Início / Artigos / Brasil / As regras eleitorais e a mídia

As regras eleitorais e a mídia

“O PT não cresceu porque ganhou ‘espaço na mídia’, mas, ao contrário, ganhou espaço (impôs) porque cresceu e se tornou o partido das massas trabalhadoras da cidade e do campo em todo o país. O PT ganhou os sindicatos, fundou a CUT.”

No dia 21 de agosto, o PCO propôs ao PSTU, PCB e PSOL realizar um Debate via Internet entre os seus candidatos a presidente. O motivo é denunciar que seus candidatos “sequer ocupam 1% das imagens e informações que a imprensa nacional – totalmente a serviço das candidaduras patronais – formula sobre as eleições 2010” e fazer campanha, naturalmente. Onde se lê “candidaturas patronais” leia-se – é óbvio para o PCO – candidaturas Dilma, Serra e Marina.

O PCB e o PSTU toparam. O PSOL não apareceu na reunião e o jornal Brasil de Fato vai mediar o debate, em 21 de setembro, via Internet.

Que a mídia é patronal não se discute. Mas, seria esta a razão, a falta de espaço na mídia, para que todos eles tenham apenas traço nas pesquisas?

Afinal, Zé Maria está de quatro em quatro anos falando em rede nacional para supostamente milhões de telespectadores. Pouco tempo, mas é algum tempo para dizer algo. O problema é somar o pouco tempo de TV e rádio com sua política em relação ao partido e ao governo que as massas reconhecem como seu. Isto é mortal.

Esta questão tem importância política e é bastante educativa.

O fato é que a legislação eleitoral está feita para despolitizar as eleições, esterilizando todo debate político. A legislação permite às emissoras de TV realizar debates convidando obrigatoriamente apenas os partidos que tenham parlamentares no Congresso Nacional.

Aliás, a revogação desta legislação reacionária é parte das tarefas de uma Constituinte Soberana para refazer o país segundo os interesses democráticos do povo trabalhador.

Este debate não vai, entretanto, substituir o enraizamento nas massas que estes partidos não têm. E eles devem saber disso. Trata-se de uma questão política da maior importância.

Todos eles consideram que o PT é um partido burguês ou “de direita” como dizem, e que o governo Lula é um governo burguês como qualquer outro. E eles são o partido revolucionário em construção e seu programa socialista correto atrairá as massas em determinado momento.

Esta política os isola das massas de milhões de operários. Os impede de compreender o significado e sentido do amplo apoio das massas e dos trabalhadores ao PT e suas candidaturas. Isto os impede de adotar uma tática que ajude as massas a romper com as ilusões nas direções reformistas.

A insistência no “pouco espaço na mídia” tem este sentido. Afinal, acreditam que se tivessem bastante tempo o povo todo conheceria suas idéias e seguramente aderiria ao partido revolucionário.

O PCB foi um partido de massas em 1946. E não porque tivesse mídia da burguesia, mas porque estava enraizado na classe trabalhadora. O PT não cresceu porque ganhou “espaço na mídia”, mas, ao contrário, ganhou espaço (impôs) porque cresceu e se tornou o partido das massas trabalhadoras da cidade e do campo em todo o país. O PT ganhou os sindicatos, fundou a CUT. Mas o PT se construiu desta maneira porque nos anos 70 e 80 não havia um partido operário de massas. Hoje ele existe e não se pode superá-lo por uma boa proclamação.

Hoje o PT é o “seu” partido para milhões de operários e jovens, apesar da política reformista pró-capitalista da maioria da direção do partido.

Os trabalhadores defendem e buscam utilizar as organizações que construíram com sua luta. E isto mesmo muito tempo depois destas organizações já não serem mais o que eram. Os operários tentarão utilizar o PT para sua luta de classe contra a burguesia até que grandes acontecimentos lhes ensinem que isto não é mais possível. Só aí eles buscarão outro caminho.

Deste ponto de vista o PCdoB é mais atento. Mesmo tendo um peso político e estrutura muito maior que o PCB, PSTU, PCO e PSOL, o PCdoB não se atreve a lançar um candidato a presidente para aparecer aos olhos das massas como “adversário” de Lula e do PT.

A construção do partido revolucionário é uma tarefa paciente e que envolve ciência e arte. É preciso estar junto da classe para ganhá-la para o programa da revolução. Isto significa, hoje, estar no partido que elas consideram como seu e ajudá-la, em seu próprio movimento, a superar as próprias ilusões nos seus dirigentes reformistas, que se negam a romper com a burguesia e a lutar pelo socialismo. A condição para isso é combater abertamente pelo programa em todas as situações.

Hoje, a síntese do combate para que a classe trabalhadora supere suas ilusões está na exigência que a Esquerda Marxista lança ao governo Lula e à direção do PT: Rompam com a burguesia, constituam um Governo Socialista dos Trabalhadores!

Este é o caminho para as massas trabalhadoras.

* Serge Goulart é membro da Direção Nacional do PT.

Deixe seu comentário

Leia também...

Eleição no AM: abstenções, brancos e nulos ocupam o vácuo deixado pela esquerda socialista

O primeiro turno da eleição suplementar para governador do Amazonas aconteceu no último domingo (6/8) …

Deixe uma resposta