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Atentado em Istambul: onde está a comoção?

Mais um atentado terrorista deixa mortos e feridos, mas o que se observa é a repercussão seletiva dos veículos de comunicação burgueses e seus “formadores de opinião”.

Um dos sintomas mais deprimentes da crise internacional do sistema é o terrorismo. Nesta terça-feira (28/6), ocorreu mais um lamentável episódio. Mais de 41 pessoas foram mortas em um ataque à bomba no aeroporto internacional de Istambul, o principal do país. Dos mortos, 13 eram estrangeiros.

Segundo relatos de sobreviventes e testemunhas, três homens chegaram ao local de táxi e iniciaram o ataque no terminal de entrada do aeroporto. Primeiro foram utilizadas metralhadoras para alvejar as pessoas em volta, e quando a polícia respondeu, eles acionaram os explosivos que estavam escondidos nas roupas.

Além dos 41 mortos, outros 128 feridos ficaram feridos. Todos foram levados ao hospital, onde muitos ainda seguem internados em estado grave. Além de turcos, cidadãos de pelo menos sete outros países estão entre as vítimas.

As dimensões do ataque não ficam atrás das dos atentados na Bélgica, ocorridos em março desse ano. Na verdade, o número de mortos já ultrapassa as vítimas das bombas no aeroporto e no metrô de Bruxelas. Ainda assim, o ocorrido despertou pouquíssimo interesse na imprensa ocidental, ao menos em relação aos que ocorreram na Europa nos últimos anos. O Facebook, rede social de maior sucesso no mundo, não fez aplicativo para colocar a bandeira turca nas fotos, como fez com a francesa em 2015 e a belga ainda esse ano.

O terrorismo é antes de tudo um dos frutos mais nocivos das políticas de intervenção imperialista, sobretudo dos EUA, em diferentes partes do mundo. Isso é ainda mais verdadeiro ao analisarmos as organizações fundamentalistas religiosas, que nasceram e proliferaram em áreas onde governos nacionais e todas as forças políticas locais foram destruídas a ferro e fogo pelos valentões de Washington. O Estado Islâmico, um dos suspeitos do ataque em Istambul, só pode surgir graças à devastação do Iraque e a sangrenta guerra civil na Síria.

Isso sem falar em inúmeros atentados praticados por organizações similares, como os homens bomba do Talibã no Afeganistão e no Paquistão, o rapto de centenas de meninas nigerianas pelo Boko Haram. Tudo isso é tratado com notável frieza pelos “formadores de opinião” da imprensa burguesa. As lágrimas estão reservadas só para quando os efeitos da política que eles mesmos defendem transbordam e atingem o coração do sistema, onde vivem.

A única solução para o fim do terrorismo é a destruição desse sistema social e econômico que só faz reproduzir misérias e violência ao redor do mundo. Vale lembrar que os exércitos convencionais dos países imperialistas matam e destroem em uma escala muito maior do que todos os terroristas do mundo somados. E são sempre recebidos com aplausos pela turma do choro seletivo. Somente uma outra sociedade, livre das divisões nacionais e de classe, poderá proporcionar um mundo onde todos os seres humanos sejam vistos e tratados como iguais.

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