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As trabalhadoras vidreiras, a questão da mulher e a luta de classes

A Comissão de Mulheres da Esquerda Marxista participou nos dias 20 e 21 de março do 23º Encontro das Mulheres Vidreiras organizado pelo Sindicato dos Vidreiros de São Paulo, reunindo mais de 150 operárias das várias fábricas da categoria no estado.

Nos dias 21 e 22 de março, o Sindicato dos Vidreiros de São Paulo realizou o 23º Encontro das Mulheres Vidreiras na Colônia de Férias na Praia Grande – SP. Participaram mais de 150 operárias das várias fábricas da categoria.

O sábado, 21 de março, foi dedicado ao debate político. De manhã uma representante da CNQ – Confederação Nacional dos Trabalhadores Químicos apresentou a história das mulheres e suas lutas. Na parte da tarde uma diretora do sindicato dos metalúrgicos do ABC fez uma intervenção de saudação ao encontro em nome da CUT. A camarada Lucy Dias, da Comissão de Mulheres da Esquerda Marxista, deu um informe “A luta pela emancipação das mulheres é a luta pela emancipação da classe trabalhadora” e se realizou um excelente debate.

A camarada iniciou explicando que a opressão das mulheres nasceu junto com a sociedade de classes. Lucy explicou que “Não existe uma classe de mulheres e outra classe de homens, existem a classe dos que tem os meios de produção e os que tem apenas sua força para vender-se no mercado em troca de salário. Sendo assim, existem mulheres que são burguesas e que são trabalhadoras e cada uma defende os interesses de sua classe.”

Depois fez um breve relato do papel fundamental jogado pelas mulheres em vários momentos das lutas dos oprimidos e explicou as diferenças de salários e direitos entre homens e mulheres no Brasil e em vários países do mundo.

No Brasil a diferença salarial é de quase 30% segundo o DIEESE, e 38% segundo a Fundação WageIndicator. Nos EUA a diferença é de 26%, na Federação Russa 29%, México 30%, França 21% e Itália 24%, na Suécia 6% de diferença, no Peru 42%. No Brasil, cada setor tem uma porcentagem de diferença salarial.  Segundo o DIEESE, a Indústria registrou maior desigualdade em Porto Alegre (65,0%), São Paulo (67,9%), Fortaleza (70,0%) e Salvador (73,9%). Já o setor de Serviços registrou a maior desigualdade de rendimentos entre os sexos no Distrito Federal (67,9%), em Belo Horizonte (72,8%) e Recife (77,9%).

A camarada Lucy defendeu uma visão marxista, de luta de classes, contra um feminismo pequeno-burguês: “Lutar Por Nós e Por Nossa Classe! De fato, ainda não conseguimos emancipação. Ainda existe muita desigualdade. Mas enxergar essa emancipação pela óptica do gênero, ou de qualquer divisão que o capitalismo tenha criado para fragmentar a unidade da classe trabalhadora, é cair numa ilusão.” 

As camaradas da comissão de mulheres da Esquerda Marxista que participaram, saíram desta atividade muito entusiasmadas a continuar um trabalho com as operárias que também ficaram animadas com a discussão.

Esta atividade mantém uma tradição de mais de duas décadas desenvolvida pelo sindicato e pela Comissão de Mulheres do Sindicato dos Vidreiros de SP na luta contra a opressão e exploração das mulheres trabalhadoras. Agora, podem contar com a colaboração da Comissão de Mulheres da Esquerda Marxista nessa luta.

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