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Articulações da FIRJAN, dos Movimentos Sociais e a nova conjuntura de Macaé

Diante de representantes das duas gestões, a Comissão local em Macaé da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (FIRJAN) fez um balanço em sua última reunião realizada em novembro passado. Nela, o findo governo do prefeito Riverton Mussi (PMDB) foi duramente criticado. A entidade também anunciou que serão cobradas prioridades orçamentárias ao novo governo do prefeito eleito, Dr. Aluizio (PV). Em Macaé, a Comissão Municipal da FIRJAN é presidida pelo empresário Evandro Esteves. Na oportunidade, sobre o findo governo municipal Esteves fez as seguintes críticas:

Diante de representantes das duas gestões, a Comissão local em Macaé da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (FIRJAN) fez um balanço em sua última reunião realizada em novembro passado. Nela, o findo governo do prefeito Riverton Mussi (PMDB) foi duramente criticado. A entidade também anunciou que serão cobradas prioridades orçamentárias ao novo governo do prefeito eleito, Dr. Aluizio (PV). Em Macaé, a Comissão Municipal da FIRJAN é presidida pelo empresário Evandro Esteves. Na oportunidade, sobre o findo governo municipal Esteves fez as seguintes críticas:

“O que vimos nos últimos tempos foi uma desagregação entre Secretarias do governo municipal que agora gerarão prejuízos para todos. Obras foram definidas sem que houvesse um acompanhamento pelo setor do desenvolvimento econômico. Um exemplo disso é a Estrada Norte/Sul. Sequer sabíamos que seria executada essa obra, assim como as obras da orla do bairro Praia de Imbetiba, entre outras”.**

Já sobre o novo governo, a Comissão da FIRJAN anunciou que realizou debates acerca do planejamento orçamentário e as prioridades, defendendo que o cumprimento ocorra através de recursos como o Imposto Sobre Serviços (ISS) por ser receita gerada pela atuação do setor empresarial. Salientou Evandro Esteves: “O setor empresarial pode ser considerado como a galinha dos ovos de ouro por gerar emprego e receita”.**

Ele cobrou também a integração entre Secretarias, como forma de garantia do cumprimento das demandas. Em outras palavras, a Comissão da FIRJAN pretende firmar um entendimento formal com os representantes da futura gestão a ser empreendida no governo municipal de Macaé, à qual deverá ser entregue em janeiro um protocolo de ações que apontem as demandas emergenciais do setor empresarial. Embora fosse aliada da finda gestão, desde a campanha das eleições municipais em outubro passado a FIRJAN-Macaé deu pista de ter mudado de lado. 

Daí porque, mesmo diante da presença de representantes das duas gestões, o presidente Esteves não se fez de rogado: “Não existe por parte da Comissão da FIRJAN o menor propósito em assumir o protagonismo ou preferência na relação com poder público. Ocorre que Macaé foi de tal maneira depauperada na última gestão, que as demandas tornaram-se comuns a todas as instituições que representam o setor empresarial/econômico na cidade. Queremos contribuir com um novo processo, buscando metas e cobrando compromissos”**, afirmou. Registre-se: A palavra “compromisso” na campanha esteve o tempo todo na boca do prefeito eleito.

Não por outra razão, mesmo o prefeito eleito não estando presente à reunião da FIRJAN-Macaé, mas sim seu vice-eleito, o vereador Danilo Funke (PT), o empresário Esteves aproveitou a oportunidade para debater a presença de representantes do poder público nas reuniões realizadas, ressaltando que a relação deva ser formal: “É fundamental que a relação entre o poder público e as instituições empresariais seja investida por ambas as partes. Não há qualquer razão para que os futuros gestores afastem-se dos encontros das instituições”**, concluiu.

Movimentos sociais de Macaé em alerta

Sabemos que o povo trabalhador de Macaé tem enormes expectativas a partir de 2013, segundo a nova composição dos poderes Executivo e Legislativo, por 3 fatos: Em 1º lugar, os maiores partidos políticos burgueses e oligárquicos locais – PMDB e PSDB – foram derrotados. Os tucanos, por sinal, não conseguiram eleger sequer vereador o principal representante da burguesia local, o ex-prefeito três vezes e ex-deputado federal Sylvio Lopes Teixeira.

Em 2º lugar, o PT participa da chapa vitoriosa com um vice-prefeito que tem amplo apoio popular, nosso companheiro Danilo Funke. Em 3º lugar, pelo fato do PT ter conseguido ampliar sua bancada para 5 (empatando com o PMDB), dentre 17 vereadores eleitos.

Em Macaé, o desafio dos movimentos sociais ante estes novos poderes Executivo e Legislativo é fazer com que estes apoios institucionais resultem em realizações concretas que caminhem rumo às mudanças estruturais.

Apesar da oligarquia local ter sido derrotada nestas últimas eleições, a mobilização que a FIRJAN-Macaé realiza hoje indica que a burguesia não está de cabeça baixa e já faz as suas articulações para pressionar o prefeito Dr. Aluizio (PV) a realizar as reivindicações de interesse do empresariado. Isso deve servir de alerta para os petistas e o conjunto do movimento operário e popular, que não podem cochilar. Temos em vista um bilionário orçamento da Princesinha do Atlântico, a atual capital brasileira do petróleo, em meio aos enormes problemas sociais na cidade, no campo e nos serviços públicos.

Em janeiro a FIRJAN-Macaé apresentará suas exigências ao novo governo municipal. Não pode haver dúvida entre nós de que esta entidade representativa da burguesia no Estado do Rio de Janeiro articulará para a continuidade de uma política voltada aos empresários. A postura dos sindicatos e dos movimentos sociais nesse embate será decisiva. O momento agora é o de termos clareza sobre quais são as demandas e as prioridades do povo trabalhador. Precisamos também definir as estratégias que garantam a unidade de nossas organizações em oposição à burguesa e sua política nessa nova etapa da luta de classes em Macaé.

** As declarações citadas referentes à reunião da FIRJAN-Macaé foram extraídas do diário impresso local O Debate.

*Almir é membro do Diretório Municipal do PT de Macaé e militante da Esquerda Marxista

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