trouxe a solidariedade do Movimento Nacional de Empresas Recuperada na Argentina e informou que o movimento piqueteiro da Argentina fez ato na Embaixada brasileira. Também se dirigiu aos trabalhadores da Cipla: “A Cipla voltará a ser dos trabalhadores. Mas eu lhes peço: recuperem a memória de como era trabalhar dentro da fábrica antes desta intervenção fascista. Vocês faziam parte das decisões. Façam greve e retirem esse interventor de dentro da fábrica. Nós estaremos com vocês.” Do Paraguai, César Gonzáles representou duas fábricas sob controle operário e transmitiu o apoio da CUT-Autêntica. Na capital, Assunção, várias entidades vão se dirigir à Embaixada brasileira para protocolar documento pelo fim da intervenção. Da Venezuela, Francisco Rivero, trouxe uma forte mensagem solidária da Freteco (Frente de Empresas Tomadas e em Co-gestão) e avisou que o governo do presidente Hugo Chávez não irá manter o acordo comercial que existe entre a Pequiven (estatal do ramo químico) e a Cipla, se a empresa brasileira permanecer sob intervenção judicial. “Os trabalhadores da Cipla saberão reagir após o choque desse golpe e repressão fascista. A classe trabalhadora mundial está indignada com a intervenção fascista feito pelo Governo Lula. A Cipla é um exemplo para a classe trabalhadora mundial e não pode ser fechada. Na Venezuela, milhares de trabalhadores estão mobilizados, recolhendo assinaturas contra a intervenção judicial, que serão entregues na Embaixada brasileira dia 18/6.

Vinte e duas Embaixadas brasileiras já receberam manifestações de repúdio à intervenção na Cipla. A campanha nacional e internacional, com envio de moções para o Governo Federal, para os Ministros da Previdência e Trabalho, exigindo o fim da intervenção judicial e pela reintegração da comissão de fábrica continua. Diversas entidades do país, como o MST, CUT e vários sindicatos integram o Comitê pelo fim da intervenção na Cipla. Após o ato de 13 de Junho o comitê se reuniu para dar continuidade às lutas em apoio aos trabalhadores da Cipla. Integre esta luta!

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